China tira NVIDIA da lista oficial de chips “confiáveis” de IA

China define lista oficial de chips de IA “confiáveis” com Huawei e Cambricon; Nvidia fica de fora em meio à disputa tecnológica com os EUA.

O governo da China aprovou oficialmente uma lista de aceleradores de inteligência artificial considerados “seguros e confiáveis” para uso em empresas estatais e órgãos públicos. Entre os nomes confirmados estão Huawei e Cambricon — duas fabricantes locais. A NVIDIA, por outro lado, ficou de fora.

A medida faz parte da estratégia de Pequim para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira após as sanções impostas pelos Estados Unidos. O anúncio ocorre pouco depois de Washington ter flexibilizado parcialmente a exportação do chip H200 da Nvidia para o mercado chinês, decisão que não sensibilizou os reguladores do país.

Segundo o Financial Times, o documento passa a orientar oficialmente os desenvolvedores de sistemas de IA na China a priorizarem chips e componentes de origem nacional. Até então, as recomendações para substituir tecnologias americanas eram comunicadas apenas de forma informal.

Incentivos e transição difícil

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O plano chinês de substituição tecnológica vem acompanhado de incentivos. Centros de dados — conhecidos como data centers — que adotarem aceleradores nacionais poderão receber subsídios para construção e descontos em contas de energia.

A migração, no entanto, não deve ser rápida. Fontes do setor financeiro ouvidas pelo jornal britânico afirmam que ainda operam infraestrutura baseada em chips da NVIDIA, e que as novas unidades nacionais permanecem sem uso enquanto o processo de adaptação não avança.

Mesmo assim, autoridades chinesas afirmam que o país deve seguir nesse caminho, reconhecendo que haverá “dores de crescimento” até que as indústrias locais alcancem o mesmo nível de desempenho das concorrentes ocidentais.

Sinal geopolítico

A criação da lista é vista como um passo político tanto quanto industrial. Ao reforçar a preferência por hardware chinês, Pequim envia um recado claro aos Estados Unidos: as restrições de exportação podem desacelerar a curto prazo, mas também estimulam o avanço de fabricantes locais como Huawei e Cambricon.

O gesto consolida o objetivo chinês de construir uma cadeia de fornecimento completa — do chip ao software — sem depender do Vale do Silício.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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