A velocidade estampada na embalagem de uma memória RAM nem sempre é aquela que o computador entrega assim que o módulo é instalado. Essa diferença virou o centro de uma ação coletiva contra a G.Skill nos Estados Unidos e agora começou a resultar em pagamentos aos consumidores. A fabricante fechou um acordo de US$ 2,4 milhões para encerrar o processo, que questionava a forma como determinadas memórias DDR4 e DDR5 tiveram suas velocidades anunciadas. Os primeiros pagamentos a consumidores com pedidos aprovados começaram a ser distribuídos em 18 de agosto.
Processo questionou velocidades anunciadas pela G.Skill
A ação, Hurd et al. v. G.Skill International, alegava que consumidores poderiam interpretar as velocidades informadas nos produtos como desempenho disponível “de fábrica”, sem precisar fazer ajustes no computador.
O acordo abrange memórias G.Skill DDR4 para desktops com velocidade nominal superior a 2133 MHz e DDR5 acima de 4800 MHz, adquiridas nos Estados Unidos entre 31 de janeiro de 2018 e 7 de janeiro de 2026. Módulos para notebooks não fazem parte da classe. Na prática, kits de memória de alto desempenho frequentemente dependem de configurações na BIOS e de perfis de overclock para alcançar as taxas anunciadas. A velocidade efetivamente atingida também pode depender do processador, do controlador de memória e da placa-mãe.
Os autores do processo argumentaram que essa condição não era apresentada de maneira suficientemente clara aos compradores. A G.Skill nega ter cometido qualquer irregularidade e sustenta que seus produtos foram corretamente anunciados e entregaram o desempenho prometido. O acordo não representa admissão de culpa, e o tribunal não decidiu qual lado estava correto.
Embalagens terão que deixar o overclock mais claro
O efeito do processo vai além das indenizações. Como parte do acordo, a G.Skill se comprometeu a realizar mudanças nas embalagens, páginas dos produtos e especificações fornecidas aos revendedores. As velocidades deverão ser apresentadas como valores de “até” determinada taxa, acompanhadas de um aviso de que podem exigir overclock ou ajustes na BIOS. A informação também deverá esclarecer que a velocidade máxima depende de outros componentes, incluindo CPU e placa-mãe.
Isso ataca justamente o ponto que originou a disputa: um kit vendido, por exemplo, com uma determinada velocidade pode iniciar o computador operando abaixo dela até que o perfil adequado seja habilitado.
Compradores já começaram a receber o dinheiro
O prazo para apresentar pedidos de indenização terminou em 7 de abril de 2026, portanto novos consumidores já não podem solicitar participação no acordo. Os pagamentos para pedidos aprovados começaram a chegar em 18 de agosto.
Os valores individuais dependem das reivindicações aprovadas e dos produtos elegíveis. Relatos publicados após o início da distribuição mostram pagamentos como US$ 19,68 e US$ 24,60.
Mais do que o valor recebido por cada comprador, porém, o acordo deixa uma consequência importante para o mercado de memórias de alto desempenho: a velocidade destacada na embalagem terá de vir acompanhada de uma explicação mais explícita sobre o que é necessário para realmente alcançá-la.
Consumidores brasileiros têm direito à indenização?
Não. O acordo é restrito a consumidores dos Estados Unidos. Para fazer parte da ação coletiva, a pessoa precisava ter comprado uma das memórias elegíveis enquanto residia nos EUA, entre 31 de janeiro de 2018 e 7 de janeiro de 2026. Portanto, quem comprou uma memória G.Skill no Brasil não tem direito aos pagamentos previstos nesse processo.
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