Relembre quando o PlayStation 3 chegou ao Brasil por quase R$ 8 mil

Relembre quando o PlayStation 3 chegou ao Brasil por quase R$ 8 mil

Japão. 11 de novembro de 2006. Filas quilométricas de gamers ávidos para adquirir uma das 100 mil unidades do PlayStation 3 colocadas à disposição pela Sony. 

Assim começou a trajetória turbulenta da opção da gigante japonesa para a sétima geração de consoles. Entreveiros que tiveram start assim que o console começou a ser vendido.

Número baixo de unidades disponíveis tanto no Japão quanto no mercado americano (que recebeu o console alguns dias depois, em 17 de novembro). A Sony tinha prometido cerca de 400 mil unidades do PS3 para os EUA, mas apenas metade disso chegou às prateleiras. Roubos, assaltos e outros incidentes aconteceram nos dias que se seguiram ao lançamento. 

A aposta da Sony iria rivalizar com o Xbox 360, da Microsoft, e o Wii, da Nintendo nessa geração.  Independente da região, o PlayStation 3 ficou taxado como um console caro demais. Uma aposta que causou calafrios até mesmo em quem estava ligado diretamente com o desenvolvimento e promoção do aparelho.

Esse ponto de inflexão sobre todo o assunto que gira em torno do preço do PS3 aconteceu na E3 de 2006. No palco do outrora maior evento de games do mundo, a companhia confirmou os US$ 600 para a versão com 60 GB de armazenamento, US$ 499 para o modelo com HD de 20 GB.

E3 2006

Shuei Yoshida, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment Worldwide Studios, classificou aquele fatídico dia, como um “momento assustador”.

No entanto, esse susto é apenas um pequeno trecho de um filme mal feito de terror de baixo orçamento quando comparado ao impacto do preço do PS3 para os brasileiros. Esse, sim, foi de dar frio na espinha.

Devido ao delay (que antigamente era uma verdadeira eternidade) entre o lançamento no mercado internacional e a chegada oficial do mesmo produto ao Brasil, o preço de um console poderia alcançar patamares inacreditáveis. Esse foi o caso do PS3.

Oficialmente, chancelado pela Sony, o PlayStation 3 chegou ao Brasil em agosto de 2010 – quase 4 anos após o lançamento- , custando R$ 1.999. Inicialmente, ele foi vendido exclusivamente numa rede de lojas chamada Sony Style.

Em entrevistas da época, Anderson Garcia, que era gerente da divisão Sony PlayStation no Brasil, declarou que o console seria vendido oficialmente no Brasil por R$ 2.499, mas que o valor foi reduzido para R$ 1.999 para tornar o produto mais competitivo.

No entanto, ainda em 2006, pouco tempo após a chegada do console em outros mercados, e em sua versão fat, já era possível comprá-lo por aqui. Os valores variavam entre R$ 4.500 a R$ 6 mil reais.

Anúncio antigo de uma loja que vendia o PS3 no Brasil

Mas teve uma loja que ficou marcada por colocar um valor que virou até meme ao longo dos anos, e motivo de fúria para alguns quando revisitam esses momentos. As Lojas Americanas anunciaram o console por R$ 7.980. Para a versão de 20 GB de armazenamento, a mais básica do PS3. Em valores corrigidos, seria equivalente hoje a mais de R$ 20 mil.

Esse preço, que foi uma verdadeira tiração de sarro com a cara do consumidor, coloca o Playstation 3 disparado como o console mais caro que já desembarcou no país. Considerando a relação salário mínimo da época – R$ 350 – , essa cifra ganha um contexto ainda mais assustador.

A reportagem abaixo do jornal Extra, do Rio de Janeiro, de 7 de dezembro de 2006, levanta a questão do preço do console, destacando o valor que era mais comum na época: R$ 6 mil.

 

No mercado europeu, as revistas da época também enfatizaram a questão do preço do PS3 por lá. Abaixo um trecho da revista PlayStation Next 3, do Reino Unido, numa edição de 2006.

Definitivamente, o PlayStation 3 foi um console que arranhou a imagem quase que unânime do PlayStation na indústria, construída pelo PS1 e PS2. Não somente o preço foi uma questão central nesse aspecto, o principal aparato técnico embarcado no console também contribuiu e muito, o famigerado chip Cell. Projetado a partir de uma joint-venture estabelecida em 2005, entre IBM, Sony e Toshiba.

Esse chip acabou sendo um ponto negativo considerado pelos desenvolvedores de jogos, devido a sua arquitetura complexa. Em 2009, o próprio presidente da Sony Computer Entertainment na época, Kaz Hirai, admitiu que o desenvolvimento era mesmo mais difícil para o PS3. Ele ainda afirmou que era de propósito. O executivo entendia como um fato importante para que os desenvolvedores se dedicassem mais explorando o potencial do hardware do PS3.

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Até então, essa foi a geração que a Sony viu realmente o Xbox no retrovisor. O Xbox 360 conseguiu se posicionar como um grande acerto da Microsoft, e conquistou seu lugar cativo entre consoles bem-aceitos pelo público. Essa versão chegou a figurar na primeira posição entre os consoles mais populares do Brasil nos últimos 10 anos, segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB). O gráfico abaixo mostra o Xbox 360 como o console mais popular do país entre 2015 e 2018. Desde 2019, o PS4 assumiu o posto.

Em termos de vendas, a diferença foi pequena, com vantagem para o console da Sony. O PlayStation 3 vendeu globalmente 87,4 milhões de unidades, enquanto o Xbox 360 registrou 85,7 milhões de unidades comercializadas. O campeão mesmo foi a opção da Nintendo. O Wii, que desde o início dessa geração incomodou o PS3, vendeu 101 milhões de unidades.

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Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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