Chipsets para o Pentium D

Enquanto a série de chipsets 8xx foi destinada às placas soquete 478, a Intel projetou a série 9xx tendo em mente a então nova geração de placas soquete LGA-775, que entraram em produção a partir de 2004.

Ao contrário do que a Intel tentava dar a entender, não existia nenhuma diferença fundamental entre os dois soquetes (o barramento de dados continuou o mesmo) o que permitiu que os fabricantes produzissem algumas placas LGA-775 baseados no i865P, que era mais barato e oferecia um bom desempenho, mas tinha a grave desvantagem de não oferecer suporte a processadores dual-core.

A mudança mais radical trazida pelos chipsets da família 9xx foi a morte do barramento AGP, que deu espaço ao barramento PCI Express. Embora nem todos os chipsets da série 9xx ofereçam slots PCIe 16x para a conexão de placas 3D dedicadas, nenhum deles oferece suporte a slots AGP.

Uma observação importante é que nem todas as placas soquete 775 são compatíveis com os processadores Core 2 Duo. Toda a leva inicial de placas, produzidas em 2004 e 2005 (e também muitas das placas produzidas no início de 2006), não são diretamente compatíveis com os processadores baseados no core Conroe e sucessores.

Parte dessas placas utilizam componentes e um regulador de tensão compatíveis e precisam apenas de um upgrade de BIOS para suportar os processadores da nova plataforma. Mas, muitas utilizam reguladores de tensão incompatíveis e por isso não podem ser atualizadas. Para elas, o Pentium D é o limite.

Isso acontece porque o Core 2 Duo exige uma placa com um regulador de tensão compatível com a especificação VRM 11, que foi finalizada apenas em 2006. Mesmo que a placa utilize um chipset compatível e um BIOS atualizado, a questão do regulador de tensão tornou-se um obstáculo intransponível. A lista de placas incompatíveis inclui muitas placas baseadas nos chipsets i915, i925, i945, i955 e até mesmo nos chipsets i975X, nForce 4 SLI, SiS 661FX e outros, ou seja, inclui até mesmo placas baseadas em chipsets mais caros.

A série Intel 9xx: A leva inicial da série 9xx da Intel foi composta pelos chipsets da série 915 (a linha de baixo custo, usada na maior parte das placas) e pela linha 925X, destinada às placas de alto desempenho. Todos compartilham as mesmas opções de ponte sul, representadas pelos chips ICH6 e ICH6R. Uma das novidades em relação aos ICH anteriores foi uma versão atualizada do chipset de áudio integrado, que ganhou o suporte a streams de 24 bits e até 192kHz de definição. Ambos ofereciam 4 portas SATA e 1 porta IDE, mas o ICH6R incluía suporte a RAID.

A série 915 foi a mais segmentada, composta por 5 modelos. O 915P era um chipset dual-channel, que oferecia suporte a 4 GB de memória, bus de 800 MHz, PCI Express 16x e vinha sem vídeo onboard. O 915PL era uma versão de baixo custo, que vinha com um dos controladores de memória desativados. Além de não oferecer suporte a dual-channel, ele passou a suportar apenas 2 GB de memória.

Um exemplo de placa baseada no 915P é a ECS 915P-A da foto a seguir. Ela era uma placa curiosa, pois ao mesmo tempo em que tentava se posicionar como uma placa de alto desempenho, oferecendo um slot PCI Express 16x e dispensando o vídeo onboard, ela oferecia camadas de compatibilidade normalmente encontradas apenas em placas de baixo custo.

A primeira delas é o fato de ela oferecer a opção de utilizar módulos DDR-400 ou DDR2-533, com dois slots para cada tipo de memória. O problema é que você não podia misturar módulos dos dois tipos, de forma que ficava com apenas 2 slots utilizáveis. Como o 915P suporta módulos de até 1 GB, você acabava limitado a um máximo de 2 GB, seja qual fosse o tipo de memória escolhido.

A segunda era a presença do slot AGP-Express, uma gambiarra feita para permitir o uso de uma placa AGP, onde a alimentação elétrica de dois slots PCI é combinada para criar um slot AGP. Como este slot “AGP” é ligado ao barramento PCI, a performance de qualquer placa AGP ligada a ele é brutalmente reduzida, já que fica limitada ao barramento compartilhado de 133 MB/s oferecido pelo PCI.

O chipset de rede Intel, que faz parte do pacote do chipset 915P, foi substituído por um chip Realtek RTL8110S, ligado ao barramento PCI Express. Como em outras placas atuais, a ECS 915P-A possui 4 portas SATA, mas apenas uma interface IDE. A ideia era que você utilizasse HDs SATA, reservando a porta IDE para a conexão do drive de CD/DVD. Concluindo, a placa possui também dois slots PCI Express 1x e dois slots PCI:

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ECS 915P-A, baseada no chipset 915P

De volta aos chipsets, temos em seguida o Intel 915G, 915GV e 915GL. Os três possuem suporte a dual-channel e incluem um chipset de vídeo GMA 900 (Extreme Graphics 3) integrado. O 915G era a versão “completa”, que incluía os links PCI Express necessários para criar o slot 16x e oferecia suporte a memórias DDR2.

O 915GV carecia do slot PCI Express 16x (ele era destinado a placas de baixo custo, onde o vídeo integrado não seria substituído por uma placa dedicada), enquanto o 915GL abandonou também a compatibilidade com memórias DDR2, oferecendo suporte apenas à memórias SDR.

Existiu ainda o 910GL, um chipset de baixo custo (pouco usado), destinado a placas para o Celeron D. Ele utilizava um chipset de vídeo GMA 900, não oferecia o slot PCI Express 16x e ainda por cima suportava apenas o bus de 533 MHz utilizado pelo Celeron D, abandonando a compatibilidade com os processadores Pentium D e Pentium 4 com core Prescott. Devido a este conjunto de desvantagens ele acabou sendo virtualmente ignorado pelos fabricantes de placas, que preferiam utilizar os chipsets da SiS e VIA nas placas de baixo custo.

A família 925X é composta por apenas dois chipsets, o 925X (Alderwood) e o 925XE, ambos lançados em 2004. Eles são chipsets mais caros, destinados a substituir o 875P. Diferentemente dos chipsets da série 915, que suportavam tanto memórias DDR quanto DDR2, o 925X e o 925XE suportam apenas memórias DDR2, o que tornou a adoção de ambos um pouco mais lenta.

Ambos oferecem slots PCI Express 16X e não possuem vídeo onboard. A diferença é que o 925X oferece suporte apenas a processadores com bus de 800 MHz, enquanto o 925XE é uma versão atualizada, com suporte a bus de 1066 MHz.

A seguir temos o diagrama de blocos do 925X. O chip MCH inclui 16 linhas PCI Express, usadas pelo slot PCIe 16x e os dois controladores DDR2, responsáveis pelo suporte a dual-channel. Interligando as pontes norte e sul, temos um barramento DMI, que oferece uma banda de 2 GB/s. Ele é necessário, pois além de incluir as portas Serial-ATA, barramento PCI, portas USB e outros dispositivos integrados, o chip ICH disponibiliza 4 linhas PCI Express adicionais, que são utilizadas pelos slots PCI Express 1x. Opcionalmente, uma das linhas pode ser utilizada para conectar um chipset de rede gigabit externo, como no caso da ECS 915P-A:

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Diagrama de blocos do i925X

Os chipsets i915 e i925X possuem uma curiosa “proteção contra overclock” adicionada intencionalmente pela Intel. Ao tentar aumentar a frequência de operação da placa em mais de 10% o mecanismo entra em ação e a placa simplesmente reinicia sem aviso.

A ideia original seria convencer o usuário de que ele tentou realizar um overclock excessivo e assim convencê-lo a se conformar em ficar dentro da margem de 10%. Este foi apenas mais um exemplo de “castração voluntária” de produtos por parte da Intel.

Apesar disso, a Asus e a Abit, seguidas pelos demais fabricantes, rapidamente encontraram formas de burlar o sistema de proteção, utilizando uma série de truques para oferecer placas soquete 775 capazes de trabalhar de forma estável a frequências bem acima do especificado, permitindo ajustar de forma independente a frequência de barramentos sensíveis (como o PCI Express). Atualmente, praticamente todas as placas do mercado incorporam estes mecanismos, de forma que a trava incluída nos chipsets acabou se tornando apenas uma história curiosa.

Em 2005 foi lançada a família 945, composta pelos chipsets 945G, 945P e 945PL, que incluíram suporte aos processadores Pentium D, lançados na mesma época. Assim como os chipsets da série 925, os três ofereciam suporte exclusivo a memórias DDR2, com direito a dual-channel e suporte a até 4 GB de memória e slots PCI Express 16x.

O 945G incorporou um chipset de vídeo onboard, o GMA 950 (versão levemente atualizada do GMA 900 usado na série 915) enquanto o 945P e o 945PL eram destinados a placas sem vídeo onboard. Assim como outros chipsets cujos nomes terminam com a letra “L”, o 945PL foi uma versão de baixo custo, que oferecia suporte a apenas 2 módulos de memória (com suporte a dual-channel) e um máximo de 2 GB.

Os três chipsets eram compatíveis com o ICH7, que trouxe suporte a portas SATA 300 e aumentou o número de linhas PCI Express de 4 para 6. Existia ainda a opção de utilizar o chip ICH7R, que, como de praxe, incluía suporte a RAID.

Pouco depois, chegaram ao mercado os chipsets 955X e 975X. Ambos ofereciam suporte a bus de 1066 MHz e a processadores dual-core. O suporte a dual-channel e a memórias DDR2 foi mantido e o máximo de memória suportado foi ampliado para 8 GB (4 módulos de até 2 GB cada). Um recurso interessante oferecido por eles (e pelos demais chipsets Intel dual-channel daí em diante) é o Intel FlexMemory, que permite o uso do dual-channel mesmo ao utilizar dois módulos de capacidades diferentes.

A principal diferença entre os dois residia na configuração das linhas PCI Express disponíveis no chip MCH. O 955X suportava um único slot PCI Express 16x, enquanto o 975X oferecia a opção de utilizar dois slots PCI Express 16x (ao utilizar ambos simultaneamente, cada um ficava com 8 linhas de dados), o que permitia o desenvolvimento de placas-mãe com suporte a duas placas de vídeo ATI em modo CrossFire.

Inicialmente, era possível utilizar também placas nVidia em modo SLI, mas esta possibilidade foi logo removida pela própria nVidia, que incluiu proteções nos drivers para que o SLI funcionasse apenas em placas-mãe baseadas em seus chipsets. Com a fusão da ATI e a AMD, criou-se uma situação estranha, onde a Intel passou a oferecer suporte ao CrossFire, que seria o padrão do “concorrente”, enquanto a nVidia ficou isolada, permitindo que o SLI fosse utilizado apenas em conjunto com seus próprios chipsets.

nVidia nForce 4 e nForce 5xx: Entre os chipsets dos demais fabricantes, o destaque ficou por conta dos chipsets da nVidia, que apesar das relações hostis com a Intel foi capaz de produzir bons chipsets para a plataforma. Parte dos atritos surgiram devido à relutância da nVidia em licenciar o padrão SLI para o uso nos chipsets da Intel, preferindo oferecer o recurso apenas em seus próprios chipsets. Isso deixou a Intel em desvantagem entre os chipsets de alto desempenho, já que eles não suportavam o uso de duas placas nVidia em SLI.

Inicialmente, a nVidia era apenas um fabricante de placas 3D. Com o lançamento do nForce, passaram a fabricar também chipsets, mas no começo apenas para processadores AMD. A partir do nForce 4, todas as versões do nForce passaram a ser produzidas em duas versões, uma para processadores Intel e outra para processadores AMD. As duas versões eram sempre diferentes, devido à mudança no barramento utilizado e à necessidade de incluir o controlador de memória na versão para processadores Intel. Nos processadores AMD de 64 bits, o controlador de memória era incluído diretamente no processador, o que simplificava muito o design do chipset.

O principal diferencial dos chipsets da nVidia em relação aos da Intel e dos demais fabricantes era o suporte a SLI. Os chipsets Intel suportam apenas o CrossFire, enquanto os VIA e SiS não suportavam nenhum dos dois padrões.

Tudo começou com o nForce4 SLI Intel Edition, lançado em maio de 2005. Ele era um chipset destinado ao público entusiasta, que incluía 4 portas SATA 300 (com suporte a RAID), suporte a memórias DDR2 em dual-channel, rede gigabit e suporte a bus de 1066 MHz, um conjunto de recursos bastante avançado para a época.

Ao contrário da versão para processadores AMD, ele seguia a divisão clássica em ponte norte (chamada pela nVidia de SPP) e ponte sul (MCP), onde os dois chips eram interligados através de um link HyperTransport. O SPP incluía um total de 20 linhas PCI Express, o que permitia a criação de placas com dois slots x16 (com 8 linhas de dados cada), para a conexão das duas placas de vídeo em SLI e a criação de mais três slots PCIe x1 para a conexão de outros periféricos.

Aqui temos o diagrama de blocos do chipset. Veja que, ao contrário da maioria dos chipsets, todas as linhas PCI Express eram concentradas no SPP, incluindo as três linhas reservadas para os slots 1x:

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Diagrama de blocos do nForce4 SLI Intel Edition

Diferente dos chipsets Intel, onde a interface de rede gigabit é fornecida na forma de um chip externo (o que faz com que muitos fabricantes optem por substituí-lo por um chip mais barato, como os da Realtek e Marvell), nos chipsets da nVidia a interface de rede era integrada ao MCP e ligada diretamente ao barramento HyperTransport.

Como em outros chipsets da nVidia, ele incluía também o ActiveArmor (um aplicativo de firewall que trabalha em conjunto com o driver) e um sistema de inspeção de pacotes, incluído no próprio chipset de rede. Em teoria, ele era um pouco mais seguro que firewalls for Windows, que trabalham apenas na camada de software (Norton, ZoneAlarm e outros). Apesar disso, ele não era usado no Linux, pois o sistema já inclui um firewall próprio, o IPtables.

O nForce4 foi posteriormente atualizado, dando origem ao nForce4 SLI X16, versão que incluía nada menos que 40 linhas PCI Express, permitindo a criação de dois slots PCI Express 16x “reais”, ao invés de dois slots com 8 linhas cada, como na versão anterior. Apesar de interessante do ponto de vista técnico, o uso de 16 linhas para cada placa (em vez de 8), não resultava em ganhos significativos de desempenho, já que (ao contrário de muitas placas atuais) as placas 3D da época não chegavam a saturar o barramento, mesmo a 8x.

Apesar de ser superior aos chipsets i915 e i925, que eram seus concorrentes diretos, o nForce4 acabou sendo usado em um número relativamente pequeno de placas, pois era um chipset caro e novo no mercado. No início de 2006 a nVidia atualizou a linha, lançando o 570 SLI. Pouco depois, em julho de 2006, lançou o 590 SLI, que acabou sendo vendido em quantidades limitadas.

O 570 SLI era a versão “mainstream”, que, assim como o nForce4 SLI, incluía 20 linhas PCI Express, que permitem o uso de um único slot x16 e mais 4 slots x1, ou 2 slots x8 para instalação de duas placas em SLI e mais 3 slots 1x. No caso das placas com dois slots, o chaveamento passou a ser feito automaticamente, via software, de forma que ao instalar uma única placa 3D, o BIOS da placa-mãe reservava as 16 linhas para ela e, ao instalar duas, cada uma ficava com 8 linhas. O 570 SLI manteve o suporte a memórias DDR2 em dual-channel, às 4 interfaces SATA 300 com suporte a RAID e à interface Gigabit Ethernet.

O 590 SLI foi uma versão high-end, que incluía nada menos que 48 linhas PCI Express. Ele permitia a criação de placas com três slots para a conexão de placas de vídeo (dois deles com 16 linhas e o terceiro com 8 linhas), onde os dois primeiros permitiam a conexão de duas placas em SLI e o terceiro permitia a conexão de uma aceleradora de efeitos physics (uma classe de placas que acabou se tornando obsoleta com a incorporação dos recursos diretamente nas GPUs) ou de uma placa de vídeo terciária, para o uso de monitores adicionais. Era possível usar até 6 monitores (dois em cada placa), uma possibilidade que passou a ser comum em placas high-end produzidas daí em diante:

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Configuração com 3 placas de vídeo (duas em SLI) e seis monitores

O 590 SLI incluía ainda 6 interfaces SATA 300 com suporte a RAID e duas placas de rede gigabit, completando o conjunto. Além de usar as duas interfaces de rede para compartilhar a conexão, existia ainda a possibilidade de combinar as duas interfaces, criando uma única interface lógica de 2 gigabits usando o DualNet, mais um software fornecido como parte do coquetel de drivers e utilitários. Neste caso, você usaria dois cabos de rede e duas portas no switch, mas as duas placas se comportavam como se fossem uma, compartilhando o mesmo endereço IP. No Linux você utilizaria o módulo “bonding” do Kernel para obter o mesmo efeito (neste caso usando placas de qualquer fabricante). Este truque de unir duas placas de rede é muito usado em servidores de arquivos, de forma a aumentar a banda de rede do servidor. Como o 590 SLI era um chipset caro, destinado a PCs de alto desempenho, o suporte às interfaces IDE deixou de ser uma prioridade, o que fez com que uma das interfaces fosse sacrificada.

Toda a série nForce inclui ainda um chipset de som onboard. O nForce4 SLI utiliza um chipset padrão AC97, enquanto o nForce5 e o nForce6 utilizam o Azalia, um chipset HDA de alta definição.

Chipsets da VIA e SiS: Devido aos problemas legais com relação ao uso do barramento do Pentium 4, a VIA perdeu uma boa parte da participação que tinha dentro do mercado de placas para processadores Intel. Eventualmente a questão foi resolvida, mas a VIA nunca se recuperou da fase ruim, acabando por abandonar o ramo de chipsets em 2008, depois de passar quase dois anos sem atualizar sua linha.

Os primeiros chipsets da VIA para placas soquete 775 foram o VIA P4M800 e o VIA P4M800 Pro, versões aprimoradas do antigo PT800. A principal diferença entre os dois era que o P4M800 incluía um controlador de memória single-channel, com suporte a apenas memórias DDR, enquanto o P4M800 Pro incluía dois controladores (ambos single-channel) com suporte simultâneo a memórias DDR e DDR2. Isso permitiu que os fabricantes produzissem placas de transição, com slots para os dois tipos de memória, transformando o P4M800 Pro em um chipset relativamente popular durante um certo tempo. O grande problema é que estes dois chipsets não ofereciam suporte a PCI Express, o que fez com que fossem logo substituídos.

Surgiram então os chipsets VIA PT890, VIA P4M890 e VIA P4M900, que representaram a safra final. A principal diferença entre eles e os antecessores era o suporte ao barramento PCI Express, combinado com o suporte a até 4 GB de memória DDR2 (módulos de até 2 GB) e suporte a bus de 1066 MHz, que mais tarde viria a ser utilizado pelos processadores Core 2 Duo.

Tanto o P4M890 quanto o VIA P4M900 incluíam vídeo onboard. A principal diferença entre eles era que o P4M890 usava um chipset VIA UniChrome Pro, enquanto o P4M900 era baseado no VIA Chrome 9, uma versão aperfeiçoada. Como de praxe, o PT890 foi a versão stand-alone, destinada às placas sem vídeo onboard.

Um dos problemas com estes três chipsets era que eles careciam de um controlador de memória dual-channel. Para piorar, eles suportavam apenas memórias DDR2-400 e DDR2-533 (você podia perfeitamente usar um módulo DDR2-800 ou mais rápido, mas ele ficaria restrito às frequências suportadas pelo chipset). O PT890 se destacava um pouco por oferecer suporte a memórias DDR2-667, mas ainda sem suporte aos padrões mais rápidos.

O fraco controlador de memória penalizava o desempenho duplamente: primeiro pelo fato de não suportar o uso de frequências mais altas e segundo por não suportar o uso de dual-channel, o que fazia com que as placas baseadas nos dois chipsets fossem perceptivelmente mais lentas do que as baseadas em chipsets nForce 5xx, suas principais concorrentes. Aqui temos o diagrama de blocos do PT890:

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Pelo diagrama, você pode notar que o chipset oferece suporte tanto a memórias DDR quanto DDR2, de forma que também existiram algumas placas baseadas nele com suporte a ambos os padrões. A ponte sul, representada pelo chip VIA VT8237A incluía duas portas ATA/133 e duas portas SATA 150, com suporte a RAID 0 e 1. Na época, era muito comum que os fabricantes incluíssem um controlador SATA externo, com o objetivo de oferecer duas portas SATA 300 adicionais. O chipset de rede 10/100 incluído no chipset era também frequentemente substituído por um controlador gigabit externo.

Na Asus P5VD2-X, por exemplo, era usado um controlador JMicron JMB363. Uma das portas era posicionada próxima ao painel traseiro e a segunda foi transformada em uma porta external SATA, presente no painel ATX:

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O controlador JMicron e a terceira porta SATA

O maior problema com este design era que a placa incluía dois pares de portas RAID separadas, sem integração entre si. Ambas as controladoras ofereciam suporte a RAID apenas dentro de cada par, ou seja, você podia criar um array entre dois HDs instalados nas duas portas frontais, ou entre o HD instalado na terceira porta e a porta external SATA. Não era possível criar um array com mais de dois discos, a não ser via software, usando os utilitários incluídos no Linux ou Windows, nesse caso dispensando o trabalho das controladoras.

A VIA lançou também um chipset de “transição” entre o AGP e o PCI Express, o VIA PT880 Ultra. Ele oferecia como vantagens o uso de um controlador de memória com suporte a dual-channel e suporte simultâneo ao barramento PCI Express e ao AGP. Ele manteve também o suporte simultâneo a memórias DDR e DDR2, o que permitiu o desenvolvimento de placas “curinga”, que ofereciam suporte simultâneo aos dois padrões de barramento de vídeo e de memória.

Um exemplo de placa baseada nele é a Asus P5VDC-X. Além de oferecer simultaneamente um slot AGP 8x e o PCI Express x16, ela também oferecia suporte simultâneo a memórias DDR e DDR2 (dois slots para cada tipo):

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Asus P5VDC-X

O maior problema com o PT880 Ultra é que ele era um chipset caro e por isso as placas baseadas nele são bastante raras. No lugar da P5VDC-X você normalmente vai encontrar a P5VDC-MX, que apesar do nome similar, é uma placa completamente diferente, baseada no chipset VIA P4M800 Pro.

Concluindo, temos os chipsets da SiS. Ela oferece os chipsets SiS 649, SiS 649FX, SiS 656, SiS 656FX e SiS 661FX, que foram atualizações da linha anterior, destinadas às placas soquete 478.

O SiS 661FX era o carro chefe, usado em diversos modelos de placas de baixo custo. Ele incluía um chipset de vídeo SiS Mirage e suportava até 3 GB de memória DDR2. Ele ainda utilizava um slot AGP 8x (sem PCI Express) o que, ao invés de atrapalhar, acabou aumentando a sobrevida do chip, já que todos os outros fabricantes migraram rapidamente para o PCI Express, criando uma demanda considerável por placas de baixo custo com slots AGP. O 661FX é o mesmo chipset que vimos no tópico anterior, ele foi apenas atualizado para suportar processadores soquete 775.

Os chipsets SiS 649, SiS 649FX, SiS 656 e SiS 656FX são as versões sem vídeo onboard e com suporte a um slot PCI Express 16X. Os dois da série 649 suportam até 2 GB de RAM (single channel), enquanto os 656 suportam 4 GB, com dual channel. Os FX (649FX e 656FX) suportam bus de 1066 MHz, enquanto os outros dois suportam apenas 800 MHz.

Os chipsets da linha (649FX, 656FX e 661FX) ofereciam suporte a bus de 1066 MHz, enquanto os demais suportam apenas 800 MHz. Além do suporte a PCI Express, estes 4 chipsets utilizavam os chips SiS965 e SiS966 (o fabricante da placa escolhia qual usar) como ponte sul, enquanto o 661FX (que apesar da numeração é mais antigo que eles) utilizava o SiS964.

Os dois novos chips incluíam 4 interfaces SATA, além de suporte a RAID e interface Gigabit Ethernet (opcionais). Ao contrário dos chipsets intel, eles mantêm o suporte nativo a portas IDE, o que representa uma pequena economia de custos para os fabricantes de placas, que não precisam usar um controlador adicional.

O próximo foi o SiS 671FX, uma versão atualizada do 661FX, que incluiu suporte a bus de 1066 MHz, duas interfaces SATA 300 (com suporte a RAID 0 e 1), uma atualização no vídeo integrado (passou a ser usado o chipset SiS Mirage 3) e um chipset de rede gigabit. Ele incluiu também suporte a módulos DDR2 de 2 GB (o 661FX suportava módulos de 1 GB), até um máximo de 4 GB. O AGP foi também substituído por um total de 20 linhas PCI Express: 16 na ponte norte, para o slot x16 e mais 4 na ponte sul, usadas para a conexão do chipset de rede e por até 3 slots x1.

Um exemplo de placa de baixo custo baseada no 671FX é a Asus P5S-MX SE. Por ser uma placa micro-ATX, ela inclui apenas 4 slots, sendo um slot PCIe 16x, 2 slots PCI e apenas 1 slot PCIe 1x. Como outras placas baseadas no chipset, ela inclui apenas dois encaixes para módulos de memória e suporta apenas módulos DDR2.

O suporte a módulos de 2 GB incluído no chipset veio a calhar, pois ele permitiu o uso de dois módulos de 2 GB, totalizando 4 GB mesmo com apenas dois módulos. Além do kit tudo-onboard (vídeo, som, rede, etc.), ela inclui as duas portas SATA e uma porta IDE. Veja que a bendita porta para o drive de disquetes continua presente (ao lado do segundo slot PCI), sobrevivendo à passagem do tempo:

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Asus P5S-MX SE, baseada no SiS 671FX

Embora a SiS não tenha passado pelos problemas de licenciamento da VIA, o desenvolvimento dos chipsets acabou ficando estagnado a partir de então, o que fez com que os chipsets fossem relegados apenas às placas mais baratas.

Embora tenham sido originalmente destinados ao Pentium D e Celeron D, estes chipsets podem ser também usados em conjunto com o Core 2 Duo (desde que os reguladores de tensão e o BIOS da placa-mãe sejam compatíveis) o que fez com que eles continuassem sendo usados em placas de baixo custo ao longo de 2006, 2007 e 2008, muito além do que seria normal. Apesar disso, a arquitetura ultrapassada e os problemas crescentes relacionados aos drivers fizeram com que eles se tornassem cada vez mais raros.

Continua em: https://www.hardware.com.br/guias/processadores-64bits/

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