Em uma audiência tensa no Senado dos Estados Unidos, Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, defendeu a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) com um argumento ousado: a fusão vai baratear a conta do consumidor.
Disputando a compra com a Paramount Skydance (que fez uma oferta hostil de US$ 108 bilhões), a Netflix tenta convencer os reguladores de que a união com a dona da HBO, Harry Potter e DC Comics não criará um monopólio prejudicial.
A Promessa: “Super Streaming” Mais Barato?
Sarandos argumentou que a aquisição trará “mais valor” aos usuários. Segundo ele, ao unificar os catálogos (imaginem Stranger Things e Game of Thrones no mesmo app), a empresa poderá oferecer pacotes com preços mais agressivos do que a assinatura separada dos dois serviços hoje. “Com a WBD, criaremos mais valor. Vamos dar aos consumidores mais conteúdo por menos”, afirmou o executivo aos senadores.
Ele também revelou um dado interessante: cerca de 80% dos assinantes da HBO Max nos EUA já assinam a Netflix. Para Sarandos, isso prova que os serviços são complementares, e uni-los simplificaria a vida do usuário.
A “Saída em um clique”
Questionado sobre o risco de aumentar preços abusivamente após eliminar a concorrência, Sarandos usou a facilidade de cancelamento como defesa. “Nosso sistema de cancelamento é feito com um clique. Se o consumidor disser ‘Isso é muito caro para o que estou recebendo’, ele pode cancelar imediatamente”, disse. Ou seja, a “trava” para o aumento de preços seria a própria liberdade do usuário de ir embora.
O acordo proposto pela Netflix (avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões) envolve a compra dos estúdios de cinema e TV da Warner e da HBO Max. As redes de TV linear (como Discovery e CNN) seriam separadas em uma nova empresa. Enquanto o conselho da Warner recomenda a oferta da Netflix, a Paramount e grupos antitruste pressionam contra, alegando que a fusão daria poder demais ao “N” vermelho sobre Hollywood e os cinemas.
