Os últimos meses não foram muito animadores para a fundação Symbian. Com a saída da Samsung e da Sony-Ericsson, ela deixou de ser propriamente uma “fundação”, já que a única empresa de peso a continuar a alavancar a plataforma passou a ser a própria Nokia.
Para fazer a situação parecer ainda pior, a Nokia cancelou o desenvolvimento do Symbian^4 (que seria a próxima iteração do sistema, sucedendo o recém-lançado Symbian^3) e anunciou a demissão de 1800 funcionários, a maior parte deles saídos da divisão de smartphones com o Symbian.
Oficialmente, a Nokia apenas eliminou o versionamento da plataforma, passando a adotar um sistema de desenvolvimento contínuo, mas esta é uma explicação que não está mais convencendo ninguém.
O enfraquecimento do Symbian e a falta de notícias sobre o Meego (quem vem sendo vítima de constantes atrasos) vem alimentando as especulações de que a Nokia faria melhor em engolir o orgulho e passar a produzir aparelhos com o Android, ou até mesmo com o recém-lançado Windows Phone 7.
Entretanto, embora nada seja impossível, este é um cenário que ainda parece remoto, uma vez que a Nokia tem uma cultura e desenvolvimento mais fechado (em muitos pontos similar à da Apple) desenvolvendo seus próprios sistemas e otimizando o hardware para ele. Produzir um sistema próprio é também uma diferenciação que permite manter margens de lucros maiores, o que é sempre um fator essencial para qualquer grande empresa.
Outra questão importante é que o fato de um sistema parecer ultrapassado não elimina suas chances de fazer sucesso no mercado, uma vez que a grande maioria dos aparelhos vendidos são modelos de baixo e médio custo. Basta ter em mente que o sistema mais usado (superando as vendas combinadas do Symbian, iOS e Android por uma grande margem) é o velho S40, usado nos feature-phones da Nokia.

É bem possível que o Symbian simplesmente evolua no sentido de substituir o cansado S40 nos aparelhos mais baratos, permitindo que a Nokia permaneça como a principal fabricante de celulares, pelo menos em número de unidades vendidas. O grande problema da Nokia é que isso não resolve a carência de um sistema para os smartphones high-end. Com o avanço dos concorrentes o tempo já começa a se esgotar.