A AMD deve aumentar em até 10% o preço das placas de vídeo Radeon RX 9000, pressionada pela disparada no custo da memória GDDR6 e por um mercado de DRAM dominado pela demanda de inteligência artificial e data centers. Para quem está de olho em um upgrade, o recado é direto: a janela de preços “normais” pode estar se fechando mais rápido do que parece.
O que está acontecendo com as GPUs da AMD
Rumores cada vez mais consistentes indicam que a AMD já avisou seus parceiros sobre um reajuste em torno de 10% para a linha Radeon RX 9000. A medida viria após um primeiro aumento discreto em outubro, que quase não apareceu no varejo, e agora tende a afetar toda a nova leva de placas, tanto para jogos quanto para uso profissional e IA.
Na prática, isso significa que futuras remessas de GPUs da marca já devem sair da fábrica mais caras, abrindo espaço para que o preço final também suba conforme estoques antigos forem acabando.
A culpa é da memória, não só da AMD
O pivô dessa história é um velho conhecido de qualquer PC gamer: a memória. DRAM, DDR5, GDDR6, HBM… tudo está ficando mais caro ao mesmo tempo em que a indústria tenta alimentar o apetite quase infinito de servidores de IA e data centers.
Desde 2024, o preço dos chips de memória vem subindo de forma agressiva, mas 2025 virou o ponto de virada: contratos de DRAM chegaram a registrar alta anual de mais de 170%, inaugurando o que executivos do setor já chamam de “bull market” de memória. Em meio a esse cenário, os fabricantes passaram a priorizar módulos mais lucrativos, como DDR5 para servidores e HBM para IA, deixando menos capacidade para GDDR6, usada em placas de vídeo gamers.
GDDR6 30% mais cara: o detalhe que pesa no gamer
A GDDR6, memória usada em muitas GPUs atuais, já subiu cerca de 30% no mercado spot ao longo de 2025. Isso pode parecer pouco à primeira vista, mas o impacto se acumula rapidamente quando se fala em dezenas de gigabytes por placa e em milhões de unidades produzidas.
Estimativas independentes sugerem que esse aumento de cerca de 30% no custo da GDDR6 adiciona algo entre 10 e 15 dólares ao custo de memória de uma GPU com 16 GB. Quando se coloca a margem da fabricante, da parceira de placa e do varejo na conta, esse acréscimo isolado pode se transformar em um aumento de 25 a 40 dólares no preço final ao consumidor.
O novo rearranjo estrutural
O que está por trás desse aperto não é apenas “ganância” de fabricante, e sim uma mudança estrutural na demanda global. Grandes empresas de tecnologia estão comprando quantidades gigantescas de DRAM e HBM para treinar e rodar modelos de IA, ocupando linhas inteiras de produção que antes atendiam PCs e notebooks comuns.
Quando o mesmo wafer de silício pode virar um chip de memória caríssimo para servidor ou um módulo GDDR6 para placa gamer, a escolha econômica dos fabricantes tende a pender para onde há mais margem por unidade. No fim da cadeia, esse desequilíbrio chega ao consumidor na forma de GPUs mais caras, menos variedade de modelos de entrada e uma pressão constante para empurrar o ticket médio para cima.
PowerColor manda o recado: “se for comprar, é agora”
Um representante da PowerColor, marca conhecida pelas placas Radeon customizadas, publicou um alerta claro: se você está pensando em comprar uma GPU, faça isso antes do fim do ano, porque os preços devem subir em 2026.
Em paralelo, relatos de usuários em fóruns e Reddit já mostram gente antecipando compra de RX 9060 XT e RX 9070 por medo dos aumentos que vêm pela frente.

