Configuração básica do Debian

Tanto ao utilizar o KDE quanto ao utilizar o GNOME, você perceberá que a configuração do ambiente de trabalho no Debian não é muito diferente do que vimos no guia do Slackware (KDE 3.5) e do Ubuntu (GNOME).

Se você instalou o Debian Lenny usando a opção “desktop=kde” na tela de boot, o sistema foi configurado com uma versão vanilla do KDE 3.5.10, que lembra bastante o KDE usado no Slackware 12.2, que também é entregue
sem nenhuma personalização. O primeiro passo é abrir o Kcontrol e personalizar o ambiente. Não se esqueça de ajustar as fontes no “Aparência & Temas > Fontes”, ativando o antialiasing (que vem desativado por padrão) e configurando as demais opções
a seu gosto.

A partir daí, você pode aplicar as dicas do tópico de configuração, adicionando os repositórios adicionais e instalando os softwares que for utilizar. Ao contrário da crença popular, não existe uma grande diferença de
desempenho ao rodar alguns aplicativos GTK (como o Synaptic ou o Gimp) sobre o KDE. A biblioteca GTK é bastante leve e, se você está usando o Firefox ou o Iceweasel, já está com o GTK carregado de qualquer maneira.

O maior problema são aplicativos que dependem de um grande volume de bibliotecas e componentes do GNOME, como por exemplo o Evolution ou o Totem. Eles sim rodam com um grande overhead sobre o KDE, já que precisam carregar
todos os componentes na abertura. Entretanto, é muito fácil reconhecê-los, já que eles exigem uma longa lista de dependências ao serem instalados e demoram alguns segundos a mais para carregar.

Uma das coisas que você perceberá ao usar o KDE sobre o Debian, é que ele é muito mais leve que em outras distribuições (com exceção do Slackware, que é bastante otimizado), carregando muito rápido e consumindo pouca memória
RAM.

Parte disso se deve ao uso do KDE 3.5.10, que é consideravelmente mais leve que o KDE 4.x., mas o principal fator reside nas opções de compilação (e outras otimizações), combinada com uma escolha mais frugal das dependências
e componentes adicionais. O Debian carrega menos componentes durante o boot por default, o que deixa o sistema muito mais leve. Este é um dos motivos de muitas distribuições optarem por utilizar o Debian como base, em vez do Ubuntu, por exemplo.

Um ponto bastante positivo no Debian é a disponibilidade de diversos ambientes de trabalho, que você pode testar conforme quiser. Mesmo que tenha optado pela instalação do KDE ou do GNOME, você pode instalar e testar outras
interfaces de forma bastante simples usando o apt-get; basta instalar os pacotes correspondentes, como em:

# apt-get install lxde
# apt-get install xfce

Como de praxe, o apt se encarregará de instalar as dependências, resultando em uma instalação funcional do ambiente, que você pode selecionar na tela de login.

A principal vantagem de utilizar o Debian é justamente o brutal número de pacotes disponíveis nos repositórios, que são igualmente suportados por parte dos desenvolvedores, diferente do que temos no Ubuntu, onde apenas os
pacotes do repositório “main” recebem suporte oficial.

Depois de instalar a interface desejada, basta fazer um logoff para voltar ao KDM/GDM e alterar a interface usada no link das sessões, disponível no canto esquerdo inferior. Você pode também configurar o gerenciador para
fazer o login automaticamente através do Kcontrol (no caso do KDM) ou do gdmsetup (no caso do GDM).

Ao usar o GNOME, você notará que as opções do ambiente são muito similares às do Ubuntu, uma vez que a maior parte das opções de configuração e dos utilitários nada mais são do que utilitários do GNOME, que são encontrados
em qualquer distribuição baseada nele. O visual default é bastante espartano, mas você pode resolver isso rapidamente no “Sistema > Preferências > Aparência”

Assim como o Ubuntu, o Debian utiliza o apt-get e o aptitude como gerenciadores de pacotes. Você pode também instalar o Synaptic usando o “apt-get install synaptic” e atualizar todo o sistema usando o “apt-get upgrade”.

As únicas grandes mudanças com relação ao gerenciamento de pacotes são que o Debian não utiliza o gerenciador de atualizações do Ubuntu (você simplesmente atualiza o sistema diretamente através do apt-get/aptitude) e que,
naturalmente, os repositórios utilizados são diferentes.

Com relação ao vídeo, o Lenny utiliza o X.org 7.3 que, similarmente ao que temos nas versões recentes do Ubuntu e do Fedora, é capaz de detectar a resolução nativa do monitor automaticamente via DDC, dispensando configuração
manual. Não existe nenhum assistente para ajudar na instalação dos drivers da nVidia ou da ATI, mas você pode instalá-los da forma manual, ou usando as dicas que veremos a seguir.

As placas de vídeo onboard com chipset Intel são ativadas automaticamente (graças ao driver open-source da Intel, que é incluído ao X.org), de forma que você não precisa se preocupar muito com elas. O desempenho 3D fica
limitado aos recursos do hardware, mas funciona.

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