PCB de RTX 5090 de 3 kg racha, ASUS recusa a troca e culpa o cliente

Uma RTX 5090 ASTRAL, modelo topo de linha da ASUS que pesa mais de 3 kg, foi recusada na garantia por causa de uma rachadura microscópica no PCB — tão pequena que só aparece em foto ampliada.

O proprietário canadense, que relatou o ocorrido no Reddit, recebeu um orçamento de CAD$ 4.661 (dólares canadenses, R$ 18.348,17, em conversão direta) para substituição completa da placa, sem opção de conserto. Depois de reclamar, a ASUS ofereceu 50% de desconto: “só” CAD$ 2.330 (R$ 9.172,11, em conversão direta).

O caso reacende o debate sobre a política de RMA da fabricante e levanta uma questão incômoda: será que placas de vídeo cada vez mais pesadas não estão virando um problema estrutural que os fabricantes preferem ignorar?

A surpresa desagradável

O dono da placa começou a ter telas pretas aleatórias e reinicializações do sistema. Testou com outra GPU, tudo funcionou normalmente. Enviou a RTX 5090 para RMA. A resposta da ASUS: “irregularidade superficial” próxima ao conector PCIe, classificada como dano causado pelo cliente.

Segundo ele, as fotos que tirou antes do envio e até o vídeo de unboxing oficial da ASUS não mostram nada visível a olho nu naquela região. A única evidência do defeito é uma imagem de microscópio mostrando uma trinca fina no “dente” do PCB que encaixa na trava do slot PCIe.

A ASUS não ofereceu reparo. Apenas substituição integral pelo preço de uma placa nova.

Mais de 3 kg pendurados em um slot: falha de projeto ou mau uso?

A RTX 5090 ASTRAL pesa 3 kg. Praticamente toda essa massa fica apoiada em dois pontos: o conector PCIe e a lingueta estreita do PCB que trava no chassi. O cliente diz que instalou a placa com o suporte incluído na caixa e que o PC nunca foi movido.

Mesmo assim, a trinca apareceu exatamente na zona de maior tensão mecânica. Placas cada vez mais potentes exigem coolers maiores, o que aumenta o peso. Esse problema já foi documentado em gerações anteriores: a Gigabyte enfrentou rachamentos em massa em placas RTX 4090 e chegou a revisar o projeto do PCB, aumentando a área de superfície próxima à trava do slot.

Um técnico especializado relatou, em 2023, ter recebido 19 RTX 4090 rachadas, todas no mesmo ponto. A ASUS, até agora, não reconheceu publicamente nenhum defeito de projeto relacionado ao peso das placas ASTRAL.

Padrão ASUS: negar primeiro, descontar depois

Esse não é um caso isolado. A ASUS já foi alvo de críticas públicas por sua postura agressiva em RMAs de placas-mãe e do ROG Ally, onde pequenas marcas de uso ou danos menores resultavam em rejeição automática e cobrança de reparos. Após pressão da mídia e da comunidade a empresa prometeu revisar seus processos;

Na prática, muitos clientes relatam que o primeiro “não” é automático, e só depois de escalar para supervisores ou times executivos é que surge alguma concessão. No caso da RTX 5090, a supervisora de atendimento Peggy Lee ofereceu o desconto de 50%, mas manteve a posição de que o dano foi causado pelo usuário.

A situação da ASUS tem paralelo direto com outro caso recente que noticiamos aqui no site: a Zotac negou garantia de uma RTX 5070 Ti com apenas três meses de uso, alegando “danos irreversíveis” no PCB. A placa funcionava perfeitamente, o problema era só um ruído no ventilador, possivelmente rolamento ou interferência no shroud. O cliente pagou US$ 40 de frete, teve a RMA aprovada, mas na hora H recebeu a negativa.

A justificativa? “Ferramentas limitadas” e arranhões superficiais no PCB que, segundo a Zotac, inviabilizavam qualquer reparo. A empresa ofereceu devolver a placa ou descartá-la. Nada de conserto!.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 07/12/2025 11:21

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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