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O rolê aleatório: Há 25 anos, Bill Gates e The Rock anunciavam o Xbox na CES 2001; relembre como foi

Há 25 anos, Gates e The Rock revelaram o Xbox no CES 2001. Console tinha Pentium III 733MHz, HD de 8GB e um problema de fabricação; relembre.

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Resumo rápido!

Nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, completa exatamente 25 anos desde que Bill Gates puxou uma cortina de cetim preto no palco do Hilton Theater, em Las Vegas, e mostrou ao mundo a caixa preta que seria o primeiro console da Microsoft: o Xbox. O produto foi apresentado ao lado dele, Dwayne “The Rock” Johnson — ainda uma estrela da WWE e não o magnata de Hollywood atual.


O teatro e o momento

Em 6 de janeiro de 2001, às 11h da manhã (horário local), o keynote da Microsoft no CES 2001 começou com 80 minutos de demos esquecíveis sobre Pocket PCs e reconhecimento de voz. Bill Gates não era o palestrante carismático que apresentações tech exigiam — e ele sabia disso. A estratégia da Microsoft para o grand finale foi simples: trazer celebridade, mostrar hardware e deixar os jogos falarem.

Quando Gates finalmente disse “pela primeira vez, deixem-me revelar o Xbox”, ele removeu o tecido e revelou o console posicionado sobre um pedestal na altura do ombro. Embaixo, encapsulado em acrílico, estava o infame controle Duke.

Console Xbox original preto sob uma cobertura, com controle verde e logo do Xbox em um pedestal durante a apresentação da CES 2001

Na plateia aproximadamente 100 pessoas, desenvolvedores, publishers e imprensa especializada que a Microsoft precisava conquistar.

O ceticismo que ninguém admitia

Apresentação do Xbox original em palco, com um console preto sobre um pedestal de vidro e um controle ao lado, enquanto um homem de camisa azul aponta para o p…

A revista Popular Mechanics capturou a tensão do momento em sua edição de abril de 2001com uma pergunta brutal: “Este rei do software realmente consegue entregar um produto que, no passado, tem sido a joia das empresas de hardware japonesas?”. A dúvida era legítima. Microsoft tinha zero experiência em fabricação de hardware de consumo em massa.

O discurso do The Rock (e por que ele estava lá)

Dwayne Johnson tinha 28 anos e estava meses antes de estrear no cinema com O Retorno da Múmia. Sua presença era calculada: a Microsoft queria associar o Xbox à masculinidade “adulta”, diferente do GameCube (visto como infantil) e do PS2 (teen). A fala de The Rock foi a seguinte:

“O Xbox é tudo que The Rock é. De ponta, poderoso, eletrizante, e como The Rock, será a coisa mais eletrizante lançada este ano. O que The Rock é para o entretenimento esportivo na WWF, o Xbox será para a indústria de videogames: uma revolução e certamente um original”

Ficha técnica (Xbox/2001)

  • Processador:  Intel Pentium III “Cobre Mina” rodando a 733 MHz;
  • Chip gráfico: NVIDIA MCPX3, de 233 MHz, com suporte ao DirectX 8;
  • RAM: 64 MB de RAM DDR de 128-bits;
  • Disco rígido: HD de 8 GB e 10 GB;
  • Player: Unidade de DVD-ROM (leitor de DVD) para jogos e filmes em DVD, suporte para CDs de áudio e CD-ROMs;
  • Chip de áudio: MCPX (256 canais estéreo), suporte para som surround DolbyDigital 5.1, tanto para reproduzir DVDs quanto para jogos;
  • Rede: placa Ethernet 10/100Mbit; suporte para Xbox Live
  • Portas: alimentação, 4 conexões para controle, porta RJ45, porta AV multi-uso para áudio e vídeo;
  • Joystick: ergonômico com direcional em 8 sentidos, gatilhos na parte superior, seis botões, dois slots para cartões de memória e motor de vibração para efeitos
  • Dimensões: 26 cm × 32 cm × 10 cm;
  • Peso: 3,4 Kg.

O elefante na sala: fabricação

Gates foi surpreendentemente honesto sobre o calcanhar de Aquiles do Xbox: a manufatura. Em entrevista à Popular Mechanics, ele admitiu que “peças rápidas o suficiente que a Sony tinha quando o PlayStation 2 foi lançado não estão prontamente disponíveis para uma empresa que não vai depender exclusivamente de um único fornecedor”

A Sony controlava sua cadeia de fornecimento verticalmente, fabricava chips, drives ópticos e até TVs em suas próprias fábricas. A Microsoft dependia de múltiplos fornecedores no México, Hungria, Singapura e outros locais asiáticos. Essa estratégia multi-supplier garantia volume, mas criava inconsistências de controle de qualidade.

Aproximadamente 25% das primeiras unidades do Xbox tinham problemas com drives de DVD que não liam discos consistentemente. A Microsoft substituiu milhões de unidades sob garantia, um custo que, somado ao prejuízo por console vendido (cada Xbox custava US$ 425 para fabricar e vendia por US$ 299), sangrou bilhões do balanço financeiro.

O controle esquecido

Controle preto do Xbox original da Microsoft, com logo verde da marca e botões coloridos A, B, X e Y, sobre fundo verde

O Duke, encapsulado em acrílico no palco, tinha seis botões do lado direito com “resolução de 8 bits para controle mais fino”. Na teoria, isso permitia detectar 256 níveis de pressão. Na prática, a geometria do controle era um desastre.

O controle era grande demais até para adultos. A Microsoft lançou o Controller S apenas três meses depois nos EUA como resposta às reclamações. 

As demos que venderam o sonho

Seamus Blackley, cocriador do Xbox e responsável técnico da apresentação, escolheu dois títulos para demonstrar no palco: Oddworld: Munch’s Oddysee e Malice. Ambos rodavam em devkits com 20% da potência final, mas exibiam iluminação dinâmica, sombras em tempo real e dezenas de criaturas simultâneas na tela.

Enquanto o público focava no console, Seamus Blackley subiu ao palco usando sapatos vermelhos brilhantes. Não era moda. Era um código secreto para os desenvolvedores presentes.

Dois homens no palco de um evento de tecnologia, com uma TV de tubo e aparelhos de som ao fundo; um deles gesticula enquanto fala

Na época, a cor vermelha pura era proibida em jogos porque sobrecarregava o circuito de cor das TVs NTSC. Ao usar “vermelho ilegal” no palco, Blackley sinalizava aos programadores que a equipe do Xbox entendia as sutilezas técnicas do desenvolvimento de jogos — uma resposta direta ao ceticismo sobre “a Microsoft malvada” invadindo o mercado de consoles. Blackley revelou anos depois: “A ideia da Microsoft fazer um console de jogos era incrivelmente impopular. O desprezo e ódio pelos produtos Microsoft eram coisas grandes que eu tinha que lidar para fazer as pessoas criarem jogos para o console.”

A chegada ao mercado

O console foi lançado em 15 de novembro de 2001 nos EUA, a US$ 299. Vendeu 24 milhões de unidades em toda sua vida útil, respeitável para uma estreia, mas esmagado pelos 150 milhões do PS2. A Microsoft descontinuou o console original em 2005 para focar no Xbox 360, que chegou um ano antes do PS3 e vendeu 84 milhões de unidades.

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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