Google descobre importante falha na criptografia do SSL 3.0

falha ssl

Mais um dia, mais uma falha de segurança encontrada. Apenas nos últimos dois dias, já publicamos sobre três importantes falhas de segurança em conhecidos programas de computador. O Dropbox foi vítima de um erro em que documentos dos usuários foram apagados e, como se não bastasse, hackers alegam ter conseguido mais de 7 milhões de senhas de usuários deste serviço de armazenamento em nuvem. Ainda ontem a Reuters veiculou que um grupo hacker originário da Rússia conseguiu acesso remoto a computadores da OTAN, União Européia e diversas empresas ucranianas através de uma falha no Windows. Pois bem, vamos à falha de segurança de hoje.

A Google publicou em seu blog de segurança que descobriu uma vulnerabilidade na criptografia do protocolo SSL 3.0, uma versão bem antiga, diga-se de passagem. O SSL é um protocolo que tem por função proteger tudo o que fazemos na internet. A falha, batizada de POODLE (Padding Oracle On Downgraded Legacy Encryption), não é tão grave e nem tão ampla quanto o Heartbleed, que dominou as notícias dos sites de tecnologia em abril desse ano, mas é grave o suficiente para causar preocupação em sysadmins e exigir maiores cuidados com a segurança dos servidores.

Do Online Security Blog:

Hoje estamos publicando detalhes sobre uma vulnerabilidade no design do SSL versão 3.0. Ela permite que o plaintext [texto claro/aberto] de conexões seguras seja calculado por um hacker de rede.

Conforme explicado por Bodo Möller, o especialista de segurança da Gigante das Buscas que descobriu a falha, a POODLE faz uso de características de compatibilidade de algumas implementações do TLS (Transport Layer Security), um protocolo mais atual e seguro e que tem compatibilidade com o SSL 3.0, uma versão bem antiga mas que ainda é bastante usada em diversos servidores pelo mundo. Segundo a Microsoft, no final de 2013, 40% das conexões web ainda usavam a criptografia SSL 3.0. Por ser uma versão muito antiga, ela está bem suscetível à falhas. Desta forma, os servidores que estão protegidos pelo TLS são imunes a essa falha, mas aqueles que ainda são compatíveis com o Secure Socket Layer 3.0 estão sujeitos ao erro. Mas qual a merda que ele permite fazer?

Bom, esta falha permite que um invasor use o SSL 3.0 para se conectar a uma máquina e, depois disso, quebrar a criptografia usada na comunicação entre o servidor e o cliente, seja ele uma máquina de usuário doméstico ou um aplicativo para celular que esteja enviando dados fazendo uso deste protocolo. Com isso, o hacker pode interceptar as informações trocadas, quebrar a criptografia e até alterar cookies e outros dados pertencentes à conexão, tornando expostos dados confidencias do usuário ou do aplicativo. Para tanto, porém, o hacker precisa obrigar o serviço a se conectar com o SSL 3.0. A Google já publicou que para combater este erro é preciso desabilitar a compatibilidade com o SSL 3.0 nos servidores.

A companhia também informou que a próxima versão do Chrome não trará mais a compatibilidade com o SSL 3.0 e a Mozilla seguiu o mesmo caminho. O Firefox 34, que será lançado no final de novembro, não terá mais a compatibilidade com o SSL 3.0 ativada por padrão. Caso você ainda precise usá-la, terá de ativá-la manualmente e sabendo dos riscos que seus servidores correm.

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