MP de São Paulo processa startup ligada a Sam Altman e AWS e pede R$ 240 milhões por escaneamento de íris ← minha favorita

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu à Justiça a condenação da Tools for Humanity, empresa responsável pelo projeto World ID, e da Amazon AWS Serviços Brasil ao pagamento de pelo menos R$ 240 milhões por danos morais coletivos. A ação civil pública sustenta que a coleta de dados biométricos da íris ocorreu de forma abusiva, com foco em pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e mediante oferta de recompensas financeiras.

Segundo a Promotoria, mais de 400 mil moradores da capital paulista tiveram a íris escaneada em troca de benefícios que variavam entre R$ 300 e R$ 700. A investigação aponta que os pontos de atendimento foram instalados principalmente em regiões periféricas e próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo, estratégia que, na avaliação do MP, ampliou o alcance sobre públicos mais vulneráveis.

Além da indenização, o Ministério Público pede que a Justiça:

  • declare abusiva a prática de coleta de íris mediante compensação financeira;
  • proíba definitivamente esse modelo de operação;
  • determine a exclusão irreversível dos dados biométricos já coletados;
  • preserve registros e metadados para perícia judicial;
  • obrigue a apresentação de contratos e documentos técnicos sobre o armazenamento das informações.

Um dos pontos centrais da ação é a alegação de que a empresa teria continuado oferecendo incentivos mesmo após a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão de pagamentos pela coleta de dados biométricos. De acordo com o MP, os benefícios teriam passado a ser concedidos por meio do aplicativo World App, o que, segundo a Promotoria, manteria o incentivo econômico proibido pela autoridade reguladora.

A ação também questiona a transparência da iniciativa. O Ministério Público afirma que os participantes não receberam informações suficientes sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos associados ao tratamento de dados biométricos, a transferência internacional dessas informações e seu eventual armazenamento em infraestrutura da Amazon Web Services (AWS). Na avaliação da Promotoria, isso pode caracterizar publicidade enganosa e consentimento comprometido.

A participação da AWS no processo decorre justamente da suposta hospedagem e armazenamento dos dados coletados. O MP solicita que seja identificada a empresa do grupo Amazon responsável por essa infraestrutura e que sejam preservados os registros relacionados ao tratamento dessas informações. A AWS declarou que possui termos de uso que exigem conformidade com a legislação e que investiga denúncias de violações quando elas são recebidas.

A ação judicial tem origem nas conclusões da chamada CPI da Íris, instaurada pela Câmara Municipal de São Paulo. O relatório final recomendou investigações sobre a atuação da Tools for Humanity e apontou riscos jurídicos, sociais e tecnológicos relacionados ao modelo de coleta de dados biométricos adotado pela empresa.

Fundada por Sam Altman, CEO da OpenAI, ao lado de Alex Blania, a Tools for Humanity desenvolve o projeto World ID, cujo objetivo é criar um sistema global de verificação de identidade baseado em biometria da íris para distinguir pessoas de sistemas automatizados. A empresa já vinha sendo alvo de fiscalização da ANPD desde 2024, e a autoridade manteve, em fevereiro de 2025, a suspensão da oferta de compensações financeiras pela coleta de íris no Brasil.

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 22/07/2026 14:06

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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