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Hardware em 2025: os lançamentos que chamaram a atenção e a crise de RAM que abalou o mercado

Confira os principais lançamentos de hardware em 2025: processadores, placas de vídeo, as tendências que marcaram o ano.

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O fim de ano é tempo de retrospectiva, e o mundo do hardware não ficou sem novidades em 2025. Processadores ganharam novas linhas sem mudanças radicais de arquitetura, placas de vídeo subiram de patamar em consumo e desempenho, e a Nintendo finalmente entregou o Switch 2 que os fãs esperavam há anos.

Mas nem tudo foram flores. O segundo semestre trouxe uma crise de memória que fez os preços de RAM dispararem, e a escassez de componentes começou a pesar no bolso de quem monta PC ou compra notebook, e seguirá assim em 2026. Neste artigo revisitamos alguns pontos importantes do mercado de hardware que aconteceram ao longo de 2025. Me acompanhe nessa retrospectiva.

Processadores: mais variedade, mesma base

Intel e AMD passaram 2025 expandindo suas linhas de processadores sem lançar arquiteturas completamente inéditas. Em janeiro, a Intel ampliou a família Core Ultra 200, que estreou com os chips Lunar Lake focados em eficiência, para incluir os Arrow Lake voltados a notebooks mais versáteis, desde ultrabooks até notebooks gamers e workstations móveis. O detalhe curioso é que o bloco NPU desses Arrow Lake ficou em 13 TOPS, abaixo dos requisitos para o selo Microsoft Copilot+ PC, algo que nos Lunar Lake era destacado como diferencial.

Processador Intel Core Ultra com logotipo da marca sobre fundo azul em destaque, em close de chip

Do lado da AMD, a linha Ryzen AI 300 ganhou reforços para o segmento mainstream com o chip Krackan Point, mantendo um NPU de 50 TOPS para acelerar tarefas de IA mesmo com menos núcleos x86 e GPU integrada mais enxuta que os Strix Point. Para quem busca desempenho máximo em mobilidade, a AMD trouxe os Ryzen 9000HX com arquitetura Zen 5 e o Ryzen 9 9955HX3D equipado com 3D V-Cache, posicionado como o processador móvel mais rápido para jogos.

A aposta mais ousada da AMD em 2025 foi o Ryzen AI Max 300, codinome Strix Halo. Esse APU traz uma GPU integrada turbinada com controlador de memória LPDDR5X-8000 de 256 bits, capaz de trabalhar com até 128 GB de RAM e reservar 96 GB só para a parte gráfica. O resultado é uma iGPU que rivaliza com placas dedicadas de entrada e chama atenção para rodar modelos grandes de IA localmente. O custo disso? TDP de até 120 W, o que levou alguns fabricantes a lançar portáteis gamers baseados no Strix Halo sem bateria integrada, usando o espaço para reforçar o sistema de refrigeração.

Processador AMD Ryzen AI com encapsulamento metálico sobre fundo azul com ilustração de circuitos

No desktop, a AMD roubou a cena com o lançamento dos processadores Ryzen 9 9900X3D e Ryzen 9 9950X3D equipados com tecnologia 3D V-Cache. O modelo de 16 núcleos, o Ryzen 9 9950X3D, chegou ao mercado em março, posicionando-se como uma CPU fortíssima capaz de entregar desempenho tanto em jogos quanto em cargas de trabalho pesadas de produtividade. Com 128 MB de cache L3 total e frequências que alcançam 5,7 GHz, o chip ficou praticamente empatado com o Ryzen 7 9800X3D em gaming, mas com vantagem expressiva em tarefas multi-thread.

Processador AMD Ryzen 9 9950X3D da série Ryzen 9000, com a legenda "The world's best processor for gamers and creators" e anúncio na CES 2025

Do lado da Intel, o cenário foi menos animador. A empresa limitou-se ao lançamento de versões de 35 W e 65 W dos processadores Core Ultra 200 para desktop. Para 2026, rumores apontam um refresh da linha Arrow Lake com modelos “Plus” que trarão pequenos aumentos de clock e suporte a DDR5-7200, mas sem mudanças significativas de arquitetura.

Blackwell: a nova era das placas de vídeo da NVIDIA

Placa de vídeo NVIDIA GeForce RTX 5090 em destaque, com o logotipo GeForce RTX visível, sobre fundo escuro com ondas verdes

No front de GPUs para consumidores, a mudança para a arquitetura Blackwell elevou a barra. A RTX 5090 e cia chegaram com TGP elevado — a flagship pulou de 450 W para 575 W. O chip GB202 que equipa a RTX 5090 conta 92,2 bilhões de transistores, 21% a mais que o AD102 da geração anterior.

A NVIDIA redesenhou completamente o sistema de refrigeração dos modelos Founders Edition, com o novo cooler Double Flow Through, que permite fluxo de ar direto através do radiador sem a placa de circuito impresso no caminho. O PCB foi dividida em módulos: um para GPU e memória GDDR7, outro para o conector PCI Express 5.0 x16 e as saídas de vídeo. Resultado: a RTX 5090 Founders Edition ocupa apenas dois slots, apesar dos 575 W.

Placa de vídeo GeForce RTX da Nvidia com fluxo duplo de ar, mostrando setas verdes de ar passando pelos dois ventiladores e os textos "Double Flow Through" e "…

Com o lançamento da linha RTX 50, a NVIDIA consolidou uma posição dominante no mercado de GPUs. Estimativas apontam que a empresa controla mais de 90% das vendas de placas gráficas. No segmento de notebooks gamer, a dominância é ainda maior, já que AMD e Intel não lançaram concorrentes diretos para os GPUs móveis Blackwell neste ano.

AMD Radeon RX 9070: a aposta em RDNA 4

Placa de vídeo AMD Radeon com três ventoinhas e carcaça preta e prateada, vista de cima sobre fundo branco

 

A AMD lançou a família RDNA 4 para desktops, com a nova nomenclatura RX 9070 XT (e variantes) para enfrentar as RTX 5070. Ainda assim, manteve a memória GDDR6 em vez de pular para GDDR7, o que alimenta o debate sobre a performance relativa entre as duas marcas. 

O resultado nas lojas foi ainda mais impressionante. A CEO da AMD, Lisa Su, declarou que a RX 9070 XT é a GPU de maior sucesso da história da linha Radeon, com demanda que superou em 10 vezes as vendas iniciais das gerações anteriores na primeira semana após o lançamento. 

No Japão, o impacto foi particularmente notável: a participação de mercado da AMD no país atingiu 45%, possivelmente referindo-se às vendas da geração atual de GPUs. A arquitetura RDNA 4 trouxe ganhos significativos em ray tracing, e o pacote de tecnologias FSR Redstone praticamente alcançou o DLSS da NVIDIA, eliminando uma das principais vantagens históricas da concorrente

No segmento de placas mais acessíveis, os compradores este ano votaram com o bolso a favor de modelos com mais memória de vídeo. As versões de 8 GB da RTX 5060 Ti e da RX 9060 XT venderam muito menos que as versões de 16 GB — o que indica que 8 GB de VRAM está rapidamente se tornando insuficiente para jogos modernos.

A Intel ficou em segundo plano no segmento de placas gráficas, limitando-se ao lançamento da Arc B570, uma versão ligeiramente mais simples da B580 lançada no fim de 2024. A opção mais robusta, a Arc B770, não se materializou, deixando a Intel sem uma resposta competitiva no topo da linha.

Switch 2: Nintendo finalmente entrega a nova geração

Nintendo Switch 2 em modo console, encaixado na base de mesa com a tela voltada para frente, controles Joy-Con laterais conectados e logotipo da Nintendo no ca…

A Nintendo colocou no mercado em 2025 o Switch 2, mantendo a ideia original, mas com tela maior e hardware mais capaz. O dispositivo já vendeu mais de 10 milhões de unidades e a Nintendo revisou sua previsão de vendas anuais de 15 milhões para 19 milhões de unidades.

O chip Tegra T239 da NVIDIA traz oito núcleos ARM Cortex-A78C, GPU com 1.536 núcleos CUDA da arquitetura Ampere e 12 GB de memória LPDDR5X. Esse hardware não rivaliza com Xbox ou PlayStation em potência bruta, mas com otimização adequada consegue rodar títulos AAA como Cyberpunk 2077, especialmente com o apoio de tecnologias como DLSS.

A parceria da Microsoft com a ASUS para o ROG Xbox Ally e Ally X mostrou uma estratégia de tentar unir o Windows a experiências móveis — ainda que o Xbox Ally não seja exatamente uma resposta direta ao Switch 2, já que roda Windows 11 sobre Ryzen Z2, com foco em jogos via compatibilidade e desempenho de hardware portátil.

Console portátil ROG da Asus com tela sensível ao toque exibindo a interface inicial da biblioteca de jogos, flutuando em ambiente claro e minimalista

A Valve também avançou na oferta de um ecossistema portátil com SteamOS. Em parceria com a Lenovo, lançou o Legion Go S rodando SteamOS, e em maio abriu a possibilidade de instalar o sistema operacional em dispositivos de terceiros, incluindo o ASUS ROG Ally original e o ROG Ally X. A ideia é ampliar o ecossistema de jogos para plataformas que não dependem apenas de Windows nativo, oferecendo uma alternativa baseada em Linux com compatibilidade para títulos do Steam.

Mãos segurando um console portátil branco Lenovo Legion Go S, com jogo de mapa verde e vermelho na tela e controles analógicos e botões laterais visíveis

Em novembro, a Valve apresentou o Steam Machine, uma tentativa de reviver o conceito que não decolou anos atrás. Desta vez, porém, a empresa assumiu o controle direto do hardware, criando um mini PC em formato de cubo com cerca de 155 mm de lado, equipado com CPU de 6 núcleos Zen 4 e GPU AMD RDNA 3 com 28 Compute Units e 8 GB de GDDR6. O preço ainda não foi divulgado, mas o lançamento está previsto para 2026.

Mini PC preto em formato de cubo com duas portas USB-A e uma porta USB-C na base, sobre fundo bege liso

Além disso, a Valve anunciou o Steam Frame, um headset de realidade virtual autônomo baseado em Qualcomm Snapdragon 8 Gen 3, rodando SteamOS e capaz de executar jogos Windows através das ferramentas Proton e FEX.

Headset de realidade virtual preto na frente, com dois controles sem fio nas laterais, sobre fundo bege

Windows 11 consolidado e a crise de memória

O Windows 11 consolidou-se como a plataforma dominante, atingindo 53,7% de participação entre desktops Windows em novembro de 2025, enquanto o Windows 10 ficou em 42,7%, segundo dados do StatCounter.

A transição, porém, está acontecendo mais lentamente do que a Microsoft esperava. O fim do suporte gratuito ao Windows 10 ocorreu em 14 de outubro de 2025, mas muitos usuários continuam usando a versão antiga, seja por hardware incompatível com os requisitos do Windows 11, seja por manter PCs secundários em casa. A Microsoft oferece atualizações de segurança estendidas (ESU) por assinatura para quem não quer migrar imediatamente

O segundo semestre de 2025 foi marcado por uma pressão sem precedentes nos preços de memória DRAM e NAND, impulsionada pela demanda voraz de data centers e aplicações de inteligência artificial. Kits de RAM para consumidor final passaram a ser vendidos por valores de duas a quatro vezes maiores do que no fim de 2024, tornando upgrades de plataforma financeiramente inviáveis para muitos usuários.

A Micron, um dos três maiores fabricantes de DRAM, abandonou completamente a marca Crucial voltada ao consumidor para se concentrar em soluções para data centers e IA. Samsung e SK hynix, responsáveis por mais de 70% da produção global, avisaram que não pretendem ampliar agressivamente a oferta no curto prazo, temendo excesso de capacidade caso a bolha de IA desacelere.

A consultoria IDC projeta que os preços de PCs devem crescer entre 4% e 8% em 2026, com cenários pessimistas apontando retrações de até 8,9% nas vendas de computadores.

O impacto no varejo foi imediato e inusitado. A rede americana Micro Center passou a adotar preço dinâmico para módulos de RAM, deixando de expor valores em etiquetas e informando apenas no balcão, alegando forte volatilidade.

No Japão, lojas impuseram restrições de compra para placas de vídeo com 16 GB de memória — justamente as versões que lideram vendas — limitando a uma unidade por cliente.

Loja japonesa com placa de aviso de limite de compra de 1 unidade por cliente e vitrine de placas de vídeo GeForce RTX 5070 e RX 9000 da MSI, Gigabyte e ASUS

Relatos indicam que até funcionários da OpenAI foram flagrados tentando comprar grandes quantidades de kits DDR5 em lojas físicas nos Estados Unidos, refletindo o desespero por memória até mesmo entre gigantes da tecnologia.

As consequências cascatearam por toda a cadeia: fabricantes de placas-mãe na Ásia registraram quedas de 40% a 50% nas vendas, Dell e Lenovo confirmaram aumentos de até 15% em algumas linhas, e a ASUS já sinalizou reajustes para janeiro de 2026.

Módulo de memória RAM com contorno iluminado em laranja encaixado em placa-mãe, com slots DIMM e dissipadores metálicos ao redor

A NVIDIA pode ter adiado ou até cancelado a série GeForce RTX 50 Super, que traria chips de memória de 3 GB e buffers maiores, devido à escassez.

As projeções indicam que a restrição de oferta deve se estender além de 2028, sem perspectiva de alívio significativo no curto prazo.

OLED ganhando terreno

Monitor gamer OLED em tela inclinada sobre base preta com detalhes vermelhos, exibindo a palavra "OLED" em neon sobre paisagem colorida

OLED ganhou espaço entre monitores de jogos, com mais remessas e participação de mercado. O mercado inteiro viu um crescimento de 65% no volume de remessas em um trimestre, o que reforça a percepção de que OLED é cada vez mais viável para gamers, principalmente em mercado em que o preço não é tão intimidador, o que não é o caso do Brasil. A ASUS emergiu como líder de market share no segmento OLED com 21,9%, seguida pela Samsung com 18%. A previsão para o ano aponta para venda de cerca de 2,6 milhões de monitores OLED, um salto de aproximadamente 84% frente a 2024.

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Aproveitando o ensejo desse post de retrospectiva, quero agradecer você, caro leitor, que nos acompanhou ao longo desse 2025, tanto aqui no Hardware.com.br, quanto no nosso coirmão, a Gamevicio. Esperamos seguir contando com a sua interação, engajamento, e interesse em nossas postagens e conteúdos também em 2026. 

Que seu 2026 seja feliz e próspero, ao lado dos seus familiares, amigos e todos aqueles que, de alguma forma, prezam pelo seu bem-estar. E, é claro, que no próximo ano você consiga fazer aquele tão sonhado upgrade no PC, a compra de um novo console, ou dispositivo específico, desfrutar de inúmeros jogos, ou até mesmo conseguir aquela vaga de emprego, ou promoção, que pode mudar a sua realidade.

Feliz ano novo!!

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Foto de William R. Plaza
Postado porWilliam R. Plaza

Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br

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