O computador que ajudou a salvar a Apple nos anos 90 virou uma espécie de cavalo de Troia da nostalgia: por fora, ele é o mesmo iMac G3 colorido que encheu vitrines em 1998; por dentro, um Mac mini M4 com desempenho de topo.
O responsável por essa combinação improvável é o YouTuber canadense Zac Builds, que decidiu transformar um iMac G3 original num PC moderno sem destruir o design que o tornou um ícone — aquela carcaça translúcida que parecia um doce tecnológico.
Uma restauração mais cirúrgica do que parece
Zac começou desmontando o iMac até o osso. Quase tudo lá dentro estava condenado: os alto-falantes apodrecidos, o tubo CRT quebradiço e partes da moldura prestes a virar pó. Sobrou basicamente o esqueleto branco translúcido — e foi a partir dele que o novo iMac G3 começou a tomar forma.
Para manter a estrutura firme, o criador recorreu à impressora 3D, fabricando reforços e suportes sob medida. A carcaça original, embora charmosa, dependia de componentes internos para não desabar. Boa parte do desafio foi justamente devolver rigidez sem trair o visual retrô.
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Energia vintage, cérebro moderno
Em vez de substituir tudo, Zac achou um jeito engenhoso de reutilizar a fonte de energia original. Após dessoldar cuidadosamente a peça da placa-mãe antiga, ele a transformou em uma espécie de régua interna que alimenta o Mac mini M4 e os demais módulos.
O Mac mini não foi desmontado: está inteiro lá dentro, o que facilita manutenções futuras e preserva a sensação de um computador modular. De quebra, ele adicionou uma dock para SSD externa — uma forma de driblar os preços extraterrestres cobrados pela Apple por armazenamento extra.
Som retrabalhado e portas reinventadas
Como o sistema de áudio original estava perdido, Zac criou novos alto-falantes em caixas impressas em 3D, ligados a um amplificador digital de 200 W. O melhor detalhe? O controle de volume e graves ficou escondido no antigo compartimento de RAM do G3 — uma escolha que mantém a estética limpa e nostálgica.
Outro desafio foi dar acesso às portas modernas sem mutilar o gabinete. A solução veio, mais uma vez, da impressora 3D: ele moldou extensões personalizadas para Thunderbolt, USB-C, USB-A e Ethernet. A única ausência é a saída P2 de fone, que ficou dedicada ao sistema de som interno.
Um retrô que roda apps de 2025
Por fim, Zac substituiu o antigo CRT por um monitor 4K de 14 polegadas, encaixado com precisão graças a uma peça feita sob medida. O resultado lembra um produto oficial da Apple, mas com a potência de um desktop atual escondida atrás de uma carcaça do século passado.
Na traseira, dá para ver o Mac mini discreto alimentando o conjunto e um emaranhado de cabos que entrega a improvisação artesanal do projeto. Pequeno preço a pagar por um mod que equilibra nostalgia e utilidade real, capaz de rodar Final Cut, Safari ou Logic Pro como qualquer Mac moderno.
