Usando pontos de acesso adicionais

A solução mais simples e efetiva para ampliar o alcance da rede, atender clientes com transmissores de diferentes padrões, ou mesmo desafogar um pouco a rede, dividindo-a em segmentos menores é usar mais pontos de acesso, ligados via cabo ao roteador principal. Os cabos de rede passam nesse caso a funcionar como um backbone, provendo a comunicação entre os diferentes pontos de acesso. Esta é uma topologia que apresenta boas possibilidades de expansão, a mesma que é usada em escolas, aeroportos e outros ambientes onde um único AP ou roteador wireless não daria conta do recado:

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A vantagem desta topologia é que diferentes pontos de acesso podem ser configurados para operarem em diferentes canais, o que permite aumentar não apenas o alcance da rede, mas também a taxa total de dados que poderão ser transmitidos, já que os clientes são divididos em grupos, conectados a diferentes pontos de acesso, e cada grupo dispõe de toda a banda oferecida por ele, em vez de todos os clientes de digladiarem pela banda de um único ponto de acesso.

Antes de começar, é importante entender a diferença entre um roteador, roteador wireless e um ponto de acesso. Genericamente, um roteador é o dispositivo que provê a conexão com a Internet para a rede, geralmente compartilhando uma conexão via ADSL, cabo ou 3G. Hoje em dia quase todos os modems ADSL, bem como a maioria dos cable-modens são roteadores, já que são capazes de compartilhar a conexão, e oferecem um servidor DHCP, bem como algum tipo de firewall e outros recursos.

Um roteador wireless nada mais é do que um roteador que inclui um transmissor wireless, servindo simultaneamente como ponto de acesso. Ele pode compartilhar uma conexão ADSL, cabo ou mesmo uma conexão 3G (cada vez mais modelos oferecem uma porta USB para a conexão do modem), e muitos são capazes de chavear automaticamente entre a conexão fixa e o 3G, permitindo que você o utilize como uma conexão de backup.

Existem também opções de roteadores Wi-Fi com modem ADSL embutido. Nesse caso, o resultado prático é o mesmo que você teria ao ligar um roteador ao modem ADSL, mas tudo dentro de um único aparelho, com uma única interface de configuração para todas as funções.

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Um ponto de acesso, por outro lado, atua como um bridge simples, que é ligado via cabo ao roteador principal e se limita a fornecer acesso aos clientes wireless, deixando que o roteador atribua os endereços via DHCP e forneça o acesso à internet. Hoje em dia, quase todos os pontos de acesso à venda oferecem funções de roteador, mas eles podem ser “rebaixados” a meros pontos de acesso se você desativar o servidor DHCP embutido e ligá-los à rede local através de uma das portas LAN, em vez de utilizar a porta WAN como faria caso fosse usá-lo como roteador:

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É possível expandir a área de cobertura de um roteador wireless usando vários pontos de acesso subordinados a ele, configurados de forma a criarem uma única rede.

Para isso, comece com o cabeamento, puxando os cabos de rede até a posição onde cada um dos demais pontos de acesso será instalado. Caso necessário, instale alguns switchs para aumentar o número de portas, ou permitir que um único cabo de rede já instalado passe a atender o ponto de acesso juntamente com outro cliente que já o estava utilizando.

O passo seguinte é anotar as configurações do roteador ou ponto de acesso principal, incluindo o endereço IP, SSID, chaves de encriptação e o sistema utilizado e o canal em que ele está operando.

Os demais pontos de acesso devem ser configurados para operarem dentro da mesma faixa de endereços de rede, utilizando o mesmo sistema de encriptação e as mesmas chaves de acesso do roteador principal e, principalmente, o mesmo SSID, para que os clientes entendam que todos fazem parte da mesma rede e passem a simplesmente se conectarem no que oferecer melhor sinal, sem que o cliente precise digitar novamente a chave de acesso cada vez que se conecta a um ponto de acesso diferente. Ao utilizar um roteador wireless e três pontos de acesso adicionais, como no screenshot anterior, um exemplo de configuração seria:

Roteador Wireless: 192.168.1.1, SSID “gdh”, AES, canal 1
Ponto de acesso 1: 192.168.1.2, SSID “gdh”, AES, canal 4
Ponto de acesso 2: 192.168.1.3, SSID “gdh”, AES, canal 8
Ponto de acesso 3: 192.168.1.4, SSID “gdh”, AES, canal 11

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Veja que com exceção do endereço IP e do canal, todas as demais configurações são iguais em todos os dispositivos, incluindo as chaves de acesso. No exemplo usei os canais 1, 4, 8 e 11, que é a configuração mais aconselhável ao usar 4 pontos de acesso na mesma área (se fossem apenas três, você usaria os canais 1, 6 e 11), mas você pode utilizar canais diferentes de acordo com a situação.

icon1Como as transmissões Wi-Fi a faixa dos 2.4 GHz “vazam” para dois canais abaixo e acima do usado, com exceção dos canais 1, 6 e 11, que podem ser usados simultaneamente sem nenhum tipo de interferência, todas as outras combinações de canais resultam em um pequeno vazamento de frequência que pode reduzir sutilmente o desempenho da rede, assim como se você tivesse um vizinho nas redondezas usando um canal próximo. Esta é uma questão que você precisa levar em conta ao inclui múltiplos pontos de acesso na mesma área, usando um software de monitoramento para acompanhar o uso do espectro e escolhendo os canais mais livres.

Todos os diferentes pontos de acesso farão parte da mesma rede, o que significa que você deve usar um único servidor DHCP, preferencialmente mantendo o serviço ativo apenas no roteador principal e desativando-o em todos os demais pontos de acesso:

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A vantagem de deixar o DHCP ativo no próprio roteador da rede é que você elimina um ponto de falha, eliminando a possibilidade de que o servidor DHCP ativo em outro equipamento deixe de funcionar, deixando parte dos clientes sem conseguir acessar a rede, muito embora o roteador continue funcionando perfeitamente, provendo o acesso. Se o servidor DHCP está no próprio roteador, ele só parará de funcionar caso o próprio roteador pare de funcionar, o que significa que você estará sem acesso à Internet de qualquer forma.

Caso você esteja combinando APs de padrões diferentes, com o objetivo de que os clientes 802.11g se conectem em um e os 802.11n se conectem a outro, a estratégia muda, pois você precisará usar SSIDs diferentes para diferenciar os dois e assim evitar que os clientes 802.11n se conectem no AP 802.11g. Nesse caso, o mais aconselhável é configurar o roteador 802.11n para operar em modo “11n only” e o 802.11g como “11g only” e usar nomes descritivos nos SSIDs, como por exemplo “GDH-g” e “GDH-n”.

Você pode também combinar APs operando na faixa dos 5 GHz com APs operando na faixa dos 2.4 GHz, aumentando ainda mais a banda disponível. Os clientes de 5 GHz desfrutariam então de uma conexão especialmente rápida e mesmo os clientes de 2.4 GHz veriam melhorias, já que o espectro passaria a ser dividido entre menos dispositivos. 

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