Nota do Editor: Durante o recesso, estamos republicando matérias que foram destaque ao longo de 2025. Este conteúdo foi originalmente publicado em 28 de agosto de 2025. Nossa cobertura regular retorna na próxima segunda-feira, 05 de janeiro de 2026. Abraço!
A chegada da inteligência artificial ao mercado de trabalho já deixou claro que a automação vai transformar profissões em larga escala. Estimativas recentes, como as da Microsoft, alertam para o risco de dezenas de setores sofrerem cortes significativos conforme algoritmos assumem funções humanas. Nesse cenário, o ex-pesquisador de políticas da OpenAI, Miles Brundage, trouxe uma proposta que reacendeu o debate: uma renda básica universal de 10 mil dólares por mês para compensar a perda de empregos causada pela IA.
O salto de Brundage frente a outros líderes

A ideia de renda básica universal não é nova, mas até hoje havia sido debatida em valores modestos, entre US$ 500 e US$ 1.500 mensais. Brundage rompeu essa barreira ao sugerir, em uma publicação no X, um valor dez vezes maior. Para ele, apenas uma política ousada poderia acompanhar o ritmo acelerado da inteligência artificial e reduzir os efeitos sociais da automação em massa.
“Um experimento de RBU muito mais generoso que os testados até agora (digamos, US$ 10 mil mensais em vez de US$ 1 mil) teria grandes efeitos”, escreveu Brundage.
Debate inevitável para os governos
O ex-pesquisador da OpenAI acredita que a discussão sobre uma renda básica ampla não é mais questão de “se”, mas de “quando”. Para ele, governos inevitavelmente terão de adotar a medida diante da pressão social e econômica. A diferença estará apenas no momento em que o tema será enfrentado e no valor definido.
Brundage argumenta que os atuais debates em torno de US$ 1.000 mensais refletem a viabilidade política do presente, mas que a realidade econômica criada pelo crescimento da IA exigirá cifras muito maiores. “US$ 10 mil por mês serão relevantes para a política pública dentro de alguns anos, com o crescimento impulsionado pela IA”, defendeu.
Entre defensores e críticos
A proposta, naturalmente, divide opiniões. Para seus defensores, o valor elevado traria segurança em um mundo no qual milhões podem perder empregos para algoritmos e robôs. Já os críticos questionam a sustentabilidade fiscal de tal medida e lembram que poucos países teriam capacidade orçamentária para algo desse porte.
Apesar da polêmica, Brundage sustenta que o debate sobre renda básica universal não pode mais ser adiado. Se governos demorarem a agir, afirma, a adoção será apenas mais custosa e conflituosa.