Crise de RAM faz PCs com 64 GB caírem em 18%, enquanto DDR4 volta a crescer
Os dados mais recentes da pesquisa de hardware do CPU-Z revelam mais uma consequência do estado da memória em 2026: pela primeira vez, configurações de 64 GB de RAM registraram queda expressiva na base ativa de usuários, com retração de 18% na comparação anual. Configurações de 32 GB também recuaram, mas de forma mais modesta, com queda de 2,5%. A causa não é difícil de identificar, já que a corrida pela infraestrutura de IA está sugando o fornecimento global de DRAM, e o preço por gigabyte subiu ao ponto de tornar memória de alta capacidade um item de luxo.
Antes de interpretar os números, um aviso importante: o CPU-Z é um utilitário gratuito de leitura de hardware, e os dados refletem exclusivamente a base de usuários que o têm instalado. Não são números de venda no varejo. São um recorte comportamental de um público específico, geralmente entusiastas e técnicos, o que torna a queda de 18% nas configurações de 64 GB ainda mais significativa, já que o perfil de quem usa o aplicativo é justamente de quem teria mais memória no PC.
O novo equilíbrio: 32 GB no topo, 24 GB como saída inteligente
Os dados atuais da base do CPU-Z mostra 32 GB na liderança com 37,2% de participação, seguido por 16 GB com 33%. As configurações de 8 GB, que vinham em queda consistente, respondem por apenas 11% e sobrevivem principalmente em máquinas antigas, desktops corporativos básicos ou builds extremamente limitados por orçamento. 64 GB ainda é minoria, com 7,3%.
O dado mais revelador, porém, está no crescimento das faixas intermediárias. A configuração de 16 GB rebateu com força, crescendo 12,9% no período. Os 8 GB também subiram 5,5%, o que indica que parte da base está revertendo para o mínimo viável em vez de pagar o preço premium das faixas superiores. E a grande surpresa: as configurações de 24 GB cresceram 19,7%, consolidando-se como a saída racional para quem precisa de mais do que 16 GB mas não quer desembolsar o que um kit de 32 GB DDR5 de qualidade está custando hoje.
O retorno improvável do DDR4
Se a queda no segmento de 64 GB já é notável, o movimento no padrão de memória é o dado que mais vai surpreender quem acompanha o mercado há alguns anos. O DDR4 não só continua dominante como está crescendo: detém 54,5% da base do CPU-Z e registrou expansão de 6% no período. O DDR5, apesar de ser o padrão mais recente, está em 32,9% e recuou 2,9%.
O motivo desse retorno é preço e disponibilidade de plataforma. Consumidores estão migrando ou permanecendo em plataformas que ainda suportam DDR4, como processadores Zen 3 da AMD, como a linha Ryzen 5000, e os chips Intel de 13ª geração Raptor Lake. Os dados do CPU-Z corroboram essa leitura: os gráficos de processadores mostram crescimento expressivo justamente nos chips Zen 3, com o Ryzen 7 5700X subindo 42,8%, o Ryzen 5 5600 em alta de 36,1% e o Ryzen 5 5500 com salto de 67,3%.
O mercado está respondendo a esses sinais. A AMD relançou o Ryzen 7 5800X3D, fabricantes retomaram a produção de memórias e placas-mãe DDR4, e a Intel prepara chips Raptor Lake Next para 2027, ainda no soquete LGA 1700. O ecossistema DDR4, dado como morto há dois anos, está experimentando uma segunda vida por força das circunstâncias econômicas.
A IA sugando todo estoque de RAM
O fio condutor de toda essa movimentação é a pressão da inteligência artificial sobre o fornecimento global de DRAM. Servidores de treinamento e inferência de modelos consomem memória de alta capacidade em escala industrial, e os fabricantes de NAND e DRAM estão direcionando wafers para produtos de maior margem, como HBM e módulos RDIMM de alto desempenho. O consumidor final paga a conta na forma de kits de 32 GB DDR5 que hoje custam o valor de 64 GB apenas alguns anos atrás.
Fonte: Tom’s Hardware

Newsletter do Hardware
Tecnologia, games, IA e internet: nossa seleção de conteúdo direto no seu e-mail.
Inscrição feita!As próximas edições chegam no seu e-mail.

