IA treinada com química avançada identificou sinais biológicos em rochas ancestrais da África do Sul, empurrando o registro químico da vida na Terra para 3,3 bilhões de anos atrás. O estudo, publicado no PNAS pela Carnegie Institution for Science, dobrou o período analisável e flagrou fotossíntese oxigênica 800 milhões de anos antes do esperado
Como a IA leu os ‘ecos químicos’
Pesquisadores como Robert Hazen e Anirudh Prabhu analisaram 406 amostras: plantas modernas, fósseis, meteoritos e sedimentos antigos. Usando espectrometria para quebrar materiais em fragmentos moleculares, treinaram um modelo de “random forest” – que constrói árvores de decisão para classificar padrões.
A ferramenta acertou 90-98% ao separar biológico de abiótico, detectando vida em formações como o Josefsdal Chert (3,3 bi) e Gamohaan (2,52 bi, com fotossíntese). “É como mostrar peças de quebra-cabeça ao computador e perguntar se veio de flor ou meteorito”, explica Hazen.
Sinais enfraquecem com o tempo: amostras recentes marcam forte, mas acima de 2,5 bi de anos, só 47% retêm traços claros. Isso explica por que fósseis visuais param em 3,5 bi, mas moléculas sumiam antes.
Implicações para a Terra e o espaço
Fotossíntese em 2,5 bi de anos acelera o entendimento da oxigenação atmosférica, base para vida complexa. Katie Maloney, da MSU, forneceu fósseis de algas de 1 bi de anos: “Revela pistas invisíveis antes”.
Na astrobiologia, o método mira Marte ou Europa: rochas degradadas ali podem ter “fantasmas químicos” legíveis por IA. Críticas? Estudos passados debatem falsos positivos em rochas como Apex Chert (3,5 bi), mas aqui o escore probabilístico (acima de 60%) reduz riscos.
Hazen admite: precisa mais amostras animais e abióticas para refinar. Ainda assim, abre era de detecção precisa sem fósseis intactos.