Com o sucesso estrondoso do Steam Deck e do SteamOS da Valve, o Linux deixou de ser apenas um sistema operacional de nicho para servidores e desenvolvedores e consolidou-se como uma plataforma de gaming de peso. E a NVIDIA, que atualmente domina mais de 90% do mercado de GPUs dedicadas de PC, decidiu que não vai ficar para trás nessa revolução do código aberto.
Embora o foco financeiro da gigante verde esteja massivamente voltado para a Inteligência Artificial no mercado corporativo, vagas de emprego recentes publicadas pela empresa indicam um esforço real para melhorar a vida dos jogadores que utilizam as placas GeForce nas distribuições Linux.
Foco total no Proton e na API Vulkan
As vagas recém-abertas pela NVIDIA buscam engenheiros de software seniores especializados no ecossistema Linux. A descrição de uma das posições menciona explicitamente o trabalho de “diagnóstico de gargalos de CPU e GPU em jogos que rodam via Vulkan e Proton“.
Para quem não está familiarizado, o Proton é a camada de compatibilidade “mágica” desenvolvida pela Valve que permite rodar jogos nativos de Windows (DirectX) diretamente no Linux, traduzindo as chamadas gráficas para a API Vulkan em tempo real. O objetivo da NVIDIA é claro: os engenheiros terão a missão de identificar por que alguns jogos perdem desempenho nessa tradução e implementar correções diretas nos drivers da empresa para extrair o máximo de quadros por segundo (FPS).
A pista para o futuro: Tradução x86 para ARM64
A segunda vaga listada revela um detalhe ainda mais intrigante para os entusiastas de arquitetura de hardware. Além de otimizar o Vulkan e o OpenGL, a NVIDIA procura especialistas em tradução binária de jogos x86-64 para plataformas Linux/ARM64.
Isso é um sinal verde cintilante sobre as ambições secretas da empresa. Atualmente, os jogos de PC são desenvolvidos quase na totalidade para a arquitetura x86 (dominada por Intel e AMD). O esforço em traduzir nativamente esses jogos para rodar em chips ARM indica que a NVIDIA está ativamente preparando a fundação de software para os seus próprios processadores ARM voltados ao consumidor final.
Fortes rumores na indústria já apontavam que a empresa estaria desenvolvendo SoCs (System on a Chip) ARM para o mercado de “AI PCs” ou até mesmo para um futuro console portátil próprio. Garantir que a biblioteca gigantesca de jogos clássicos de PC consiga rodar com alto desempenho nestes futuros chips ARM através do Linux é uma jogada de mestre para não depender exclusivamente do Windows no futuro.
Ainda não há uma previsão exata de quando os usuários de Linux sentirão os efeitos diretos dessas contratações nas atualizações de drivers da GeForce, mas o movimento prova que ignorar a força do “pinguim” já não é uma opção viável.
