Google transforma um 2025 cheio de ameaças em um dos melhores anos da sua história

2025 começou com o Google cercado de incertezas: processos bilionários nos EUA, pressão política, rivais avançando na corrida da inteligência artificial e o fantasma de uma divisão forçada de seus principais negócios. Mas, do jeito que as coisas caminham, o ano pode terminar como um dos mais lucrativos e, paradoxalmente, mais estáveis da história da companhia de fundada em 1998.

Do risco de desmonte ao status preservado

Em janeiro, o Google enfrentava três frentes pesadas na Justiça norte-americana. Uma delas poderia levá-lo a vender o Chrome, peça-chave de seu ecossistema e porta de entrada para o buscador. Outra questionava o domínio da gigante na publicidade digital, e a terceira dizia respeito às taxas e práticas da Play Store, após anos de embate com a Epic Games.

O Departamento de Justiça até chegou a classificar o Google como um monopólio. Mas, em uma decisão surpreendente, o tribunal rejeitou a venda do Chrome — considerada “incrivelmente complexa e arriscada”. A sentença, no entanto, impôs algumas restrições: a empresa deve compartilhar dados pontuais com concorrentes e limitar contratos de exclusividade.

Já o processo sobre o negócio publicitário teve desfecho menos favorável. A Justiça deu razão ao governo, que acusa o Google de controlar de ponta a ponta o ecossistema de anúncios. Ainda assim, tudo indica que haverá um acordo antes de medidas drásticas, preservando a estrutura atual enquanto a companhia ajusta suas práticas.

No caso Epic Games, o Google perdeu novamente, mas evitou um prejuízo maior. Aceitou abrir o sistema Android a métodos de pagamento alternativos e permitir lojas paralelas — algo que deve se estender globalmente em 2026. A empresa ainda negocia termos suaves para manter o controle do ecossistema.

A virada com a inteligência artificial

Enquanto se defendia nos tribunais, o Google partiu para o ataque tecnológico. A disputa com OpenAI, Microsoft e Anthropic transformou a IA em prioridade absoluta.

A empresa investiu pesadamente em modelos como o Gemini 3 e no gerador de vídeos Veo 3, que dominaram as redes pelo desempenho e pelas possibilidades criativas. Vale também uma menção honrosa ao NotebookLM, uma das ferramentas mais poderosas do atual portfólio de soluções em IA do Google.

Essas iniciativas ajudaram o Google a reposicionar sua imagem: de empresa “atrasada” em IA em 2023 para um nome mega hypado em 2025. A diferença é que, diferente de startups dependentes de investidores, o Google tem fôlego financeiro para bancar essa corrida e ainda gerar lucros.

Os números comprovam a guinada. Segundo o relatório anual da Cloudflare, o ChatGPT continua líder absoluto da “busca com IA”, com 61,3% de participação em dezembro. Mas o Gemini subiu com força: passou de coadjuvante fora do top 10 no início de 2025 a segundo colocado, com 13,4% do mercado. Em seguida vêm a Perplexity (6,4%) e o Claude, da Anthropic (3,8%), este último crescendo 14% no último trimestre.

Por trás desses números há sinais de maturidade. ChatGPT e Claude têm picos durante a semana, usados em rotinas de trabalho; já Gemini, Perplexity e Grok se destacam nos fins de semana — comportamento mais ligado ao uso pessoal. A própria Cloudflare resume o cenário: o ChatGPT ainda domina, mas deixou de ser o centro exclusivo da conversa. E isso diz muito.

Lucros recordes e o impacto no futuro

No terceiro trimestre, a Alphabet, holding que controla o Google, registrou mais de US$ 100 bilhões em receita e US$ 31 bilhões em lucro líquido. A publicidade segue responsável pela maior parte do faturamento, mas o Google Cloud, com seus US$ 15 bilhões, ganhou fôlego impulsionada justamente pela demanda em IA.

Mais importante: a companhia passou a vender seus chips TPU de sétima geração para outras empresas, incluindo a rival Anthropic —, adicionando uma nova fonte de renda num mercado ainda dominado pela NVIDIA.

O Google entrará em 2026 com a confiança de quem sobreviveu a tempestades regulatórias, manteve seu império intacto e ainda conseguiu mudar a percepção pública em um segmento tão fundamental hoje, a IA.

Talvez o ano tenha começado com medo de perder tudo, mas termina com o saldo altamente positivo!

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 21/12/2025 20:54

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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