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Amazon pede que funcionários controlem uso de IA: gastar mais tokens não significa maior produtividade

Novas diretrizes internas priorizam resultados concretos em vez de métricas de consumo de inteligência artificial.

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A Amazon publicou um conjunto de diretrizes internas de engenharia que vai na contramão do movimento que dominou os escritórios tech nos últimos meses: o tokenmaxxing. A prática, que consiste em inflar deliberadamente o consumo de tokens em ferramentas de IA para parecer mais produtivo nos dashboards internos, virou alvo direto da empresa, afirmando que consumir mais tokens não é o mesmo que entregar mais valor.

O problema com a métrica

O problema não é novo, mas a resposta formal da Amazon sinaliza que ele chegou a um nível operacional intolerável. Segundo o memorando, indicadores como taxa de adoção de IA, consumo de tokens, volume de alterações de código e revisões se tornam “profundamente falhos” quando desconectados de resultados concretos. Transformá-los em metas, diz a empresa, estimula comportamentos que contradizem diretamente dois princípios que a Amazon cultiva há décadas: frugalidade e simplicidade. O efeito prático é contas de computação infladas e software desnecessariamente complexo.

O episódio mais emblemático aconteceu em maio, quando ficou claro que engenheiros da empresa estavam usando o MeshClaw, um agente de IA interno capaz de realizar tarefas como deploy de código e interações com o Slack, exclusivamente para inflar contadores de token. A resposta da empresa foi encerrar um ranking interno que havia se tornado um incentivo explícito para esse tipo de gamificação, ainda antes da publicação das novas diretrizes.

A nova estratégia da Amazon

A alternativa proposta pela empresa é centrada em resultados de longo prazo. “Acreditamos que é melhor medir, e ser medido por, resultados de longo prazo”, escreveu a Amazon no documento. Isso não significa ignorar os dados de uso, já que métricas de input continuam úteis quando analisadas “com cuidado e julgamento” ao lado de outros indicadores. A recomendação prática é olhar para os dois extremos: equipes que usam menos IA e equipes que usam mais, avaliando se a adoção está ou não se convertendo em entregas melhores.

Outro ponto relevante do documento é o recuo em relação à obrigatoriedade implícita do uso de IA. Se uma ferramenta não beneficia o trabalho de alguém, isso é “uma descoberta, não uma falha“. Engenheiros capazes de articular onde as ferramentas atuais têm limitações estão demonstrando julgamento, não resistência à adoção. É uma inflexão importante em um ambiente corporativo onde a pressão para usar IA tem gerado uso performático em vez de uso produtivo.

Amazon não está sozinha nesse diagnóstico

Andrew Macdonald, presidente e COO da Uber, declarou em maio que o aumento no consumo de tokens ainda não se traduziu em funcionalidades úteis para o consumidor: “Essa conexão ainda não existe“, comentou. A observação ganhou peso adicional quando o CTO da Uber revelou que a empresa havia esgotado todo o orçamento de Claude Code para 2026 antes mesmo de abril.

Na consultoria, o cenário não é diferente. Áudios vazados obtidos pelo 404 Media em junho mostram executivos da Accenture reconhecendo que os gastos com tokens estão crescendo rapidamente à medida que as empresas migram de chatbots simples para fluxos de trabalho agênticos, sem conseguir prever com confiabilidade o custo de uma tarefa ou se o gasto valeu a pena. O líder de estratégia de IA agêntica da Accenture descreveu a situação como “não um problema de nicho”, e a firma está construindo uma ferramenta interna chamada Token IQ para ajudar clientes a gerenciar os custos.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, também já admitiu que os custos de tokens se tornaram “um problema enorme” para empresas com uso intensivo.

Reação dos usuários

 

Amazon's anti-tokenmaxxing memo says engineers should be pickier about using AI
byu/BathroomMaximum1721 intechnology

 

 

A repercussão no Reddit foi marcada por críticas à gestão da Amazon e à forma como a empresa incentivou o uso de inteligência artificial antes de pedir mais cautela com os gastos. No subreddit r/technology, a publicação sobre o memorando contra o chamado tokenmaxxing teve usuários apontando uma contradição na postura dos executivos.

Um dos comentários mais votados criticou justamente a mudança de discurso da liderança, argumentando que os mesmos executivos que agora pedem moderação foram responsáveis por incentivar o aumento do consumo de recursos de IA. Outros profissionais de tecnologia compartilharam experiências semelhantes, relatando que suas empresas primeiro pressionaram as equipes a adotar essas ferramentas e, posteriormente, passaram a recomendar alternativas gratuitas ou mais baratas.

Ex-funcionários da Amazon também levantaram preocupações sobre a cultura interna de métricas e competição. Um deles afirmou que a empresa chegou a usar distintivos e rankings para incentivar a adoção de ferramentas de IA, criando a sensação de que os funcionários precisavam demonstrar um nível elevado de utilização para não ficarem atrás dos colegas.

Apesar das críticas, alguns participantes defenderam que a IA pode ajudar a resolver problemas e acelerar o desenvolvimento de soluções. Ainda assim, houve questionamentos sobre os custos envolvidos e sobre o trabalho adicional que ferramentas mal utilizadas podem gerar para as equipes de engenharia.

A IA no centro, mas não como objetivo

A Amazon deixou claro que não está recuando da tecnologia. “Temos certeza de que, quaisquer que sejam as melhores práticas do futuro, a IA estará no centro da engenharia de software“, escreveu a empresa. O CEO Andy Jassy reforçou ao longo do ano que a tecnologia vai “mudar o escopo e a velocidade” do trabalho cotidiano, com potencial de reduzir o quadro corporativo da empresa nos próximos anos, embora também espere que novos tipos de posições sejam criados. A empresa também confirmou que não impôs limites de tokens para seus engenheiros, o que torna as diretrizes mais uma questão de cultura de medição do que de restrição técnica.

O que o caso Amazon expõe com clareza é a fragilidade de qualquer métrica de produtividade. Em 2026, quando a pressão por adoção de IA chegou ao nível de executivos, o incentivo se instalou de forma errada: se você usa tokens como medida de produtividade, as pessoas vão gastar o máximo de token possível.

Fonte: Tom’s Hardware

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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