Há 20 anos, a AMD comprava a ATI; relembre a aquisição que mudou a história da empresa

Há 20 anos, a AMD anunciava a compra da ATI em um negócio de US$ 5,4 bilhões. Relembre como a aquisição transformou a empresa e influenciou o futuro das GPUs, consoles e da inteligência artificial.

Há exatos 20 anos, a a AMD anunciou a compra da ATI Technologies por US$ 5,4 bilhões. O pagamento incluía US$ 4,2 bilhões em dinheiro e ações da AMD. Cada acionista da ATI recebeu US$ 16,40 em dinheiro e 0,2229 ação da AMD por papel. O mercado reagiu com desconfiança. A AMD assumiu dívida para financiar a operação, e analistas questionaram por que uma fabricante de CPUs pagaria esse valor por uma empresa de placas de vídeo. 

Vinte anos depois, das APUs às aceleradoras Instinct, a arquitetura gráfica da ATI está enraizada na AMD, e agora é cada vez mais relevante, com a alta demanda por aceleradores gráficos para alimentar servidores das empresas que mantém a IA evoluindo.

Naquele momento da aquisição, a Intel dominava o mercado de CPUs para PC. A NVIDIA e a ATI disputavam o mercado de GPUs, e a Microsoft preparava o lançamento do Windows Vista, sistema que exigia mais processamento gráfico para renderizar efeitos visuais e transparências que o Windows XP não usava. O famoso Aero.

O anúncio

No comunicado de 24 de julho de 2006, as empresas descreveram a meta: combinar microprocessadores da AMD com GPUs, chipsets e eletrônicos de consumo da ATI para criar uma nova geração de plataformas de processamento.

A nova empresa combinada projetava:

  • US$ 7,3 bilhões em receita anual

  • 15 mil funcionários

  • US$ 75 milhões em sinergias até o fim de 2007

Dave Orton, CEO da ATI, assumiu como vice-presidente sênior da divisão gráfica da AMD e Jim Allchin, copresidente da divisão de Plataformas e Serviços da Microsoft, declarou que o Windows Vista aumentaria a importância do processamento gráfico e disse esperar ver o que as duas empresas desenvolveriam juntas.

Mas por que a ATI era tão importante?

Em 2006, a ATI não era apenas uma fabricante de placas de vídeo, ela era reconhecida como uma das empresas responsáveis por moldar toda a evolução da computação gráfica para PCs.

A ATI nasceu em 1985, no Canadá, fundada por Kwok Yuen Ho, Benny Lau e Lee Lau. Um empréstimo de um banco asiático manteve a empresa operando nos primeiros meses. Logo depois, a ATI fechou contrato para fornecer sete mil chips gráficos por semana à Commodore. A IBM se tornou cliente pouco depois. Inicialmente focada no desenvolvimento de chips para fabricantes de computadores, a empresa decidiu entrar no mercado de placas de vídeo próprias em 1986, com a linha ATI Wonder. 

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ATI Wonder

Em 1988, lançou a ATI VGA Wonder, capaz de atingir resoluções de até 1024 × 768 pixels com 256 cores, números bastante expressivos para a época.

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ATI VGA Wonder

No início dos anos 1990, a família Mach trouxe aceleração 2D, assumindo tarefas antes realizadas pela CPU. Foi essa arquitetura que abriu caminho para um dos maiores saltos tecnológicos da empresa. Em 1996 surgiu a família 3D Rage, marcando a entrada definitiva da ATI no mercado de aceleração gráfica 3D. Compatíveis com o DirectX 5.0, esses chips colocaram a empresa na disputa direta com a NVIDIA justamente quando os gráficos 3D começavam a transformar a indústria dos jogos para computador.

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3D Rage

Crescimento por meio de aquisições

Enquanto ampliava seu catálogo de produtos, a ATI também crescia comprando tecnologia, movimento corriqueiro entre grandes empresas para ganhar terreno mais rápido em determinada tecnologia ou categoria de produto. Em 1997, a ATI incorporou ativos e equipe da Tseng Labs, fabricante pioneira de chips gráficos. Três anos depois comprou a ArtX por US$ 400 milhões. Essa empresa foi a responsável por desenvolver o chip gráfico do Nintendo 64

Os engenheiros da ArtX passaram a integrar a ATI e trabalharam depois em arquiteturas gráficas importantes da companhia.

O nascimento da Radeon

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Radeon 7000

Chegamos agora a grande marca comercial da história da ATI, e que segue até hoje sendo propagada pela AMD. Em 2000, a empresa resolveu abandonar sua antiga estratégia de nomenclatura e apresentou uma nova: Radeon. A primeira geração chegou ao mercado com a série Radeon 7000. Depois vieram as famílias Radeon 8000 e Radeon 9000, acompanhando a evolução das versões do DirectX suportadas pelo hardware.

A placa que mudou a disputa com a NVIDIA

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Radeon 9700 Pro

Em 2002, a ATI lançou aquela uma das placas de vídeo mais importantes da história, a Radeon 9700 Pro, baseada na arquitetura R300, colocou a empresa em vantagem sobre a NVIDIA em diversos testes de desempenho.  Enquanto a concorrente respondia com a linha GeForce FX, a ATI consolidava sua posição com a Radeon 9800 e, posteriormente, com famílias igualmente marcantes como Radeon X800 e Radeon X1000.

Com tanto destaque, a ATI chamou atenção da AMD.

Um investimento arriscadíssimo

Apesar do entusiasmo demonstrado no anúncio, a operação estava longe de ser consenso. Além do valor elevado, a AMD assumiu uma dívida significativa justamente às vésperas da crise financeira global de 2008. Ao mesmo tempo, enfrentava forte pressão competitiva da Intel no mercado de processadores. Durante anos, analistas apontaram a aquisição da ATI como um dos fatores que agravaram a situação financeira da AMD. 

A própria AMD reconheceu, em 2007, que pagou caro demais pela ATI. 

O legado da ATI continua vivo

A aquisição foi oficialmente concluída em outubro de 2006. Durante alguns anos, a marca ATI continuou aparecendo em produtos identificados como ATI Radeon.

Em 2010, porém, a AMD encerrou oficialmente a marca, adotando definitivamente o nome AMD Radeon.

As APUs nasceram da visão de integrar CPU e GPU em um único chip, e os processadores gráficos presentes em praticamente todas as gerações recentes de PlayStation e Xbox carregam tecnologias desenvolvidas sob essa mesma estratégia.

Arquiteturas modernas da AMD Infinity Fabric ajudaram a aproximar ainda mais diferentes blocos de processamento dentro dos chips da empresa, e mais recentemente, a experiência acumulada ao longo de décadas em computação gráfica também se tornou um dos pilares das aceleradoras Instinct, utilizadas em inteligência artificial e computação de alto desempenho, mercado que é essencial para a AMD atualmente.

Além da questão da tecnologia, a ATM ambém marcou toda uma geração de entusiastas com uma identidade visual muito própria, representada por uma personagem que se tornou um dos símbolos mais conhecidos da era de ouro das placas Radeon. Se você acompanhou o mercado de hardware nos anos 2000, provavelmente se lembra da Ruby, a icônica “mercenária” que estampou embalagens, demos técnicas e campanhas publicitárias da fabricante. Temos um artigo relembrando essa mascote da ATI. Clique abaixo para conferir. 

Relembre a Ruby, “mercenária” da ATI imortalizada nas placas de vídeo Radeon

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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