IE10 na interface Metro, para tablets, não rodará plugins

A grande mudança na usabilidade do Windows 8 é a interface para tablets, e justamente ela tende a ser a mais polêmica. O que já havia sido anunciado na conferência BUILD foi reforçado com um post no blog do Windows 8: o IE com estilo Metro não suportará plugins. Todos os sites deverão usar HTML 5 para desenhar seus elementos na tela, o que inclui aí também o suporte a vídeos.

Sem Flash e provavelmente sem Silverlight, os tablets com Windows 8 atacam o negócio da Adobe, algo que a Apple fez há alguns anos – e que se manteve firme na decisão até hoje.

O iOS abriu espaço para o início do fim do Flash na web, o que é muito claro: muitos sites precisaram ser adaptados para funcionar no iPhone, iPod touch e iPad. A popularidade desses produtos e a grande dominação do iPad no segmento dos tablets fez com que muitos passassem a usar o HTML 5 para vídeo, por mais que utilizem um codec proprietário no formato do arquivo. É claro que o Flash ainda está longe de morrer completamente, mas pelo menos na área mobile ele não tem muita vez. Mesmo no Android, onde o Flash tem as portas abertas, o suporte é precário na maioria dos dispositivos, sendo sinônimo de lentidão e de esgotar rapidamente a bateria. Olhando por cima, parece que a maioria das pessoas que usam smartphones e tablets hoje em dia não sentem falta alguma do Flash, exceto em alguns casos específicos.

O Windows 8 virá com o IE 10, que atualmente está no terceiro Platform Preview. O motor será um só, mas ele terá duas interfaces: uma “normal” para uso em desktops, com suporte a plugins e tudo mais, e a Metro, que rodará em tela cheia com menos controles, usando botões grandes para telas de toque.

IE10 com a interface Metro

Na prática, se a decisão da MS continuar a mesma, os usuários poderão usufruir de uma experiência híbrida. Se o site precisar de Flash ou Silverlight, bastará alternar para o IE no modo desktop, menos amigável a telas de toque mas ainda assim funcional.

É interessante ver que muitos sites já suportam o Safari no iOS mas continuam não funcionando nos outros navegadores sem plugins. Para corrigir isso temporariamente a Microsoft mantém uma lista de compatibilidade em que simula outro user-agent, entregando referências como se o IE10 fosse o navegador do iPad. Esta não é uma solução efetiva, mas servirá durante a transição.

O que chega a ser curioso é o Silverlight: rolam discussões sobre sua permanência ou não no IE com a interface Metro. Se ele ficar, todos irão querer o Flash também. Se ele sair para honrar a decisão pelo HTML 5, a Microsoft estaria quebrando uma de suas próprias pernas, afinal o Silverlight é dela e vários sites dependem dele – como a Netflix, entre alguns outros. Os desenvolvedores que investiram pesado nessa tecnologia proprietária (especialmente tempo, o que no final também se traduz por dinheiro) poderão ficar desapontados.

Além de oferecer uma experiênia mais unificada, sem depender de fabricantes externos, o IE10 sem plugins poderá oferecer melhor desempenho e consumo de energia mais baixo – bem mais baixo do que se ficasse rodando Flash o tempo todo.

Por mais críticas que possa estar recebendo, a Microsoft está se mexendo para entregar um produto que ela nunca teve antes: o Windows para tablets com telas capacitivas. Ele também suporta canetas especiais, mas num tablet é de se imaginar que a maior parte da interação será com os dedos. Existem tablets com Windows 7 e notebooks conversíveis há muito tempo, mas nunca fizeram sucesso – usar aquilo por muito tempo é algo horrível, muito diferente de usar o iOS ou Android.

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