China proíbe empresas de tecnologia de comprar aceleradores de IA da NVIDIA

China proíbe compra de GPUs NVIDIA e investiga empresa por violação antimonopólio, ameaça inclui multa bilionária.

A NVIDIA voltou ao centro das tensões tecnológicas entre China e Estados Unidos. O governo chinês proibiu gigantes como Alibaba, Tencent e Baidu de comprar aceleradores de inteligência artificial da empresa americana, ao mesmo tempo em que investiga a companhia por supostas violações antimonopólio.

China bloqueia GPUs modificadas para IA

RTX PRO 6000D
RTX PRO 6000D

Segundo fontes locais, a ordem já chegou às principais empresas de tecnologia chinesas: estão suspensas novas compras e até pedidos previamente aprovados de chips como o RTX PRO 6000D e o H20. Esses modelos haviam sido lançados como versões “capadas” em resposta às sanções impostas por Washington, que proibiram a exportação de GPUs mais potentes.

A decisão também encerra qualquer possibilidade de lançamento das placas Blackwell Ultra B30A no mercado chinês, deixando a NVIDIA sem alternativas oficiais no país.

Pressão dupla sobre a NVIDIA

O movimento sinaliza que a fabricante está sendo atingida dos dois lados. Do governo americano, enfrenta restrições de exportação que comprometem seus negócios na Ásia. Já da China, sofre agora com a proibição de vendas e com uma investigação antimonopólio que pode resultar em multa de até 10% da receita anual local – o que representaria perdas bilionárias.

Essa investigação remonta a 2024, quando autoridades chinesas alegaram que a NVIDIA descumpriu compromissos assumidos na compra da israelense Mellanox Technologies, finalizada em 2020. Apesar da falta de clareza sobre a acusação, especialistas notam que o timing coincide com negociações comerciais entre Pequim e Washington.

Mercado paralelo ganha força

A proibição não significa o fim dos processadores da NVIDIA na China. Relatos indicam que um mercado paralelo de GPUs se consolidou nos últimos anos, com contrabando em larga escala das cobiçadas GeForce RTX 4090 e 5090. Em território chinês, elas são modificadas em fábricas clandestinas para tarefas de inteligência artificial, incluindo mudanças em refrigeração, placas e memória.

Analistas avaliam que a nova medida pode até impulsionar ainda mais esse comércio, já que a demanda por chips de IA continua em alta e o fornecimento oficial desaparece.

Corrida chinesa por alternativas domésticas

Enquanto isso, Pequim acelera o desenvolvimento de soluções caseiras. Empresas como Huawei e Cambricon já fornecem aceleradores próprios, e a Alibaba revelou o T-Head PPU, com 96 GB de memória HBM2e, posicionado como rival direto do H20.

No plano político, líderes do setor pressionam para que universidades, laboratórios e empresas passem a usar apenas semicondutores nacionais ou ASICs, reduzindo a dependência dos chips americanos.

Cenário global mais turbulento

A ofensiva chinesa contra a NVIDIA não é isolada. O Ministério do Comércio do país também abriu investigação anti-dumping contra fabricantes dos EUA como Texas Instruments e ON Semiconductor. Para especialistas, a estratégia faz parte de um jogo de pressão nas negociações comerciais com Washington.

Para a indústria global de semicondutores, o resultado é claro: maior fragmentação do mercado e incertezas sobre o futuro do acesso a chips de ponta. E, para a NVIDIA, o risco é perder um de seus principais mercados em meio à corrida mundial pela supremacia em inteligência artificial.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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