Os problemas financeiros da Palm não são uma notícia nova. Em 2003, depois de anos de vendas fracas a Palm foi dividida em duas: a Palm One, que ficaria responsável pelo hardware, e a Palm Source, que ficaria responsável pelo desenvolvimento do sistema. A divisão acabou sendo fatal, pois as duas empresas não conseguiram coordenar os esforços e acabaram por se tornar concorrentes.
A Palm Source foi comprada pela Access (uma empresa japonesa especializada em soluções móveis) em 2005, que rapidamente anunciou que o Garnet seria substituído pelo Access, uma nova plataforma, baseada em Linux. Com isso, os poucos desenvolvedores que ainda programavam para a plataforma paralisaram as atividades, esperando pelo novo sistema. O Access foi então sucessivamente adiado; inicialmente para 2006, depois para 2007, depois para 2008 e agora para 20011, o que fez com que mesmo os mais insistentes migrassem para outras plataformas.
A Palm One (a divisão de hardware, que mais tarde voltaria a se chamar apenas “Palm”), por sua vez, ficou limitada a licenciar o Palm OS Garnet, sem ter como fazer grandes modificações ou atualizar o sistema. Isso explica porque o Treo 650 (lançado em 2004), o Treo 680 (lançado em 2006) e o Palm Centro (lançado em 2007), são virtualmente idênticos com relação ao software. A Palm se esforçou em recauchutar e remendar o sistema, instalando alguns aplicativos e módulos adicionais (como a versão nativa do Google Maps incluída no Centro), sem conseguir ir muito longe.
Em 2009 a Palm conseguiu surpreender a todos com o lançamento do Palm Pré, que trouxe uma plataforma de software completamente nova, baseada no kernel Linux e no webkit. Ele foi lançado nos EUA através da Sprint (que é a principal concorrente da AT&T, que foi escolhida pela Apple para vender o iPhone).

Na época do lançamento do Pré, as vendas da Palm estavam quase paralisadas e a empresa se vou obrigada a assumir dívidas e aceitar o aporte de capital de risco para conseguir colocar o Palm Pré em produção. Com isso, o Pré acabou se tornando um caso de vida ou morte para a Palm, já que sem reservas a empresa depende de boas vendas para conseguir manter as ações em alta e continuar conseguindo atrair os novos investimentos de que precisa para sobreviver.
Infelizmente, o plano acabou não dando tão certo quanto esperado. O lançamento do Pré coincidiu com o lançamento do iPhone 3G e de vários modelos com o Android. Para complicar, o acordo com a Sprint fez com que ele ficasse restrito aos EUA, impedindo que a Palm conseguisse explorar oportunidades na Europa, Índia, Brasil e China. Com o tempo novos acordos foram criados, mas o estrago já estava feito.
Embora o Pré tenha vendido bem nas primeiras semanas e a recepção tenha sido no geral positiva, as coisas logo esfriaram e as vendas começaram a cair. Na crise se intensificou com a notícia de que a Palm vendeu apenas 408.000 aparelhos no primeiro trimestre de 2010, o que equivale a apenas uma semana de vendas do iPhone 3G, por exemplo.
As fracas vendas fizeram com que a Palm acumulasse um estoque colossal de aparelhos, que agora não sabe como vender. No total, são 1.5 milhões de aparelhos parados, o que no ritmo atual equivalem a mais de um ano de vendas.
Sem dinheiro em caixa, a Palm foi obrigada a paralisar a produção dos aparelhos, o que trouxe todo o problema à tona, levando a uma queda de mais de 30% no valor das ações. Isso por sua vez intensificou o problema, dificultando a captação de novos investimentos.
A boa notícia é que a Palm deve começar a oferecer os aparelhos com desconto, o que pode levar a uma repetição das promoções da época do Palm Centro. O lado ruim é que o futuro da Palm é realmente sombrio. A menos que algo surpreendente aconteça, é provável que a empresa não sobreviva por mais muito tempo.