A conta da IA chegou: Alphabet, dona do Google, busca bilhões em dívida de longo prazo para pagar novos Data Centers

A corrida pela Inteligência Artificial está custando tão caro que até as empresas mais ricas do mundo estão buscando formas inéditas de financiamento. A Alphabet (controladora do Google) está preparando uma emissão histórica de títulos de 100 anos (century bonds), uma estratégia financeira raríssima no setor de tecnologia, visando captar recursos para sustentar seus projetos de IA.

Isso significa que a empresa está contraindo uma dívida que, teoricamente, só será quitada no século XXII, por volta do ano 2126.

Por que 100 anos?

A emissão desses títulos, focada inicialmente no mercado de libras esterlinas, tem um objetivo claro: diversificar a base de investidores e aproveitar juros mais baixos fora dos EUA. Historicamente, títulos de 100 anos eram usados por governos ou universidades tradicionais (como Oxford). O fato de uma empresa de tecnologia — um setor onde tudo muda em 5 anos — emitir um título secular demonstra duas coisas:

  1. Confiança: O mercado acredita que o Google ainda existirá e será lucrativo daqui a 100 anos.

  2. Necessidade de Capital: A infraestrutura de IA exige investimentos de longo prazo massivos.

O custo da IA: US$ 185 Bilhões

Para entender a necessidade desse dinheiro, basta olhar para o Capex (despesas de capital) da empresa. A Alphabet planeja gastar até US$ 185 bilhões este ano em infraestrutura — o dobro do ano anterior. Esse dinheiro vai quase todo para hardware: construção de novos Data Centers, compra de milhões de GPUs (NVIDIA e chips próprios TPUs) e geração de energia para manter tudo isso ligado.

O mercado está comprando?

A demanda pelos títulos da Alphabet tem sido alta, mas nem todos estão convencidos. Alguns gestores de fundos, como Tony Trzcinka da Impax Asset Management, optaram por ficar de fora, citando preocupações com a “superexposição” das Big Techs e seus gastos desenfreados com IA. Ainda assim, a movimentação segue a tendência de outras gigantes: a Oracle recentemente captou US$ 25 bilhões e a Amazon também aumentou suas linhas de crédito. A mensagem é clara: quem tiver mais dinheiro para comprar hardware agora, dominará o futuro.

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William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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