Os rumores se confirmaram. A NVIDIA adquiriu a ARM, uma das empresas mais importantes para a manutenção de todo o ecossistema de tecnologia, para as mais variadas finalidades, de roteadores e smartphones a carros conectados.
Essa aquisição representa mais um marco para a arquitetura ARM e também um tremendo impacto para outros gigantes da tecnologia, como Samsung, Foxconn e TSMC, que também estavam tentando comprar a empresa.
Em 2020 aconteceram alguns anúncios de peso envolvendo a marca ARM, como a confirmação que a Apple irá deixar de utilizar processadores Intel nos Macs e irá adotar chips baseados na arquitetura ARM, numa plataforma intitulada Apple Silicion.
Outro grande feito para a história dessa arquitetura foi o supercomputador japonês Fugaku (sim, o mesmo nome do personagem de Naruto), que lidera a lista dos supercomputadores mais poderosos da atualidade (4315,5 petaflops) e é baseado em ARM. Este é o primeiro supercomputador do Japão a estar no topo entre os supercomputadores mais poderosos do mundo em nove anos!
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Mas a cereja do bolo ficou realmente com o terceiro fato, a compra da ARM pela NVIDIA. Essa aquisição instala realmente o caos, principalmente no sentido de mudanças, no mercado de tecnologia. Além de ser a maior negociação da história do mercado de semicondutores.
O acordo, que foi confirmado ontem (13) pela NVIDIA, pode chegar a US$ 40 bilhões. A gigante responsável pelas placas GeForce adquiriu a ARM Holdings da firma de investimento japonesa Softbank. Vale recordar que a Sofbank comprou a ARM há quatro anos por US$ 32 bilhões.
NVIDIA to Acquire Arm for $40 Billion, Creating World’s Premier Computing Company for the Age of AI. https://t.co/Pj0lR8W03u pic.twitter.com/6fJ9zltWz8
— NVIDIA (@nvidia) September 13, 2020
Deste montante aceito por ambas as partes, US$ 21,5 bilhões serão em ações da NVIDIA, US$ 12 bilhões em dinheiro e US$ 5 bilhões em adicionais se a ARM cumprir metas, explica a Bloomberg.
Com essa aquisição, a NVIDIA não apenas se fortalece como um titã do mercado de semicondutores, mas também abre um portal para que a empresa seja fortíssima num segmento altamente lucrativo que é o mercado móvel, mas também podemos estar diante da instalação do caos, no pior sentido do termo.
Além de ter que passar pelo crivo de autoridades regulatórias, e também pela resistência de empresas que dependem diretamente da arquitetura ARM, como a Qualcomm e Samsung, que, aliás, já tiveram rusgas com a NVIDIA – em 2014, a NVIDIA processou ambas por quebra de patentes de GPU – o anúncio da compra da ARM pela NVIDIA também chega num momento em que informações sobre o alto custo de licenciamento cobrado pela ARM aparecem na mídia.
De acordo com a Reuters, a ARM subiu o custo das licenças de chips. Só para ficar claro, caso você não saiba, a ARM é uma licenciante de tecnologias. Conhecimento, propriedade intelectual e notoriedade são um chamariz de dinheiro, e a ARM sabe muito bem usufruir disso, além ostentar uma posição altamente significativa no mercado – somente no último trimestre de 2019, 6,4 bilhões de chips baseados em ARM chegaram ao mercado. Como a ARM está presente em múltiplos segmentos, sua posição é incontestável.
De acordo com a Statista, além do segmento móvel, que a ARM já domina com folga, até 2028 sua arquitetura será ainda mais significativa em Data Center/Cloud e no plano automotivo. Mercados que interessam muito a NVIDIA.
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Com esse aumento no custo do licenciamento da tecnologia – na casa dos milhões para os projetos mais importantes baseados em ARM, somado a um colosso como a NVIDIA administrando os rumos futuros da companhia, a busca por alternativas pode acabar entrando no radar de algumas empresa. Essa alternativa seria o padrão aberto RISC-V. No entanto, por todo o conjunto de tecnologias agregadas, e que serão somados com o potencial da NVIDIA, se desgarrar de ARM para a esmagadora maioria das empresas é um caminho impossível.
Evidentemente que a NVIDIA já chegou acalmando o mercado. O CEO da jaqueta mais estilosa do mundo da tecnologia, Jensen Huang, disse que a ARM continuará utilizando o modelo de licenciamento aberto, mantendo a neutralidade global com seus clientes. Os parceiros da ARM também poderão continuar tirando proveito das inúmeras inovações que a NVIDIA está trazendo.
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A relação da NVIDIA com ARM não é nova, os chips Tegra da NVIDIA são baseados em ARM, e, embora a NVIDIA nunca conseguiu ser realmente competitiva no mercado móvel, o Tegra ainda marca presença num dos consoles mais populares dos últimos anos, o Nintendo Swiftch, e também nos set-top-boxes da própria NVIDIA, o Shield.
Em 2016, a NVIDIA abandonou a ideia de seguir produzindo processadores para smartphones e outros dispositivos móveis, alegando que não estava mais interessada neste mercado, com a aquisição da ARM poderemos ver uma retomada da gigante neste mercado, entregando uma solução realmente competitiva aos processadores Snapdragon, Exynos, Helios e Bionic.
Outros segmentos, como o de supercomputadores, ganharão ainda mais força com essa aquisição da NVIDIA. A empresa já até confirmou que irá construir um supercomputador baseado em ARM na sede da empresa, na cidade de Cambridge, Inglaterra. A Inteligência Artificial que é um segmento chave para a NVIDIA também ganhará mais destaque com a compra da ARM. Huang, em comunicado, disse que a IA é a força mais poderosa de nosso tempo e que nos próximos anos trilhões de computadores executando IA criarão um nova internet das coisas que é milhares de vezes maior do que a internet das pessoas de hoje.
É bem interessante o olhar que a NVIDIA tem para a IA, com implementações neste sentido nas mais variadas abordagens, incluindo tratar o treinamento da máquina e sua implementação como diferenciais de suas placas de vídeo para jogos, por exemplo. Este ano comentei neste post sobre o RTX Voice, uma tecnologia de supressão de ruídos de fundo, que atua com base em IA. Essa é uma das possibilidades que torna o entendimento da IA mais claro para os mais variados tipos de público.
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Agora vamos ter que aguardar os próximos capítulos desse processo de aquisição da ARM pela NVIDIA, que deve ser concluído em cerca de 1,5 anos. Podem apostar que a resistência será forte. A declaração de Hermann Hauser, um do cofundadores da ARM, antes mesmo da confirmação da negociação, evidencia a temperatura do tema. De acordo com Hauser, o objetivo da NVIDIA é limitar o licenciamento dos núcleos Cortex, da ARM, e dominar o mercado, e que a vantagem da ARM é que sua administradora (agora ex), a Softbank, não é uma empresa de chips.
O caos está instalado meus amigos!