Esta notícia não é exatamente nova, foi publicada originalmente na terça-feira, mas decidi postar assim mesmo para poder fazer uma análise sobre o assunto.
Uma pesquisa divulgada no Zdnet.co.uk indica uma tendência entre os desenvolvedores Windows, que seguindo a tendência do mercado, estão lentamente migrando para o desenvolvimento para dispositivos móveis e desenvolvimento para aplicativos Linux. Segundo a pesquisa, realizada entre desenvolvedores dos EUA, o índice de desenvolvedores escrevendo softwares predominantemente para a plataforma Windows caiu de 74% em 2006, para 64.8% na pesquisa realizada este ano.
No mesmo período, a percentagem de desenvolvedores Linux subiu de 8.8% para 11.8%, acompanhado por um aumento no desenvolvimento de aplicativos para a web e também para dispositivos móveis.
A muito tempo se fala na tendência de os aplicativos serem cada vez mais baseados na web. Podemos ver isso acontecendo já nos dias de hoje, com serviços como o Gmail e o Meebo. A grande vantagem é que eles podem ser acessados a partir de qualquer PC, ao contrário de um cliente de e-mail ou IM que armazena as mensagens e sua lista de contatos localmente e pode ser usado apenas no seu próprio PC. Como a maioria das pessoas não fica o dia todo na frente do mesmo PC (muitas vezes nem tem micro em casa), isso faz todo o sentido.
Outra tendência é o desenvolvimento para dispositivos móveis, incluindo celulares e smartphones. Os atuais são bastante capazes em termos de poder de processamento, mas utilizam telas muito pequenas, teclado numérico ao invés de um teclado completo e acessam a web através de conexões lentas, o que representa um conjunto de novos desafios para os desenvolvedores.
Quando falamos em desenvolvimento Linux, a primeira imagem que vem à mente são os aplicativos desenvolvidos de forma colaborativa, sem fins lucrativos. Este setor continua crescendo, mas temos hoje em dia também a figura do desenvolvedor profissional, que desenvolve aplicativos comerciais ou aplicativos de uso interno. Acompanhando o crescimento do sistema, é natural que cresça também a demanda por programadores capazes de personalizar aplicativos já disponíveis, ou desenvolver aplicativos personalizados do zero.
Em contrapartida, com o aumento da oferta de desenvolvedores para a plataforma, o sistema operacional se torna mais viável em ambientes onde ainda não alcançou tanta popularidade, muitas vezes justamente pela carência de mão-de-obra especializada ou pela impossibilidade de personalizar seu modelo de negócios de modo financeiramente viável.
Essa tendência é saudável também para o aprimoramento técnico do profissional e do ponto de vista da prestação de serviços de informática, de um modo geral. Um desenvolvedor e principalmente um analista de sistemas habituado ao desenvolvimento multi-plataforma terá sempre uma visão lógica e gerencial mais abrangente do que outro profissional do mesmo porte, habituado a trabalhar com apenas um sistema operacional.
E, como acontece hoje com o Windows, uma nova safra de desenvolvedores que já começarão a programar especificamente para o ambiente Linux tende a surgir e a se manter, preenchendo a lacuna de programadores e analistas com a expertise lógica que toda plataforma necessita para estreitar a relação entre seus usuários e os profissionais que a mantém.