Apple explica por que deixou de usar processadores da Intel no Mac

Apple explica por que deixou de usar processadores da Intel no Mac

Causou enorme repercussão quando a Apple, lá em 2020, durante a WWDC, confirmou que estava deixando de lado sua parceria com a Intel e abraçando de vez uma nova etapa para sua jornada Apple Silicion. Não seria apenas o iPhone, iPad e o Apple Watch que usariam chips projetados “em casa”, os Macs também.

A mudança representou uma transição arriscada, que demandou uma gigantesca restruturação interna na companhia mais valiosa do mundo, visando fortalecer uma das principais características enfatizadas na comunicação dos seus produtos: otimização. Seguir com os processadores da Intel representava um ponto que ia em desacordo com esse novo passo no refinamento da otimização.

“Os chips Intel ainda não oferecem o desempenho que precisamos”. Essa é uma das declarações de Greg “Joz” Joswiak, que atualmente ocupa o cargo de Vice-Presidente Sênior de Marketing Mundial na Apple.

O executivo está na Apple desde 1986, o que representa que ele passou por todo o processo de retorno de Steve Jobs para a companhia, em idos da década de 90, período em que a empresa flertou com a falência. Hoje ele é o braço direito daquele que foi o sucessor direto de Jobs, Tim Cook.

Joswiak foi recentemente ao Vietnã e bateu um papo com o pessoal do site GenK. Na entrevista, ele fez um balanço sobre esse processo de transição dos chips Intel para um processador próprio, objetivo traçado ainda sob a administração de Steve Jobs, exímio defensor do controle  da Apple sobre cada ponto relacionado aos seus produtos.

“Tomamos essa decisão no início do iPhone, de que precisávamos ter nossos próprios chips. Essa também foi a decisão que Steve Jobs tomou, se comprarmos o mesmo chip que todos os outros, será difícil fazermos diferença no desempenho do aparelho, o que é muito importante”, afirma Joswiak. “Foi então que começamos a nossa jornada de construção do Apple Silicon. Esse Apple Silicon alimenta o iPhone, alimenta o iPad e também alimenta o Apple Watch”, acrescenta.

O único produto no ecossistema da Apple que não estava inserido nesse ponto do Apple Silicon era o Mac, ele era o grande próximo passo a mapear. Essa decisão passava por encerrar um longo relacionamento com a Intel, que começou a fornecer chips para a Apple em 2006.

No balanço feito por Joswiak, chegou um ponto que era frustrante seguir com os chips Intel, já que, ao atender clientes profissionais, que demandam alto desempenho, ficava claro que esses processadores não estavam conseguindo suprir o que a Apple esperava entregar. “A partir daí, vimos a oportunidade de fazer o que precisava ser feito com o restante da nossa linha de produtos (Mac). O que foi uma grande decisão”, afirma o executivo.

A troca também representou uma mudança em termos de estrutura tecnológica. Deixar de lado a arquitetura x86, da Intel, e seguir com ARM, nos moldes do que a Apple já faz há tempos com seus dispositivos móveis. Essa alteração acabou sendo benéfica em relação a alguns pontos que seguem sendo elementos que a Apple enfatiza bastante na comunicação. A performance aliada uma grande autonomia de bateria.

“Estamos tão felizes por termos feito isso! A transição foi extremamente tranquila e recebeu apoio dos desenvolvedores. Além disso, fizemos alguns trabalhos para facilitar a migração dos desenvolvedores e a capacidade de executar aplicativos legados. E transformou completamente o Mac. Mudou tudo”, acrescentou Joswiak. “Alguns clientes de Mac ainda usam máquinas Intel e ainda não atualizaram. Mas quando eles atualizaram, você sabe, foi alucinante, porque eles imediatamente sentiram o quanto a máquina se tornou mais rápida. A duração da bateria também é muito maior e não só isso, ela (Apple Silicon) permite que os Macs tenham designs mais finos e leves”, completa.

A interrupção da parceira com a Intel também permitiu que a Apple controlasse diretamente o cronograma de lançamento, sem depender de atualizações de tecnologia gerenciadas por seu parceiro. Após 3 anos de transição, a Apple não vende mais nenhum Mac com chip Intel. Todos os modelos passaram diretamente para a plataforma Apple Silicon.

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Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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