O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, fez críticas duras a gestores que ainda tentam frear o uso de inteligência artificial dentro da empresa. Em reunião geral realizada após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o executivo afirmou que é “loucura” reduzir o uso de IA em tarefas que já podem ser automatizadas.
CEO mira gerentes que pedem “menos IA”
Durante o encontro, Huang disse ter sido informado de que alguns líderes internos estariam orientando equipes a usar menos ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. Segundo o executivo, a ordem deveria ser justamente a oposta: tudo o que puder ser automatizado por IA deve ser automatizado.
Huang reforçou que quer ver a tecnologia aplicada a todas as atividades repetitivas ou estruturadas, e garantiu aos funcionários que ainda “sobrará trabalho” mesmo com esse nível de automação. Para ele, a discussão não é mais se a IA deve ser usada, mas em que velocidade ela será integrada ao fluxo de trabalho.
Estudos questionam ganho de produtividade imediato
Apesar do entusiasmo dos executivos, pesquisas recentes mostram que o impacto da IA na produtividade de desenvolvedores ainda é controverso. Em um estudo conduzido por uma organização de pesquisa independente, programadores que utilizaram assistentes de código baseados em IA aceitaram menos da metade das sugestões geradas.
No fim, o grupo que contou com o apoio da IA levou mais tempo para concluir as tarefas do que aqueles que programaram sem qualquer assistente, com um aumento médio de 19% no tempo gasto. Os resultados indicam que nem sempre a adoção imediata de ferramentas de IA se traduz em ganho de velocidade, especialmente quando há curva de aprendizado e necessidade de revisão constante do código sugerido.
Google e Microsoft já geram parte do código com IA
Enquanto o debate sobre produtividade continua, grandes empresas de tecnologia avançam rapidamente na adoção de IA na engenharia de software. O CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou que cerca de 25% do código produzido na companhia já é gerado com apoio de sistemas de inteligência artificial.
Na Microsoft, o cenário é semelhante. O presidente-executivo Satya Nadella declarou que mais de um quarto do código da empresa hoje é escrito com auxílio de ferramentas de IA, como assistentes integrados aos ambientes de desenvolvimento. Esses números sinalizam uma mudança estrutural na forma como o software é criado em larga escala.
Automação acelera em meio a cortes no setor de tecnologia
O avanço da IA ocorre em paralelo a uma forte onda de demissões na indústria de tecnologia. A estimativa é de que dezenas de milhares de profissionais sejam desligados ao longo do ano em empresas do setor, com cortes expressivos em times de engenharia.
Amazon e outras grandes companhias reduziram o quadro de desenvolvedores ao mesmo tempo em que seus executivos destacam, em apresentações públicas, o caráter “transformador” da inteligência artificial e a necessidade de acelerar a inovação. Para muitos profissionais, essa combinação de automação crescente e enxugamento de equipes reforça a percepção de que dominar ferramentas de IA deixou de ser diferencial e passou a ser requisito de sobrevivência na carreira.
