Rumores de várias fontes do Bloomberg apontam que a Apple planeja usar processadores ARM nos seus desktops e notebooks. Ainda é cedo para a mudança, que poderia acontecer lá para 2017, se tudo ocorrer como estão comentando.
Os processadores ARM vêm ganhando cada vez mais potência. Muito mais econômicos do que os x86, eles permitem a construção de equipamentos leves e finos. Silêncio e maior autonomia de bateria são grandes vantagens da arquitetura. Os chips são personalizados pelos fabricantes interessados. Diferente da Intel ou AMD que fabrica e vende processadores prontos, a ARM apenas licencia sua tecnologia a outros produtores, que podem personalizar os chips tanto para uso próprio como para venda a terceiros. A Apple tem uma boa experiência no segmento com seu processador A6, destacando o A6X, que melhora bastante o desempenho com relação ao anterior.
Falar em substituir um Intel Core i3/5/7 por um chip ARM pode parecer piada hoje, dada a grande diferença de desempenho – os x86 estão bem mais avançados e são muito mais rápidos. Só que em dispositivos mais leves os ARM parecem dar conta sossegados, ultrapassando alguns x86 não tão antigos assim. Por exemplo, em diversos testes um Chromebook da Samsung com Exynos 5 dual-core de 1,7 GHz superou com grande margem o Atom N570 de 1,66 GHz:
O desempenho da GPU foi radical:
Tudo bem que as novas versões dos processadores da Intel continuam avançando nesse sentido (além da economia de energia), mas para uma série de atividades práticas os processadores ARM estão superando as expectativas. Basta voltar a uns 5 anos no tempo e ver como eram os smartphones. Em navegação na web e consumo de mídia não deixam quase nada a desejar para os usos básicos, sem contar os jogos projetados para a arquitetura, que estão avançando consideravelmente também.
A Apple vem investindo pesado no desenvolvimento dos chips para seus produtos mobile. Em 2010 comprou a Intrinsity, que tinha experiência no ramo de chips rápidos, e de lá para cá seus designs melhoraram bastante.
O Windows RT, port do Windows 8 para ARM, mostra que não é muito difícil portar os softwares para a plataforma, uma vez que as ferramenas de desenvolvimento e compilação funcionem. É o caso do Microsoft Office, um dos únicos programas no Windows RT a rodar no modo desktop, além dos programas nativos do Windows – o Explorer, ferramentas de configuração, etc. A Microsoft decidiu fechar o desenvolvimento dos aplicativos desktop ali, permitindo apenas os “Metro” para terceiros, mas isso é uma decisão que não é exatamente técnica. Em sistemas livres, onde não há nenhum tipo de restrição artificial, a coisa é bem diferente: os programas feitos para Linux em ARM se comportam praticamente da mesma forma como os compilados para x86. Versões ARM de diversas distros mostram isso na prática, e um bom exemplo acessível se dá com o Raspberry Pi. Ele sacrifica consideravelmente o desempenho pelo preço desejado para o produto final, mas uma ideia melhor poderia ser vista com o Ubuntu for Android.
Outro caso de sucesso técnico no ramo pode ser considerado o Plasma Active, ambiente e conjunto de aplicativos para tablets mantido pelas equipes do KDE. Ele não é nenhum sucesso comercialmente falando (pelo menos não ainda), mas o nível de desenvolvimento mostra cada vez mais avanços importantes. Se existisse um tablet livre como um PC onde o usuário instalaria o que quisesse… Ele teria grandes chances.
Vendo isso, não seria espanto observar o OS X rodando num desktop ou notebook da Apple com processador ARM. Se as coisas continuarem no ritmo atual logo algum design ARM ultrapassará os processadores mais básicos para desktops da Intel em velocidade. Em consumo de energia e custo isto já é certo. Enquanto os processadores da Intel variam de US$ 113 (no i3 de entrada) a US$ 999, o chip A6 da Apple tem um custo estimado em meros US$ 17,50.
O rumor não é exatamente novo, mas as várias fontes do Bloomberg estão confiantes. A agência é conhecida por dar várias informações reais antes do tempo, então há grandes chances de tudo isso ser verdade.
Para a Apple não seria a primeira migração. Em 2005 ela anunciou a mudança da plataforma PowerPC para x86. Os aplicativos antigos continuavam sendo executados por meio dum conversor de instruções, o Rosetta, incluído até o OS X Snow Leopard (10.6). Do Lion para frente o suporte aos aplicativos antigos foi encerrado. Hoje os Macs são PCs, tanto que podem rodar Windows e seu sistema operacional nativo também roda em PCs praticamente sem modificações sérias – apenas no bootloader e nos drivers. Máquinas montadas com componentes iguais ou similares aos usados nos Macs têm grandes chances de rodar o OS X com tudo o que têm direito, embora esta não seja uma opção legítima nem autorizada pela Apple.
Mudar para ARM traria o problema de compatibilidade à tona novamente. Pelo menos no estado atual os chips ARM não parecem prontos para rodar software x86 (via emulação ou qualquer outro meio), mas como continuam avançando… Isso parece ser questão de tempo.
Esta postagem foi modificada pela última vez em 07/11/2012 01:33