Free Software Foundation anuncia suporte oficial ao WebM

A Free Software Foundation está apoiando o WebM e passará a realizar campanhas a seu favor. Ela se juntou aos apoiadores do projeto WebM, formato livre mantido principalmente pelo Google, junto com partes de códigos desenvolvidos pela comunidade anteriormente.

O anúncio no site da FSF reafirma os compromissos que um codec livre deve ter para que possa ser aceito no HTML 5.

A recente decisão do Google de eliminar o codec proprietário H.264 do Chrome foi fortemente criticada por alguns grupos e até individuais, normalmente pessoas que não percebem os problemas que um codec proprietário do tipo poderia causar. Com essa mudança todas as entidades que apóiam o software livre estão do lado do Google, por mais que ele também seja um grande gigante com interesses comerciais.

O HTML é um padrão aberto: qualquer um pode usar, sem precisar pagar royalties nem assinar nenhum contrato. O elemento <video> do HTML 5 não especifica o codec que deve ser usado, como todo mundo já deve ter ouvido falar por aqui. Até a versão final do HTML 5 isso deverá mudar, é natural que não tenham decidido ainda uma vez que ele está em desenvolvimento, em rascunho. Sendo parte do HTML 5 os vídeos embutidos nas páginas usando esse recurso devem utilizar tecnologias abertas, livres: permitindo que qualquer cidadão, em qualquer lugar do mundo, crie um site e coloque um vídeo nele usando HTML 5.

As patentes do H.264 impedem isso. Ele é um “padrão” comercial, não está nem aí para a liberdade de produção de conteúdo. Se você faz um vídeo com sua câmera full HD e publica no seu blog pessoal, muito dificilmente você seria processado – e o plano de manter o uso do H.264 gratuito para a web facilita essa distribuição. Mas as imposições e restrições acabam com a graça. Se você decide fazer vídeos para vender, por exemplo, precisaria pagar uma licença pelo uso do formato, o que poderia complicar muito se o seu site viesse a crescer. O simples fato de ter publicidade no seu site (como o AdSense) poderia ser considerado, em alguma instância, uma utilização comercial. E ainda há mais um problema: as pessoas não estariam aptas a baixarem o seu vídeo e redistribui-lo da forma que quisessem, mesmo que você, dono do vídeo, permitisse isso. O formato de arquivo utilizado nesse caso usa tecnologias proprietárias. Em outras palavras, um vídeo que você fez em H.264 não é só seu. Parte dele (a parte técnica, o arquivo) depende da licença do grupo MPEG-LA, sobre a qual você não tem controle e é totalmente submisso. Você pode não achar isso um problema para uso pessoal, mas é um problema grave, pelas condições de redistribuição e uso comercial acima citadas. Se você quiser incluir suporte a ele num programa próprio (poderia ser um liveCD) também entra a questão do licenciamento.

A formatação em HTML trouxe a liberdade de criar documentos ricos, com textos formatados e imagens, para todos. O HTML 5 estende isso para os vídeos, e para que continue sendo útil, deve ser aberto – não só livre de royalties, mas aberto, livre de restrições teóricas ou judiciais.

É um fato que o H.264 está bem estabelecido e tem uma infinidade de dispositivos de hardware com suporte para ele, fazendo dele a melhor opção técnica hoje. Isso deverá mudar para o WebM nos próximos meses (ou anos, que seja). As especificações para dispositivos de hardware já começam a ser trabalhadas. É possível que daqui algum tempo fabricantes que não tenham “rabo preso” com a MPEG-LA lancem tanto produtos para consumo de vídeo (players, celulares, smartphones, etc) como produção (câmeras). O plugin do Google para IE e Safari poderá ser usado para tocar vídeos no formato aberto caso os fabricantes desses navegadores recusem a todo custo o formato aberto. Usuários do Windows normalmente estão acostumados a instalar tanta coisa para ter uma experiência de uso satisfatória (Flash no navegador, pacotes de codecs para o player, etc) que instalar um plugin a mais ou a menos não fará diferença na prática.

Não podemos deixar que uma única empresa ou organização (a MPEG-LA) interfira no seu direito de produzir vídeos e distribui-los como quiser. Se o H.264 se tornar padrão para o HTML 5 a sua liberdade está em jogo.

Note que não é um conceito tão simples como o fato de usar Windows/Mac (proprietários) versus GNU/Linux/BSD (livres), normalmente associados a uma espécie de brigas e trolls na internet. Você usa o sistema operacional que preferir, seja aberto ou não. Acontece que ao lidar com um “padrão”, para garantir o direito de uso para todos, esse padrão deve ser algo aberto. Usar programas proprietários como sistemas operacionais não interfere tanto na sua liberdade de produção e compartilhamento de conteúdo. Você pode fazer um site com ferramentas proprietárias e divulgá-lo como quiser, sem precisar de acordos nem royalties, por exemplo. Agora usar um codec proprietário para vídeo/áudio já é bem diferente, já que há inúmeras restrições que se aplicam a algo seu, algo que você produziu. Pense nisso, caso você seja um fã ou apoiador extremo do H.264. Não é uma questão de frescura, “religião de software” ou ideologia, vai muito além disso.

A FSF irá ampliar sua campanha PlayOgg com a PlayFreedom, divulgando informações sobre como participar do projeto WebM como usuário, aproveitando-se do Vorbis e Theora. Por enquanto o novo site em https://playfreedom.org/ apenas tem um campo para colocar seu e-mail e aguardar novidades. Essa guerra ainda vai dar o que falar. Tomara que vença a liberdade: a nossa liberdade.

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