A Prefeitura do Rio de Janeiro assinou um acordo com a AICUBE para implementar agentes de inteligência artificial nas unidades públicas de saúde do município. O investimento de R$ 2 milhões é da própria empresa, que cede a tecnologia como parte de sua estratégia de expansão na América Latina.
A plataforma usada se chama Qilbee. Desenvolvida pela AICUBE, empresa fundada por brasileiros e sediada no Vale do Silício, ela opera com o que o setor chama de IA agêntica: sistemas que não apenas respondem perguntas, mas executam fluxos operacionais de ponta a ponta, interagindo com outros sistemas e processando informações sem intervenção humana constante. “Nossa missão é permitir que governos ampliem sua capacidade operacional com segurança, eficiência e total soberania sobre seus dados”, diz Garry Dias, fundador e CEO da AICUBE.
A parceria é firmada pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI) e começa restrita à área da saúde, com possibilidade de expansão para outras secretarias. O objetivo declarado é reduzir gargalos administrativos e operacionais, acelerando serviços prestados ao cidadão.
A empresa já tem operações ativas no Conselho Nacional do SESI e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de atender empresas como BRF, PicPay e Banco BMG no setor privado. Em 2026, fechou um contrato de US$ 15 milhões com a Amazon Web Services para ampliar infraestrutura computacional, e integra o NVIDIA Inception Program, voltado a startups de IA. A AWS também investiu na empresa por meio do programa GAIA (Generative AI Accelerator).
Para a Prefeitura, a iniciativa funciona como um teste em escala real de tecnologia que promete aumentar a produtividade da gestão pública sem transferir controle dos dados a terceiros. O contrato coloca o Rio ao lado de um número ainda pequeno de governos latino-americanos que adotam IA agêntica, e não apenas ferramentas de automação básica, na administração direta.