Sam Altman não parece satisfeito em brigar com Elon Musk só na arena da inteligência artificial. O CEO da OpenAI agora mira o espaço. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o executivo chegou a discutir a compra de uma fatia majoritária na Stoke Space, startup americana de foguetes criada por ex-funcionários da Blue Origin.
As negociações esfriaram, mas não encerraram a ambição. A movimentação mostra que Altman quer mais do que liderar o setor de IA — ele quer controlar também a infraestrutura energética e logística necessária para que essa tecnologia continue crescendo.
Rivalidade em múltiplas frentes
A investida no espaço acrescenta um novo capítulo à disputa pessoal e profissional entre Altman e Musk. De um lado, o criador da OpenAI — que também financia projetos como o Worldcoin e a recém-fundada Merge Labs, concorrente direta da Neuralink. Do outro, o dono da SpaceX e da xAI, que tenta tomar espaço (literalmente) com seus próprios modelos de IA.
Essa “corrida de foguetes 2.0” acontece em meio a um momento sensível para a OpenAI. A companhia projeta arrecadar cerca de US$ 13 bilhões em 2025, enquanto seus acordos de infraestrutura, como o recente contrato de US$ 600 bilhões para capacidade de computação, levantam dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento.
Internamente, há pressão. A empresa chegou a declarar “alerta vermelho” para o ChatGPT, que vem perdendo tração para o Gemini, do Google, e teria pausado o lançamento de novos produtos para reforçar sua principal linha.
O plano: IA movida por energia solar espacial
Por trás da ideia de investir em foguetes há um raciocínio mais pragmático do que pode parecer: o consumo energético crescente da IA. Altman tem dito abertamente que os modelos de linguagem e sistemas de aprendizado profundo estão esbarrando em um limite — o da energia disponível na Terra.
A solução? Colocar centros de processamento em órbita, alimentados por painéis solares que captam luz sem a interferência atmosférica e sem depender do ciclo dia/noite. É um conceito antigo na ficção científica, mas que volta ao debate conforme os custos computacionais da IA disparam.
O foguete Nova, desenvolvido pela Stoke Space, é peça-chave nesse raciocínio. Totalmente reutilizável, ele promete reduzir drasticamente o custo de transporte de equipamentos e módulos para o espaço — algo que pode transformar a ideia em um projeto viável, ou pelo menos testável.
Ceticismo e apostas bilionárias
Apesar do charme futurista, o mercado financeiro ainda vê o plano com desconfiança. Ações de gigantes ligadas à OpenAI, como Oracle e Nvidia, recuaram nas últimas semanas. E o megainvestimento de US$ 100 bilhões em parceria com a Nvidia, essencial para avançar em infraestrutura, segue sem desfecho.
Especialistas lembram que a tecnologia para data centers orbitais ainda é teórica — e caríssima. O custo de colocar e manter servidores no espaço seria monumental, e o retorno, distante. Ainda assim, o movimento de Altman mostra que a corrida pela supremacia tecnológica não se limita mais a máquinas e algoritmos.
Ela agora inclui o próprio acesso ao céu
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 05/12/2025 11:32