A Micron Technology escreveu um capítulo incomum na história dos semicondutores nesta semana: a fabricante especializada em memória RAM e armazenamento Flash alcançou um valor de mercado de US$ 1,398 trilhão, superando a Meta e, por um breve intervalo, a Tesla no ranking das empresas mais valiosas do mundo.
O combustível desse salto foi uma valorização de 18,4% nas ações da companhia, negociadas a US$ 1.225 na Nasdaq no momento da publicação. O movimento não é uma anomalia de mercado: é o reflexo direto de um ciclo de demanda por memória que a própria Micron projeta se estender, pelo menos, até 2028.
De US$ 1 trilhão a US$ 1,4 trilhão em 30 dias
O dado que talvez impressione mais do que o pico em si é a velocidade com que ele foi atingido. Apenas um mês antes, a Micron havia ultrapassado pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Subir US$ 400 bilhões em quatro semanas coloca em perspectiva o que está acontecendo com os segmentos de DRAM e NAND: não se trata de uma especulação pontual, mas de uma reavaliação estrutural do papel que memória e armazenamento desempenham na infraestrutura de inteligência artificial. Data centers em expansão acelerada precisam de volumes crescentes de memória de alta largura de banda, e a Micron é uma das poucas empresas no planeta com escala para atender essa demanda.
No fechamento do pregão após a publicação da notícia, o valor de mercado da Micron havia recuado para US$ 1,37 trilhão, com a Meta recuperando terreno em US$ 1,393 trilhão e a Tesla retomando a liderança com US$ 1,4 trilhão. O topo foi momentâneo, mas o número consolida a Micron como uma das empresas mais valiosas do setor de tecnologia, num patamar que, até muito recentemente, parecia reservado para fabricantes de software, plataformas de consumo ou montadoras de veículos elétricos.
O custo da escassez paga quem compra e quem investe
A lógica por trás da valorização é simples e incômoda: quando a demanda cresce mais rápido do que a capacidade produtiva, os preços sobem. O mercado de chips de memória opera em ciclos clássicos de boom e bust, mas o diferencial deste ciclo é que ele tem um motor estrutural, não especulativo.
O crescimento dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs), a proliferação de GPUs em data centers e a expansão contínua de infraestrutura de nuvem criam uma pressão de demanda que não vai se dissipar no próximo trimestre. A própria Micron, no início de 2026, sinalizou que as condições de escassez devem persistir pelo menos até 2028, uma projeção que o mercado claramente absorveu com otimismo nas ações e com preocupação nas planilhas de custo dos compradores.
Fonte: Reuters
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Esta postagem foi modificada pela última vez em 26/06/2026 11:38