Um grande fabricante como a Dell vender computadores com Ubuntu é algo positivo para a comunidade de software livre. Mas todo mundo fica de olho em como isso é feito e reclama da falta de modelos com o sistema. A coisa fica um pouco apertada pro lado do pinguim quando o programa mais popular nos desktops é colocado lado a lado, deixando um ar de inferioridade para o SL.
Recentemente houve um blablabla sobre uma página que dizia que o Ubuntu é mais seguro que Windows no site da Dell, que ficou pouco tempo no ar – sendo alterada com outra apresentação. Agora uma outra página dela é alvo dos “ativistas de software livre”, digamos assim.
A divulgação tenta ajudar o visitante a encontrar uma resposta para a pergunta: “Qual devo usar: Windows ou Ubuntu?”. O pessoal não gostou da forma como foi apresentada.
Tudo bem que Linux não é Windows (e vice-versa), mas a mensagem parece ter sido “manipulada pela MS”, ou altamente influenciada por ela, nem que isso seja apenas uma “teoria da conspiração” criada por fãs do Ubuntu e Linux. A mensagem publicitária “Dell recommends Windows 7” até passa, já que faz parte dos materais da Dell há muitos anos (alterando, naturalmente, a versão). Só que a página é muito tendenciosa. Para um leigo que só ouviu falar por aí de Linux ou Ubuntu mas nunca usou, ao ver um grande fabricante afirmar aquilo (imagem acima) vai ficar com más impressões do sistema. Sabe-se que a imagem pública geral já não é tão animadora, e se essa mensagem quer piorá-la, consegue (para os leigos). Afinal de contas os argumentos são fracos, como se Linux oferecesse apenas ferramentas para programação (que assustam novatos).
É certo, em parte, dizer que o MS Office não roda no Linux (o Wine… ah, não é perfeito, acaba não valendo como app nativa), mas porque não citar as vantagens diversas do ambiente? E o OpenOffice, que serve para uns 98% dos usuários do MS Office, ainda trazendo programas que o outro não tem? Engraçado que no outro caso o Ubuntu até se saía melhor.
A Dell não é uma empresa de fundo de quintal mas com isso se comporta quase como uma, preferindo empurrar o mais fácil que dará menos dor de cabeça (só que em vez de Windows pirata como nas empresas de fundo de quintal, ela leva a porcentagem dela). Afinal dá para imaginar um leigo que comprou um notebook com Ubuntu ligando no suporte reclamando que os jogos dele não rodam, que a webcam USB que comprou no centro não funciona, etc.
É, pelo visto o Linux nos desktops vai ficar restrito por muito tempo a um nicho de pessoas que gostam dele e têm interesse em conhecer o sistema, porque se depender de influências maiores não há muito o que esperar. Nesse sentido até que a mensagem no site da Dell não é tão ruim. O Linux vai muito bem, obrigado. Mas não é para todos.
