Brasileiros enviam 215 milhões de mensagens ao ChatGPT por dia, e OpenAI amplia aposta no país

O Brasil deixou de ser apenas um grande mercado consumidor do ChatGPT para ocupar uma posição estratégica nos planos da OpenAI. A empresa formalizou suas operações de negócios no país e revelou que brasileiros já enviam cerca de 215 milhões de mensagens por dia ao chatbot, ante 140 milhões registrados há aproximadamente um ano.

A expansão ajuda a explicar por que a companhia escolheu São Paulo para estabelecer sua primeira operação desse tipo na América fora dos Estados Unidos. O movimento aproxima a criadora do ChatGPT de empresas, desenvolvedores, universidades e do setor público brasileiro.

Uso do ChatGPT no Brasil disparou

O tamanho do mercado brasileiro já era conhecido. Em 2025, dados divulgados pela própria OpenAI colocavam o país entre os três primeiros do mundo em uso semanal do ChatGPT, com cerca de 140 milhões de mensagens diárias. A situação avançou desde então. Segundo números divulgados pela empresa em agosto de 2026, o volume chegou a aproximadamente 215 milhões de mensagens por dia, enquanto o número de usuários dobrou no período.

O português também se tornou o terceiro idioma mais utilizado no ChatGPT. O comportamento brasileiro possui outras particularidades: o país lidera mundialmente o uso do ChatGPT Images e representa o maior mercado da América Latina para o Codex, ferramenta da OpenAI voltada à programação.

A importância dos desenvolvedores é outro componente da estratégia. O Brasil já figurava entre os dois principais mercados mundiais em desenvolvedores ativos utilizando as APIs da OpenAI.

“O Brasil já é um de nossos mercados prioritários. Os brasileiros enviam cerca de 215 milhões de mensagens ao ChatGPT todos os dias, e nossa base de usuários no país quase dobrou no último ano”, Oliver Jay, vice-presidente de estratégia internacional da OpenAI. “Mais do que a escala, vemos uma adoção cada vez mais sofisticada da IA, por pessoas, empresas e desenvolvedores. Nosso próximo passo é ajudar a transformar esse movimento em mais produtividade, inovação e oportunidades econômicas para o país”, completou.

OpenAI quer transformar usuários em negócios

Ter milhões de pessoas usando gratuitamente o ChatGPT, porém, não significa necessariamente gerar receita na mesma proporção. A operação brasileira aproxima a OpenAI justamente de organizações capazes de contratar seus produtos corporativos e integrar seus modelos a serviços próprios.

Entre as iniciativas divulgadas estão parcerias com Nubank, Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e Hospital das Clínicas da USP. A empresa também assinou um memorando de entendimento com a Prodam, companhia de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, para estudar possíveis aplicações do ChatGPT na administração pública.

Isso coloca a expansão brasileira em uma segunda etapa: depois da rápida adoção pelo público, a disputa passa pela incorporação da inteligência artificial ao funcionamento de empresas e instituições.

Brasil também entra na disputa entre empresas de IA

A presença local ocorre enquanto a competição pela inteligência artificial se intensifica. OpenAI não disputa apenas usuários de chatbots: desenvolvedores e empresas precisam escolher quais modelos e APIs serão incorporados aos produtos que estão construindo. Nesse cenário, possuir uma grande comunidade brasileira de desenvolvedores pode ser tão importante quanto a popularidade do ChatGPT entre consumidores.

A operação física também facilita a interlocução da OpenAI com autoridades em um momento no qual o Brasil discute a regulamentação da inteligência artificial e questões como proteção e soberania de dados.

A presença da companhia no país, entretanto, não significa automaticamente que os modelos da OpenAI serão treinados no Brasil ou que os dados dos brasileiros passarão a ser processados em servidores nacionais. Até que compromissos específicos de infraestrutura sejam anunciados, a principal mudança é comercial e institucional. 

 

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Esta postagem foi modificada pela última vez em 20/08/2026 01:34

William R. Plaza: Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br