Sete em cada dez buscas no Google não geram cliques para os sites, e o motivo é a IA

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O velho hábito de “buscar no Google e clicar no primeiro link” está ficando no passado.  Hoje, 7 em cada 10 pesquisas terminam sem um único clique em sites externos. Dados globais de 2025 confirmam: 60% das buscas no mundo já são “zero clique”, com o fenômeno batendo 70% em mercados maduros como EUA e Europa.

O motivo? A inteligência artificial, que começou como uma assistente de suporte, assumiu de vez o papel de intermediária entre o usuário e a web.

 

A era do “zero clique”

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A mudança ganhou fôlego com o lançamento dos chamados AI Overviews — os resumos automáticos gerados pela IA do Google que aparecem no topo das buscas. Em vez de exibir apenas links, o buscador agora entrega uma resposta pronta, montada a partir de diferentes fontes.

No Brasil, o impacto já aparece forte: AI Overviews cortam 20,6% do tráfego de portais de notícias, e cliques no topo dos resultados despencam 58%. O usuário lê o resumo pronto e segue em frente.

Na prática, o usuário encontra o que quer ali mesmo e não sente necessidade de abrir o site original. É o fenômeno apelidado de “zero clique”, que já domina a navegação global.

A IA não apenas produz mais conteúdo: ela também filtra, resume e redistribui o que os outros publicam e, nesse processo, os criadores humanos ficam com uma fatia cada vez menor da atenção do público.

Efeito imediato: menos visitas, menos receita

Pouco importa o tamanho do site: todos perdem tráfego quando o Google decide manter o leitor dentro da sua própria página de resultados. No caso dos veículos de comunicação, o impacto é gritante. O relatório da GfK mostra que apenas uma em cada 431 consultas no buscador gera uma visita real a um portal de notícias.

Menos cliques significam menos visualizações de página e, consequentemente, menos receita publicitária. É um efeito em cadeia que ameaça a sustentabilidade de todo o ecossistema midiático online.

Um paradoxo de conveniência e desinformação

Para o usuário, a IA torna tudo mais rápido. Em segundos, ela resume um assunto, explica um conceito e até sugere próximos passos. Mas essa eficiência cobra seu preço: as respostas nem sempre são precisas.

Mesmo com avisos sobre possíveis erros, muita gente aceita as explicações da IA como verdades incontestáveis. Isso reforça a importância de verificar informações diretamente em fontes confiáveis.

O que vem pela frente

O Google se encontra em uma encruzilhada. De um lado, busca inovar e oferecer respostas instantâneas. De outro, depende de um ecossistema saudável de sites e criadores para alimentar exatamente essas respostas.

A questão é se haverá um ponto de equilíbrio — e se os meios digitais conseguirão sobreviver a um cenário onde ser clicado virou exceção.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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