Lojas nos EUA começam a exigir que compradores assinem compromisso de não revender GPUs nem enviá-las para fora do país

Comprar uma NVIDIA RTX 5090 nos Estados Unidos virou um processo que envolve assinar documentos, apresentar identidade e prometer, por escrito, que a placa vai ficar dentro do país. A situação foi relatada pelo usuário Krothic no Reddit, após adquirir um PC pré-montado Powerspec Ai90 na loja Micro Center em Tustin, Califórnia. Segundo o post, o gerente exigiu o preenchimento de um formulário e a digitalização da carteira de motorista antes de fechar a venda, uma prática que, de acordo com o próprio relato, havia começado apenas dois dias antes.

O que o formulário exige

O documento é uma página inteira e funciona como uma declaração formal de uso. O comprador precisa garantir que a placa será utilizada para fins pessoais ou comerciais, que não será revendida e nem mesmo doada. A restrição territorial é explícita: o hardware deve permanecer dentro dos Estados Unidos. Para fechar o compromisso, o formulário exige endereço residencial, documento de identificação emitido por órgão governamental e a finalidade pretendida do uso. O que acontece em caso de descumprimento ainda não está claro, mas o vínculo da compra a um documento oficial torna o rastreamento consideravelmente mais simples, caso a placa apareça em outro lugar.

Nos comentários do post, outros usuários relataram experiências parecidas em diferentes lojas, incluindo um caso em que o comprador precisou provar ao gerente que era, de fato, um gamer, com evidências fotográficas. O nível de escrutínio chama atenção por não ser algo comum, mas o contexto ajuda a jogar uma luz no motivo dos varejistas estarem adotando esse tipo de medida.

O contexto: exportação, China e a corrida por silício

A raiz do problema está na política de controle de exportações do governo Trump, que proibiu a venda de GPUs de consumo para países como a China. Com a demanda por processamento de AI explodindo na Ásia, o mercado paralelo de placas de alto desempenho se tornou lucrativo o suficiente para justificar esse tipo de ação: comprar nos EUA e revender internacionalmente, burlando as restrições. A RTX 5090, com seu poder de computação e memória, é exatamente o tipo de hardware que interessa a quem monta infraestrutura de inferência fora dos canais oficiais.

A corrida dos data centers por capacidade de processamento também pressionou os preços para cima em toda a cadeia, tornando a especulação com GPUs de consumo ainda mais atrativa. O varejo físico como o Micro Center acabou se tornando um ponto de pressão nesse ecossistema, obrigado a criar barreiras que, em tese, são responsabilidade de agências regulatórias e não de gerentes de loja.

Uma medida fraca para um problema estrutural

A eficácia prática de um formulário de “lealdade” é discutível. Quem realmente pretende revender o hardware para mercados restritos provavelmente não se sentirá intimidado por assinar um papel, especialmente se o potencial de lucro for alto o suficiente. O que o Micro Center parece estar fazendo é criar uma camada de responsabilidade jurídica e de rastreabilidade, um desincentivo que eleva o risco da transação ilegal sem necessariamente bloqueá-la. Outros varejistas devem adotar medidas similares nos próximos meses, à medida que as pressões regulatórias continuam.

Em 2026, o mercado de GPUs de alto desempenho virou território de geopolítica aplicada. O entusiasta que quer montar uma máquina com uma RTX 5090 agora precisa lidar não apenas com preços inflacionados pela disputa entre data centers e consumidores, mas também com burocracia motivadas por política externa. 

Restrições dividem opiniões e levantam dúvidas sobre a eficácia

Nas respostas da postagem no Reddit, a recepção sobre as novas exigências da Micro Center para a venda da GeForce RTX 5090 foram divididas. Enquanto alguns consumidores apoiam as restrições por acreditarem que elas podem melhorar os estoques e reduzir a especulação de preços, outros criticam a coleta de dados pessoais e questionam a eficácia da medida, argumentando que intermediários ainda podem comprar as placas e revendê-las dentro dos Estados Unidos antes de enviá-las ao exterior.

Também houve reclamações de clientes que foram impedidos de comprar uma segunda RTX 5090, mesmo após semanas da aquisição anterior. Os usuários também questionaram a validade jurídica do formulário, ressaltando que as restrições legais de exportação são distintas das exigências comerciais estabelecidas pela própria varejista.

 

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 04/10/2026 16:34

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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