Os chips de memória voltaram a se tornar o gargalo mais quente da indústria de tecnologia. Diante da disparada de preços e falta crônica de DRAM no mercado global, fabricantes de módulos como G.Skill, Corsair e TeamGroup estão postergando o lançamento de suas novas séries de memória para 2026. A escassez é tão severa que algumas lojas no Japão e em Taiwan já limitam a quantidade de pentes de RAM por cliente — uma cena que não se via desde a pandemia.
O que está acontecendo?
O preço médio dos chips de DRAM DDR5 subiu mais de 40% desde julho, segundo estimativas da TrendForce, pressionado por uma combinação explosiva: a retomada da demanda de data centers para IA generativa, a recuperação das vendas de smartphones premium e a decisão das grandes fundições em não expandir a produção no curto prazo.
Entre os fornecedores de chips — Samsung, SK Hynix e Micron controlam mais de 95% do mercado global — há uma postura deliberadamente cautelosa. Após dois anos de prejuízos com o excesso de estoque em 2022 e 2023, as empresas agora preferem manter margens elevadas e estabilizar o mercado, mesmo que isso prolongue a escassez.
Os fabricantes de módulos sentem o baque
Quem mais sofre são os integradores de módulos de memória — empresas que compram chips DRAM prontos para montar kits de RAM e revendê-los ao consumidor final. Fabricantes como Kingston, Patriot e Crucial dependem totalmente desses fornecedores e enfrentam custos que dobraram em relação a 2024.
Fontes do setor indicam que séries premium, como memórias DDR5 de 8000 MHz ou mais, poderão custar o equivalente ao dobro do preço praticado em 2023, empurrando entusiastas de PC e fabricantes de desktops personalizados a adiar lançamentos. Algumas marcas optaram por reembalar seus modelos atuais com pequenas revisões em vez de introduzir novas famílias — uma tática para manter relevância sem comprometer margem.
Efeito dominó: GPUs, smartphones e carros
O impacto é amplo. O custo crescente de DRAM também afeta fabricantes de GPUs e dispositivos móveis. Rumores obtidos pelo portal 3DNews sugerem que a Nvidia reavaliou o cronograma da linha GeForce RTX 50 Super, originalmente prevista para o primeiro trimestre de 2026, para alinhar o fornecimento de memória GDDR7.
Na Ásia, montadoras e fabricantes de eletrônicos de consumo, especialmente na China e na Coreia do Sul, preveem redução nos volumes de produção. A Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) alertou que o déficit de memória pode atingir setores automotivo e de IoT industrial no próximo ano.
O problema pode durar até 2027
Segundo projeções da consultoria Omdia, o déficit deve persistir ao menos até o segundo semestre de 2026. A construção de novas fábricas de memória — fabs — é cara e lenta: cada planta pode custar mais de US$ 10 bilhões e levar 18 meses ou mais para entrar em operação. A Micron, por exemplo, anunciou que sua nova fábrica de DRAM em Nova York só iniciará produção em volume em 2027.
Com a taxa de câmbio do won coreano em alta e a forte demanda por chips HBM (High Bandwidth Memory) usados em aceleradores de IA, a prioridade das gigantes de semicondutores permanece voltada à computação de alto desempenho, não às DRAMs convencionais para PCs e smartphones.
