A Apple teve uma semana marcada por decisões que vão muito além dos próximos iPhones. A companhia precisou responder a pressões políticas nos Estados Unidos, sofreu mais um revés na Europa, viu rumores sobre novos produtos ganharem força e ainda mostrou que continua reorganizando sua cadeia de fornecedores diante das mudanças provocadas pela corrida da inteligência artificial.
O principal movimento veio com um acordo bilionário para ampliar a produção de chips em solo americano, iniciativa que reforça a estratégia da empresa de reduzir críticas sobre sua dependência da Ásia sem abrir mão da atual estrutura global de fabricação. Ao mesmo tempo, a Apple continua preparando o terreno para novos produtos, como seu primeiro iPhone dobrável, enquanto trabalha para tornar a Siri mais competitiva na nova era da IA. Para completar a semana, Wall Street respondeu de forma positiva: as ações da empresa voltaram a renovar máximas históricas.
Apple fecha acordo bilionário para fabricar mais chips nos EUA
A Apple anunciou um novo acordo com a Broadcom que prevê mais de US$ 30 bilhões em investimentos até 2031 para ampliar a produção de componentes de radiofrequência nos Estados Unidos. A iniciativa faz parte do compromisso da empresa de expandir sua cadeia de suprimentos no país e reduzir a pressão política sobre a fabricação do iPhone.
Embora o aparelho continue sendo montado principalmente na Ásia, a Apple aumenta gradualmente a produção de componentes estratégicos em território americano. A medida fortalece o discurso de geração de empregos e investimentos locais sem exigir uma mudança radical na complexa cadeia de produção do iPhone.
Estratégia da Apple para aliviar a pressão sobre o iPhone
Entenda a estratégia da Apple para reduzir a pressão política sobre o iPhone
O acordo com a Broadcom faz parte de um plano maior. Em vez de prometer fabricar o iPhone integralmente nos Estados Unidos, a Apple vem distribuindo investimentos por áreas como chips, servidores, vidro e outros componentes produzidos localmente.
Na prática, a empresa busca equilibrar interesses políticos e viabilidade econômica. A montagem do iPhone continua dependendo da estrutura construída ao longo de décadas na Ásia, enquanto os investimentos nos EUA ajudam a reduzir críticas do governo americano e diminuem riscos ligados às tensões comerciais.
Europa mantém pressão sobre a App Store
A Apple sofreu mais uma derrota na União Europeia. O Tribunal Geral da UE rejeitou o recurso da empresa e confirmou que o iOS e a App Store continuarão enquadrados como gatekeepers (“controladores de acesso”) pela Lei dos Mercados Digitais (DMA). A decisão mantém em vigor as obrigações impostas à companhia desde 2024 e ainda pode ser alvo de recurso à mais alta corte europeia.
Na prática, a Apple continuará obrigada a abrir seu ecossistema para mais concorrência, permitindo lojas de aplicativos alternativas, sistemas de pagamento de terceiros e maior interoperabilidade com produtos e serviços rivais. Empresas que descumprem o DMA podem ser multadas em até 10% do faturamento global anual, percentual que pode dobrar em caso de reincidência.
A decisão amplia a pressão sobre um dos negócios mais lucrativos da Apple. A empresa argumenta que as exigências comprometem a privacidade e a segurança dos usuários, enquanto a Comissão Europeia sustenta que as mudanças são necessárias para reduzir o domínio das grandes plataformas digitais e ampliar a concorrência no mercado
Escassez de memória leva Apple a testar fornecedor chinês
Segundo rumores, a Apple começou a testar memórias RAM produzidas pela chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT), hoje a quarta maior fabricante mundial de DRAM. Ainda não há acordo fechado, mas a empresa já iniciou o processo de qualificação técnica dos componentes.
A possível parceria vai além da redução de custos. Ter um novo fornecedor fortaleceria o poder de negociação da Apple diante de Samsung, SK hynix e Micron, que dominam o mercado de memórias. Ao mesmo tempo, a decisão pode abrir uma nova frente de tensão com Washington: a CXMT integra uma lista do Departamento de Defesa dos EUA de empresas com supostos vínculos militares chineses, o que torna qualquer aproximação da Apple um tema sensível no atual cenário geopolític
Caso a parceria avance, a empresa poderá diversificar seus fornecedores em um momento delicado para o mercado de semicondutores. Ao mesmo tempo, uma aproximação com fabricantes chineses pode gerar novos questionamentos políticos nos Estados Unidos.
Primeiro iPhone dobrável ganha força
Os rumores sobre o primeiro iPhone dobrável voltaram a ganhar intensidade. As informações mais recentes apontam que a Apple já estaria preparando uma produção inicial próxima de 10 milhões de unidades.
A expectativa é que o aparelho seja lançado em 2027 como o modelo mais sofisticado da linha iPhone, com tela interna de aproximadamente 7,8 polegadas, design semelhante ao de um livro e preço que pode superar os US$ 2.000. Se as informações se confirmarem, será a maior mudança de design da família iPhone desde a chegada dos modelos Pro Max e a entrada oficial da Apple em um segmento que Samsung, Huawei e outras fabricantes exploram há vários anos.
iOS 27 melhora a Siri
A terceira versão beta do iOS 27 trouxe mais um passo na reformulação da Siri. A atualização permite personalizar características da voz da assistente, como ritmo e expressividade, e também leva um aplicativo dedicado da Siri ao Apple Watch com o watchOS 27, reforçando a presença da IA em todo o ecossistema da Apple.
Embora discretas, as mudanças mostram que a empresa continua preparando terreno para uma versão mais inteligente da Siri, um dos projetos mais aguardados da Apple desde o anúncio da Apple Intelligence. A companhia ainda tenta recuperar o tempo perdido na corrida da IA, e cada atualização aproxima a assistente do papel central que Apple pretende dar à inteligência artificial em seus próximos dispositivos.
Mercado segue confiante na Apple
Mesmo enfrentando investigações regulatórias, pressões geopolíticas e uma corrida para recuperar terreno em inteligência artificial, a Apple continua transmitindo confiança ao mercado financeiro. Nesta semana, suas ações atingiram um novo recorde histórico, levando a empresa a se aproximar de um valor de mercado de US$ 4,6 trilhões.
A reação dos investidores mostra que o mercado está olhando além dos desafios imediatos. Os investimentos na cadeia de suprimentos americana, a preparação do primeiro iPhone dobrável e os avanços da Apple Intelligence são vistos como iniciativas que podem sustentar o crescimento da companhia nos próximos anos. O desafio agora será transformar essas apostas em produtos capazes de manter o iPhone e seu ecossistema na liderança de um mercado cada vez mais competitivo.
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