Brasileiros descobrem como monitorar a temperatura de cada chip de memória em GPUs NVIDIA, GTX 1060 completa 10 anos e outras notícias que movimentaram o mundo do hardware nesta semana

Técnicos brasileiros descobriram como monitorar a temperatura de cada chip de memória em GPUs NVIDIA. A semana também teve os 10 anos da GTX 1060, novidades sobre DDR6, DLSS 5, AMD EPYC e o crescimento da Intel.

A semana do hardware teve brasileiros entre seus principais protagonistas. A equipe do técnico Paulo Gomes descobriu uma maneira de acompanhar separadamente a temperatura de cada chip de memória instalado em placas de vídeo da NVIDIA, revelando informações que os programas tradicionais de monitoramento não exibiam aos usuários. O trabalho pode facilitar o diagnóstico de problemas térmicos, falhas no contato do dissipador e thermal pads instalados de forma incorreta.

Os últimos dias também foram marcados por anúncios importantes no mercado de servidores, inteligência artificial e memória. A AMD apresentou novos processadores EPYC e o acelerador Instinct MI455X, enquanto a NVIDIA mostrou como pretende usar três modelos de IA no DLSS 5. A fabricante chinesa CXMT começou a preparar sua estrutura para a produção de memórias DDR6, e a Intel registrou seu maior crescimento de receita em 15 anos.

Técnicos brasileiros descobrem como medir a temperatura de cada chip de memória em GPUs NVIDIA

Uma equipe brasileira formada por técnicos e especialistas em reparo de placas de vídeo descobriu como acessar individualmente os sensores térmicos dos chips de memória presentes em diferentes gerações de GPUs da NVIDIA. O trabalho foi realizado pela equipe de Paulo Gomes, conhecida por projetos de modificação, diagnóstico e reparo de placas de vídeo. Os técnicos descobriram que o driver da NVIDIA recebe as temperaturas de todos os módulos de memória, mas as ferramentas convencionais apresentam apenas um único valor ao usuário, normalmente correspondente ao chip mais quente.

Por meio da interface MMIO, sigla para Memory-Mapped I/O, a equipe conseguiu ler os dados de cada canal de memória e relacionar as informações à posição física dos chips na placa. Com isso, passa a ser possível visualizar separadamente a temperatura de cada módulo GDDR6, GDDR6X ou GDDR7.

A diferença pode parecer pequena para quem acompanha apenas a temperatura geral da placa, mas tem aplicação direta no trabalho de reparo. Uma GPU pode apresentar uma leitura aparentemente normal enquanto apenas um dos módulos opera muito acima dos demais. Sem os dados individuais, localizar a origem do problema exige desmontagem, testes adicionais ou o uso de câmeras térmicas.

Quando um chip apresenta temperatura diferente dos outros, o comportamento pode indicar pressão irregular do dissipador, thermal pad com espessura inadequada, material térmico mal posicionado ou uma falha localizada no próprio módulo de memória.

O método funcionou inicialmente em GPUs móveis com memória GDDR6 e em placas GeForce RTX 30 e RTX 40 equipadas com GDDR6X. A equipe também conseguiu ampliar o suporte para modelos com GDDR7. As leituras podem ser exibidas em programas como HWiNFO e MSI Afterburner por meio de um plugin específico.

GeForce GTX 1060 completa dez anos após liderar a Steam por quase cinco

GeForce GTX 1060 completa 10 anos: como a GPU da NVIDIA virou a mais popular do Steam por quase cinco anos

A GeForce GTX 1060 completou dez anos nesta semana. Lançada em 19 de julho de 2016, a placa chegou ao mercado com preço sugerido a partir de US$ 249 nos modelos de fabricantes parceiras e US$ 299 na versão Founders Edition vendida pela NVIDIA. Baseada na arquitetura Pascal, a GPU foi apresentada como uma opção intermediária capaz de entregar desempenho próximo ao da antiga GTX 980. Essa combinação ajudou a transformar o modelo em uma das placas de vídeo mais bem-sucedidas da história recente do PC.

Em dezembro de 2017, a GTX 1060 alcançou a primeira posição na pesquisa de hardware da Steam. A placa permaneceu no topo durante 59 meses consecutivos, quase cinco anos, até ser superada pela GTX 1650 em novembro de 2022.

A permanência prolongada mostra como o mercado de placas de vídeo era diferente naquele período. A GTX 1060 conseguia rodar grande parte dos jogos em Full HD e continuou sendo uma opção suficiente durante vários anos, especialmente para títulos competitivos e projetos menos exigentes. A família também teve várias versões. Além do modelo original com 6 GB de memória GDDR5, a NVIDIA lançou uma variante de 3 GB com GPU reduzida, uma edição equipada com GDDR5X e uma versão de 5 GB voltada ao mercado chinês. Também existiram modelos adaptados para mineração de criptomoedas.

Mesmo uma década depois, a GTX 1060 ainda representa 1,54% das placas identificadas pela Steam. A participação atual é pequena perto do período de liderança, mas mostra que milhares de computadores continuam usando uma GPU lançada antes da popularização do ray tracing, do DLSS e das tecnologias modernas de geração de quadros.

Novo chip Arm da NVIDIA rivaliza com o Apple M3 Max em teste

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A futura entrada da NVIDIA no mercado de processadores Arm para notebooks ganhou um novo indicativo de desempenho. Um protótipo do Surface Laptop Ultra equipado com o processador N1X apareceu no Cinebench 2026 com resultados próximos aos de um Apple M3 Max de 14 núcleos. O processador testado possui 20 núcleos e faz parte da plataforma NVIDIA RTX Spark. Por padrão, o notebook utiliza limites de potência de 37,5 W em cargas prolongadas e 64 W durante períodos curtos.

Durante os testes, porém, foi encontrado um perfil oculto de alto desempenho que elevava esses limites para 80 W e 95 W. Mesmo com a configuração liberada, o processador consumiu aproximadamente 50 W durante o teste com múltiplos núcleos, mantendo seus dois conjuntos de núcleos em até 2,8 GHz. O sistema marcou 540 pontos no teste de núcleo único e 5.771 pontos na avaliação multithread. Os resultados ficaram próximos aos do M3 Max de 14 núcleos. A versão de 16 núcleos do chip da Apple ainda apresentou vantagem de aproximadamente 4% no teste de um núcleo e 14% no desempenho total.

Os números devem ser tratados com cautela. O teste foi realizado em um notebook de pré-produção, equipado com uma versão de engenharia do N1X e software que ainda não recebeu as otimizações finais. Mesmo assim, o resultado sugere que a NVIDIA não pretende estrear no Windows on Arm apenas com chips voltados a computadores básicos. Caso o desempenho seja mantido nos produtos comerciais, a empresa poderá competir no segmento de notebooks de alto desempenho e levar sua experiência com GPUs, inteligência artificial e eficiência energética para uma nova categoria de processadores.

DLSS 5 usará três modelos de IA e poderá atuar apenas em objetos escolhidos

DLSS 5 agora tem três modos de IA — mude o upscaler em tempo real

A NVIDIA apresentou novos detalhes sobre o DLSS 5 durante a SIGGRAPH. A tecnologia pretende usar inteligência artificial não apenas para reconstruir imagens ou aumentar a taxa de quadros, mas também para alterar elementos de iluminação, sombras, reflexos e materiais dentro dos jogos.

O anúncio inicial provocou críticas de jogadores e artistas, que demonstraram preocupação com a possibilidade de a IA modificar a direção visual definida pelos desenvolvedores. A principal dúvida era se o sistema poderia alterar rostos, roupas, cenários e outros detalhes sem preservar o trabalho original. Segundo a NVIDIA, o DLSS 5 não dependerá somente dos pixels da imagem. O sistema utilizará dados internos fornecidos pelo motor gráfico, incluindo informações de iluminação, profundidade, movimento e diferentes buffers da cena.

Esses dados deverão ajudar a manter características permanentes dos personagens e objetos. Uma cicatriz, parte de uma roupa ou detalhe de uma superfície, por exemplo, não deveria desaparecer ou mudar entre os quadros.

A tecnologia utilizará três modelos de IA com funções diferentes. Os desenvolvedores poderão combinar esses modelos dentro do mesmo jogo e selecionar qual deles deve atuar em cada cena.

Também será possível aplicar o processamento apenas em objetos específicos por meio de máscaras. Dessa forma, um estúdio poderá usar a IA para melhorar a pele de um personagem ou o reflexo de determinado material sem alterar todo o quadro. A intensidade do efeito também poderá ser ajustada pelos artistas. Para funcionar em tempo real, a NVIDIA afirma ter reduzido grandes modelos generativos a um transformador de difusão de uma única etapa executado no espaço de pixels. Ainda assim, a empresa reconhece que o sistema precisa de uma boa imagem-base e não substitui os métodos tradicionais de renderização.

A promessa é oferecer mais ferramentas aos desenvolvedores, mas a recepção definitiva dependerá da implementação nos primeiros jogos. O controle concedido aos artistas será um dos principais fatores para determinar se o DLSS 5 será visto como uma evolução gráfica ou como uma interferência no estilo visual das obras.

Fabricante chinesa já prepara produção de memórias DDR6

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A fabricante chinesa CXMT começou a preparar sua estrutura industrial para a próxima geração de memórias DDR6, mesmo antes de o novo padrão chegar ao mercado. A produção comercial é esperada apenas entre 2028 e 2029, mas a empresa já trabalha com fornecedores na adaptação dos materiais e processos necessários.

A mudança não envolve apenas aumentar a velocidade dos módulos atuais. A DDR6 deverá adotar uma nova estrutura multicanal e uma construção com mais camadas, o que exigirá modificações nas próprias técnicas de fabricação dos chips e de seus substratos.

Para avançar nessa etapa, a CXMT trabalha com a sul-coreana Haesung DS, especializada na produção de substratos para semicondutores. A parceria já ajudou a fabricante chinesa na produção de memórias DDR4 e DDR5 e agora será ampliada para o desenvolvimento de componentes compatíveis com a futura geração DDR6. A Haesung DS utiliza um processo conhecido como Reel-to-Reel, no qual os materiais passam continuamente pelas etapas de fabricação em rolos. A tecnologia facilita a produção em escala e será adaptada para criar os substratos multicamadas exigidos pelos novos chips.

A preparação antecipada mostra que a CXMT não pretende permanecer apenas como uma alternativa de baixo custo no mercado de memória. A empresa tenta reduzir a distância para Samsung, SK Hynix e Micron justamente em uma geração que ainda não possui fabricantes completamente estabelecidos.

Esse movimento ganha importância em meio à pressão sobre o fornecimento mundial de DRAM. Com grandes fabricantes direcionando parte crescente da capacidade produtiva para memórias de alta largura de banda usadas em inteligência artificial, clientes de outros segmentos passaram a procurar fornecedores capazes de garantir volumes mais estáveis.

A CXMT ainda ocupa uma posição inferior à das líderes em tecnologia e capacidade de produção. Mesmo assim, sua expansão pode aumentar a concorrência e reduzir a dependência de um grupo pequeno de empresas. Caso consiga chegar à DDR6 sem o mesmo atraso observado em gerações anteriores, a fabricante chinesa poderá assumir um papel mais relevante no mercado global de memória ao final da década.

AMD apresenta EPYC Zen 6 e acelerador com 432 GB de memória HBM4

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A AMD respondeu aos avanços da NVIDIA com dois anúncios voltados ao mercado de servidores. A empresa apresentou os processadores EPYC 9006, baseados na arquitetura Zen 6, e revelou o acelerador Instinct MI455X para inteligência artificial.

Conhecida pelo codinome Venice, a nova família EPYC será dividida em quatro séries destinadas a diferentes categorias de servidores. Os modelos poderão trazer até 96 núcleos Zen 6 ou 256 núcleos Zen 6c, versão mais compacta e voltada a sistemas que priorizam grande quantidade de núcleos.

Algumas variantes de 96 núcleos poderão alcançar frequência de até 5 GHz. A linha Venice-X, equipada com 3D V-Cache, oferecerá até 1.152 MB de cache L3. A plataforma SP7 terá 16 canais de memória DDR5-8000, compatibilidade com módulos MRDIMM de até 12.800 MT/s, PCI Express 6.0, CXL 3.1 e processadores com consumo configurável de até 600 W. Os primeiros servidores são esperados para o quarto trimestre de 2026.

O Instinct MI455X representa o braço gráfico dessa estratégia. Baseado na arquitetura CDNA 5, o acelerador reúne 320 bilhões de transistores e utiliza oito chiplets computacionais produzidos no processo de 2 nanômetros da TSMC.

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A estrutura também inclui dois chips de cache e dois controladores de entrada e saída fabricados em 3 nanômetros. O acelerador possui 192 MB de cache L2 e 432 GB de memória HBM4 distribuídos em 12 pilhas.

A memória entrega largura de banda de até 23,3 TB/s. Segundo os números divulgados pela AMD, o volume é 50% maior que o oferecido pelo Instinct MI355X, enquanto a largura de banda pode ser até 2,9 vezes superior.

O MI455X será usado nos racks Helios, plataforma criada para competir diretamente com os sistemas Rubin da NVIDIA. Os anúncios mostram que a AMD não pretende disputar apenas o fornecimento de chips isolados. A empresa quer combinar processadores EPYC, aceleradores Instinct, memória e conexões de alta velocidade em uma infraestrutura completa para inteligência artificial.

Receita da Intel cresce 25% com demanda por servidores e inteligência artificial

A Intel encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita de US$ 16,1 bilhões, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi o maior ritmo de expansão registrado pela empresa nos últimos 15 anos.

A principal contribuição veio da divisão Data Center & AI. O segmento alcançou receita de US$ 6,3 bilhões, alta anual de 59%, impulsionada pela demanda por processadores Xeon e pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

A divisão Client Computing Group, responsável principalmente por processadores para computadores pessoais, registrou US$ 8,9 bilhões, crescimento de 13%. A Intel Foundry também apresentou avanço. A área de fabricação de semicondutores cresceu 31%, embora boa parte de sua receita continue ligada à produção de componentes para a própria Intel.

Para o trimestre atual, a companhia espera faturar entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões. Os resultados não significam que todos os problemas da Intel foram resolvidos. A empresa ainda precisa melhorar a competitividade de seus produtos, aumentar o uso de suas fábricas e conquistar mais clientes externos para o negócio de produção de chips.

Mesmo assim, os números mostram que a expansão da inteligência artificial não beneficia somente as fabricantes de aceleradores. Servidores ainda dependem de CPUs, sistemas de armazenamento, redes e outros componentes, criando espaço para que a Intel participe do crescimento mesmo sem ocupar a mesma posição da NVIDIA no mercado de GPUs para IA.

Compra da ATI pela AMD completa 20 anos

Há 20 anos, a AMD comprava a ATI; relembre a aquisição que mudou a história da empresa

A compra da ATI pela AMD completou 20 anos nesta semana. A negociação de US$ 5,4 bilhões foi anunciada em 24 de julho de 2006 e concluída no dia 25 de outubro daquele ano.

A operação colocou uma das maiores fabricantes de processadores do mercado ao lado de uma das principais empresas de chips gráficos. Na época, porém, o negócio foi recebido com dúvidas devido ao preço elevado e ao impacto da dívida sobre as finanças da AMD. A marca ATI continuou aparecendo nos produtos durante alguns anos, mas foi retirada do mercado de consumo em 2010. As placas de vídeo passaram a usar apenas o nome Radeon.

O desaparecimento da marca não significou o fim de sua influência. As tecnologias e as equipes incorporadas pela AMD contribuíram para o desenvolvimento do projeto Fusion, criado para integrar CPU e GPU em um mesmo chip.

Essa estratégia deu origem às APUs e se tornou parte importante dos processadores usados em notebooks, computadores de mesa, consoles e dispositivos portáteis.

A aquisição também teve impacto direto sobre os videogames. As tecnologias gráficas da antiga ATI ajudaram a AMD a fornecer chips personalizados para diferentes gerações do Xbox e do PlayStation, tornando os consoles uma fonte recorrente de receita para a companhia.

No mercado de placas de vídeo, a Radeon continuou sendo a principal concorrente da GeForce. A experiência acumulada em GPUs também ajudou a empresa a desenvolver os aceleradores Instinct usados atualmente em servidores de inteligência artificial.

Vinte anos depois, é possível observar a compra da ATI não apenas como a aquisição de uma fabricante de placas de vídeo. O negócio deu à AMD as tecnologias necessárias para atuar em processadores híbridos, consoles, GPUs dedicadas e aceleradores para data centers, áreas que hoje representam partes centrais de sua estratégia.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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