Hardware e drivers

Continuando o tour pelas funções do YaST, temos a seção Hardware, que concentra as opções relacionadas à configuração de dispositivos. Embora as ferramentas disponíveis sejam diferentes, você notará similaridades com as opções oferecidas no Centro de Controle do Mandriva:

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As coincidências acontecem por um motivo simples: por mais que as duas ferramentas tenham sido desenvolvidas de maneira independente, o trabalho a realizar é fundamentalmente o mesmo: apresentar as opções de configuração e carregar os módulos e as configurações relacionadas a partir das suas respostas. Enfim, os painéis são similares pelo mesmo motivo que leva todos os carros a terem quatro rodas e os aviões a terem sempre duas asas. 🙂

Voltando ao que interessa; como era de se esperar, o “Informações de Hardware” exibe informações sobre o hardware da máquina. O relatório é surpreendentemente detalhado, reunindo, essencialmente, todas as informações que estão disponíveis, dos device IDs aos módulos e endereços de IRQ usados por cada um. Apesar disso, a função do relatório é apenas informativa; toda a configuração é feita através das demais opções do painel.

Começando pelas opções mais básicas, temos as opções para a configuração do mouse e do teclado, que são, na verdade, atalhos para seções dentro do Sax2, que é o utilitário de configuração do vídeo. As configurações do mouse e do teclado fazem parte da configuração do X.org, daí a relação entre as opções.

Diferente do que pode parecer à primeira vista, o “Joystick” não se destina a configurar qualquer tipo de controles de jogos, mas apenas os controles analógicos antigos, que são ligados na placa de som. Os joysticks USB são detectados diretamente pelo sistema e por isso não precisam de configuração.

Na maioria dos casos, a configuração da placa de som não é segredo, mas, se encontrar problemas, você pode checar a configuração usando o “Sound“. Hoje em dia, quase todas as placas de som possuem drivers incorporados diretamente ao kernel, por isso, quando a placa de som não é detectada, o problema geralmente não é falta de drivers, mas sim alguma pendenga relacionada ao ACPI ou ao APIC, que geralmente pode ser solucionado com opções de boot.

Outra situação comum é usar um headset USB (como os vendidos para uso com o Skype) que são detectados pelo sistema como placas de som USB. Ao usá-los, você pode usar o YaST para definir qual será a placa de som primária, já que você passará a ter duas.

Outro utilitário bem específico é o “Dispositivo Infravermelho“, um assistente simples para ativar transmissores de infravermelho, que eram populares em notebooks até alguns anos atrás. Ele se encarrega apenas de ativar a porta; as demais funções (ativar a comunicação com um PDA, por exemplo) é feita usando algum aplicativo externo, como no caso do antigo Jpilot, que permitia a comunicação com Palms.

Ele permite também ativar os controles remotos fornecidos em conjunto com algumas placas de TV. Eles são suportados no Linux através do Lirc e alguns players de mídia (como o SMPlayer e o Audacious) podem ser configurados para serem controlados usando o controle.

Continuando, o OpenSUSE 11 oferece suporte a um bom número de leitores de impressões digitais, encontrados em notebooks e em alguns teclados, que são usados para fazer login no sistema, substituindo a senha. Nesse caso, você notará um ícone adicional, o “Leitor de impressões digitais“, que permite ativar o leitor. Para cadastrar as impressões digitais, acesse as propriedades do usuário dentro do “Segurança e usuários > Gerenciamento de Usuários e Grupo” e procure pelo plugin “Configuração de impressões digitais”.

Em seguida, temos as funções usuais para configurar impressoras, scanners e placas de som, além de um configurador para placas de TV. Assim como em outras distribuições, o OpenSUSE utiliza o Cups como servidor de impressão e o Sane para acesso a scanners. Graças ao udev e todas as melhorias no suporte a dispositivos plug-and-play, a detecção de impressoras e scanners USB deixou de ser um problema: desde que o dispositivo seja suportado, ele muito provavelmente será detectado durante a própria instalação.

Apesar disso, o “Printer” continua sendo necessário, já que além de permitir solucionar problemas e instalar a impressora manualmente (caso necessário), ele permite instalar impressoras de rede, além de ajustar as opções de impressão. Ao instalar uma impressora compartilhada por um servidor Samba ou por uma máquina Windows, marque a opção “Local Filtering”, que faz com que o sistema processe os trabalhos de impressão antes de enviá-los à impressora.

Se você tem uma multifuncional da HP, pode usá-la no Linux através do HPLIP, que é um utilitário open-source, desenvolvido pela própria HP, destinado a controlar as funções de impressão, escaneamento de imagens e fax (incluindo os drivers necessários), de forma a oferecer suporte completo às multifuncionais no Linux.

No caso das impressoras “simples” da HP, você tem a escolha de configurar a impressora diretamente através do Cups (que inclui os drivers desenvolvidos pela HP), ou também usar o HPLIP, que naturalmente também oferece suporte a elas.

Para instalar o HPLIP no OpenSUSE, instale os pacotes hplip e hplip-hpijs usando o YaST, como em:

# yast2 --install hplip hplip-hpijs

Provavelmente, você receberá um aviso de que o pacote hplip-hpijs conflita com o pacote hpijs-standalone (que é a versão com os drivers usados pelo Cups), mas isso é esperado. Basta removê-lo (yast2 –remove hpijs-standalone) e executar o comando novamente.

Com o HPLIP instalado, será criado um ícone para o “HP Device Manager” no iniciar, que abre o utilitário de administração. Você pode chamá-lo também via terminal, usando o comando “hp-setup“.

O pacote inclui também um gerenciador que fica disponível ao lado do relógio, oferecendo opções de monitoramento. Ele é aberto usando o comando “hp-systray“.

No caso de scanners de outros fabricantes, use o “Scanner” para checar a detecção. Se seu scanner USB não foi detectado automaticamente, experimente desplugá-lo e plugá-lo novamente e usar a opção “Other > Restart Detection”. Se não resolver, verifique qual é a versão do Sane que está instalada usando o gerenciador de pacotes (o OpenSUSE 11, por exemplo, usa o 1.0.19) e consulte a lista de compatibilidade do Sane no:
https://www.sane-project.org/sane-supported-devices.html

Continuando, o “Placa de Vídeo e Monitor” abre o Sax2, que é o configurador do ambiente gráfico. Além de oferecer uma interface de configuração, ele é também o utilitário encarregado de detectar a placa de vídeo e o monitor durante a instalação do sistema, ou sempre que são feitas alterações no hardware da máquina:

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O Sax2 é provavelmente o utilitário mais completo para a configuração do ambiente gráfico entre todas as distribuições Linux. Além das opções óbvias, como a resolução, profundidade de cor, mouse e teclado, ele oferece suporte a tablets, monitores touchscreen e suporte a vários monitores simultâneos, usando o Xinerama.

Se você usa um notebook e um projetor para apresentações, por exemplo, marque a opção “Ativar Modo de Cabeça Dupla” (vulgo Multihead) e, nas configurações escolha a opção “Multihead Clonado”, que faz com que o projetor simplesmente exiba uma cópia da imagem da tela principal. Acessando as opções para a placa de vídeo, você tem acesso a uma grande lista de opções para o vídeo, que são na verdade as opções da seção “Device” do arquivo xorg.conf, apresentadas de uma forma um pouco mais amigável.

Se você errar na configuração do vídeo e perder o acesso ao ambiente gráfico, basta se logar como root no terminal e chamar o “sax2” no terminal. Isso faz com que ele re-detecte a placa de vídeo e o monitor e abra uma instância minimalista do X, onde você pode acessar o utilitário gráfico. Se o problema for com a detecção da placa de vídeo (o que fará o Sax2 deixar de abrir, mesmo quando executado em modo texto), use o comando “sax2-vesa“, que carrega o X usando o driver VESA universal.

Se você está acostumado a reiniciar o ambiente gráfico pressionando “Ctrl+Alt+Backspace”, vai notar que a combinação não funciona mais a partir do OpenSUSE 11. Isso acontece por causa da linha Option “ZapWarning “on”, incluída no arquivo xorg.conf, destinada a evitar encerramentos acidentais. Para realmente finalizar o ambiente gráfico, é necessário pressionar o “Ctrl+Alt+Backspace” duas vezes, dentro de um período de 2 segundos.

O OpenSUSE não inclui os drivers para placas 3D da nVidia e da ATI, devido às licenças proprietárias, mas você encontra links 1-Click Install para os drivers nos links:

https://en.opensuse.org/NVIDIA
https://en.opensuse.org/ATI

O “1-Click install” é um sistema de instalação automatizada, inspirada no Klik do Knoppix. Ele é baseado no uso de “receitas”, disponibilizadas através de arquivos com a extensão “.ymp”, que são processados pelo gerenciador de pacotes, que se encarrega de executar os passos necessários para instalar um determinado programa ou driver, incluindo a configuração dos repositórios e qualquer outro passo adicional que seja necessário.

No OpenSUSE 10.3 em diante, os arquivos .ymp já são associados com o gerenciador de pacotes por padrão, de forma que ao clicar no link usando o Firefox, você recebe a opção de instalar:

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Para manter a segurança, o gerenciador solicita a senha de root e exibe um punhado de confirmações durante a instalação, detalhando as mudanças que serão feitas, importando chaves de verificação e assim por diante:

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No caso das placas nVidia, execute o comando “sax2 -r” depois de instalar o pacote para que a placa seja detectada. No caso do driver da ATI, é necessário executar (como root), o configurador da ATI, que se encarrega de detectar a placa e atualizar a configuração: “aticonfig –initial“.

Em ambos os casos, é necessário reiniciar o ambiente gráfico (pressionando “Ctrl+Alt+Backspace” duas vezes) para que o novo driver seja carregado.

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