Essa é a nova câmera IMAX que Christopher Nolan usou para filmar A Odisseia — e ela resolve um grande problema

Christopher Nolan conseguiu o que perseguia há anos: filmar um longa inteiro apenas com câmeras IMAX 15/70 e, ainda assim, captar diálogos utilizáveis a centímetros do rosto dos atores. Atendendo a uma demanda direta do diretor, a IMAX redesenhou seu sistema de filmagem em película, criou um corpo de câmera 30% mais silencioso e um novo “blimp” de som que abafa ainda mais o motor, combinação pensada justamente para The Odyssey (A Odisseia), primeiro blockbuster rodado 100% com esse formato. O longa será lançado em 16 de julho de 2026.

O ruído que impedia o “grande formato” de ser íntimo

As câmeras IMAX 15/70 sempre foram monstros mecânicos: enormes, pesadas e barulhentas a ponto de praticamente inviabilizar diálogo em som direto. Até agora, diretores, incluindo Nolan, reservavam IMAX em película para cenas de ação, paisagens e set pieces, migrando para câmeras menores em momentos de conversa ou recorrendo pesado a ADR na pós-produção.

Nos últimos anos, esse limite técnico se misturou à assinatura de som de Nolan, marcada por diálogos “afogados” em ruídos e trilhas, o que gerou reclamações de público, críticas e longas discussões em fóruns e redes sociais. Ao atacar a raiz física do problema, o barulho do equipamento, o novo sistema IMAX tenta, na prática, reequilibrar essa equação antes mesmo da mixagem final.

O que exatamente mudou na nova IMAX 70 mm

A IMAX fala em uma “segunda geração” de câmeras de filme 15/70 mais compactas, com corpo de fibra de carbono, ergonomia melhorada e redução de ruído mecânico em cerca de 30% em relação ao modelo 9802 e similares. O pacote inclui um novo visor LCD, melhorias no sistema de transporte de película e um pipeline atualizado de escaneamento e processamento, pensado para que diretores consigam ver diárias com mais rapidez, sem travar o cronograma.

Em paralelo ao corpo, a empresa desenvolveu um “sound blimp” específico para as câmeras de The Odyssey, uma carcaça de isolamento acústico que envolve toda a câmera, reduzindo ainda mais o ruído audível no set e permitindo gravações de fala sussurrada muito mais próximas da lente. Diferente dos blimps antigos, que podiam chegar a 275 kg e praticamente obrigavam o uso em tripés, a nova solução busca preservar algum grau de mobilidade, o que, segundo o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, permite planos íntimos que “não seriam possíveis antes”.

Como essa engenharia impacta a experiência de quem assiste?

Para o espectador, o ganho mais direto é a promessa de diálogos mais claros em exibições IMAX 70 mm, sem sacrificar a imersão visual que tornou Oppenheimer um fenômeno nas salas de grande formato. Se o barulho físico da câmera deixa de poluir o microfone, o time de som passa a trabalhar com performances verdadeiras em vez de reconstruções em estúdio, o que tende a aumentar a naturalidade das interpretações e reduzir aquela sensação de “voz colada” na mix.

Há um efeito colateral estratégico: ao liberar IMAX 15/70 para cenas de diálogo, Nolan transforma o formato em algo que sustenta o filme inteiro, e não só alguns trechos. Isso reforça o caráter “evento” das raras sessões em película 70 mm, justifica ingressos mais caros e dá munição para redes de cinema investirem em projeção física num mercado dominado por cópias digitais.

Ver Mais

Esta postagem foi modificada pela última vez em 06/12/2025 21:52

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
Postagem relacionada