Primeiras impressões do NimbleX 2010 (Beta)

First look at NimbleX 2010 (Beta)

Autor original: Jesse Smith

Publicado originalmente no: distrowatch.com

Tradução: Roberto Bechtlufft

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O NimbleX, baseado no Slackware Linux, é um projeto que tenta oferecer um sistema operacional pequeno e funcional para desktops, voltado para quem está sempre em trânsito. Para ser mais específico, o NimbleX proporciona um desktop KDE moderno em um live CD ou pendrive. O projeto também oferece a ferramenta Custom NimbleX, com a qual o usuário pode personalizar a imagem ISO antes de baixá-la. Antes de experimentar o NimbleX, tive a oportunidade de conversar com Bogdan Radulescu, criador da distribuição.

* * * * *

DW: Para começar, conte para nossos leitores um pouco sobre você. De onde você veio, e como se interessou pelo desenvolvimento do Linux?

BR: Falar sobre mim… essa é difícil. Presumo que você queria saber do que eu gosto e o que eu faço, então vamos lá. Sou de Bucareste, e meu interesse pelo Linux começou há algum tempo, mas foi em 2005 que cheguei à conclusão de que a maioria das distros não atendia perfeitamente às minhas necessidades, e comecei a trabalhar na minha. Coloquei a distro na internet e algumas pessoas começaram a usá-la. Continuei trabalhando nela e acabou virando um projeto de distro. Nesse meio tempo, descobri que adorava criar soluções Linux personalizadas para diversos propósitos e/ou dispositivos, e que se eu pudesse ganhar a vida com isso seria ótimo. Gosto de viajar, tanto a trabalho quanto por prazer, sempre que tenho a oportunidade. Gosto das coisas que todo mundo gosta: de sair com os amigos, de cerveja, cinema, música, documentários e outras coisas mais esquisitas, como modificar o firmware da minha TV, criar minha própria appliance que faz o que me vier à mente, ler documentação e trabalhar na distro.

DW: Conte por que você criou o NimbleX. O que ele traz para a comunidade de código aberto?

BR: Acho que já respondi como o NimbleX começou. Não sei ao certo o que ele traz para a comunidade de código aberto. Só trabalho nele porque tem gente que gosta de usá-lo, e posso lhe dizer quais são algumas das coisas das quais essas pessoas gostam. Elas dizem que o NimbleX é mais rápido do que outras distros com o KDE. Algumas dizem que ele simplesmente funciona em seu hardware. Meu objetivo é fazer com que ele seja rápido, fácil de usar, tenha bom suporte a hardware e apresente uma boa seleção de software, que satisfaça às pessoas. Eu também cheguei a incluir recursos interessantes que não eram encontrados com facilidade em outras distros da época, como a inicialização via rede, o Custom NimbleX e outras coisas. Não estou tentando fazer com que o NimbleX atenda a todos, porque acho que cada um deve usar o que quiser, mas estou sempre tentando melhorá-lo, então é sempre bom ouvir a opinião das pessoas.

DW: A imagem para download do NimbleX é bem pequena, mas vem com o KDE e com uma suíte de escritório. Como você decide o que vai entrar na imagem e o que vai ficar de fora?

BR: É difícil dizer exatamente, porque há muitos fatores que eu considero. Acho que na maioria das vezes, levo em consideração a média entre o tamanho e a utilidade de um recurso antes de adicioná-lo à distro. Também é preciso remover coisas desnecessárias entre pacotes e componentes para manter um tamanho razoável.

DW: Fale um pouco sobre o Custom NimbleX. Ele parece ser baseado em uma versão mais antiga do NimbleX. Vai haver uma atualização para a versão 2010?

BR: O plano é basear o Custom NimbleX na versão 2010 da distro no futuro. Já estamos trabalhando nisso. Trabalho com um amigo, Florin Bera, que é bom em desenvolvimento Java e Flex, e o resultado final vai ser um Custom NimbleX mais fácil de se expandir, e mais entrosado com o navegador. O maior problema é que temos muito pouco tempo para cuidar disso, porque também temos que trabalhar para ganhar dinheiro.

DW: Quantas pessoas trabalham no NimbleX?

BR: Eu trabalho no NimbleX, e Florin trabalha comigo no Custom NimbleX. Eu queria muito houvesse mais gente envolvida com o projeto, porque há muito a ser feito.

DW: O manual diz que o NimbleX só pode ser instalado em um disco rígido que tenha o Windows ou o GRUB. Isso mudou na versão 2010?

BR: Até o momento, o instalador se mostrou bom em pôr a distro em pendrives, e esse era o principal objetivo da distro. Mas o fato é que muita gente que usar o NimbleX no disco rígido, e ainda não há uma boa solução para isso. Sei que temos que resolver esse problema. Esta é uma versão beta do NimbleX 2010, e o instalador não foi incluído nela. É cedo para dizer como vão ser as coisas na versão final. Espero conseguir melhorar um pouco o instalador.

DW: Seu sistema operacional é baseado no Slackware. Que tipo de recursos o NimbleX oferece que não encontramos no Slackware?

BR: O que eu gosto no Slackware é que ele não faz coisas esquisitas com os pacotes, como vejo acontecer em outras distros, e gosto do fato dele se focar em ser um Linux puro, sem ferramentas muito específicas. Ele vem se mostrando uma ótima base para o NimbleX. Do jeito que o NimbleX trabalha, não dá para “quebrá-lo”. Mesmo se você optar por salvar as alterações em um arquivo, ou excluir todo o diretório /usr, na próxima reinicialização ainda vai estar tudo lá. Se alguém gravar as alterações e sobrescrever arquivos importantes com algo que vá dar confusão, basta excluir as alterações para que o sistema volte a funcionar exatamente como funcionava quando foi instalado.

DW: Você quer deixar mais alguma mensagem? Comentários sobre o projeto, ou sobre o código aberto em geral?

BR: Sei que o NimbleX está longe de ser perfeito, mas uma distro Linux tem muitos aspectos. Além da imagem ISO, há muitas coisas que precisam ser gerenciadas, como testes, preparação de pacotes, adição de recursos, suporte à comunidade, escrita de boa documentação, site, gráficos e por aí vai. Se alguém estiver interessado em contribuir, não se acanhe. Eu também gostaria de agradecer a todos que estão fazendo sua parte em um projeto de código aberto, e à todas as pessoas que gostam de usá-los.

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O site do projeto conta com uma bela apresentação, e é fácil de navegar. Além da tradicional área de download e das outras seções relacionadas ao projeto, há um breve manual (listado como um trabalho em progresso) e um fórum. O fórum continua de onde o manual parou, oferecendo uma boa leva de tutoriais e dicas para solucionar problemas. Há algumas edições diferentes do NimbleX disponíveis para download:

  • Edição 2008: a versão estável mais recente, com 200 MB

  • Edição sub2010: um desktop KDE com alguns extras removidos, caindo para 99 MB

  • Edição NimbleX 69 MB: um desktop KDE com 69 MB

  • Edição 2010: a versão beta mais recente, oferecendo um desktop KDE completo num download de 420 MB

Há ainda um serviço integrado ao site, o Custom NimbleX, com o qual o usuário pode escolher os pacotes a serem incluídos na imagem ISO. Somando tudo, o projeto oferece bastante flexibilidade antes mesmo de gravarmos o CD. Para meus testes, baixei a versão 2010 beta.

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NimbleX 2010 Beta – software para escritórios e rede

O CD abre com uma tela de inicialização que permite ao usuário iniciar normalmente o ambiente live do KDE, ou um console de texto, ou ainda rodar o que quer que esteja no disco rígido do computador. Ao escolher a opção padrão (KDE), o CD inicializa um ambiente KDE 4.3. O tema combina branco e cinza, e o desktop não tem ícones. O menu de aplicativos, por outro lado, apresenta uma ampla variedade de software para desktops.

Os pacotes incluídos na imagem de 420 MB incluem GIMP, OpenOffice.org 3.2, Firefox 3.6, um visualizador de imagens, cliente BitTorrent, verificador de portas, cliente para mensagens instantâneas, cliente de email, player de áudio e um grupo de jogos do KDE. Há programas para ripar e gravar CDs, o GParted para gerenciar partições de disco, VirtualBox, compactador de arquivos, ferramentas para criptografia (incluindo o KGpg), editores de texto, calculadora e WINE. Também há algumas ferramentas de desenvolvimento para o KDE, embora o compilador GCC não esteja incluído no CD. O NimbleX também vem com codecs populares para reproduzir vídeos e tocar músicas, e com o plugin do Flash para navegadores. Quem quiser mais software pode recorrer ao repositório de extensões (ou módulos) do NimbleX, que podem ser baixadas do site do projeto. O repositório apresenta uma boa coleção de software, organizado em categorias como escritório, jogos, segurança, desenvolvimento e drivers. O usuário também pode procurar por software pelo nome, se não souber em que categoria olhar. Enquanto testava o NimbleX, baixei alguns módulos, descompactei-os e vi que todos rodavam sem problemas.

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NimbleX 2010 Beta – obtendo informações do sistema e editando vídeo

Há um preço a se pagar por empacotar tantos pacotes em 420 MB, e parece que o NimbleX remove partes mais tradicionais do sistema Linux para incluir ferramentas modernas. Por exemplo, a instalação padrão não tem man pages, compilador ou o editor vi. A edição 2010 beta não inclui o instalador do sistema, que está presente na versão estável mais recente.

A segurança tem seus altos e baixos. Por um lado, o NimbleX não executa nenhum serviço de rede por padrão. Pelo outro, o live CD faz o login do usuário como root e monta todas as unidades locais automaticamente. Embora isso seja conveniente, ainda me parece ser um acidente esperando para acontecer. Não parece haver uma ferramenta gráfica para atualizar pacotes, então é preciso atualizar o software pela linha de comando. O NimbleX usa o programa slapt-get para gerenciar software. Na minha primeira tentativa de rodar o slapt-get, achei um problema no arquivo de configuração do programa. Resolvido o problema, o slapt-get conseguiu conectar aos repositórios com pacotes do Slackware 13.

Rodei o NimbleX em dois computadores: um PC genérico com CPU de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e placa de vídeo NVIDIA, e um laptop HP com CPU dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e placa de vídeo Intel. A detecção do hardware dessas máquinas mostrou-se mediana. Não tive problemas com o PC desktop: o som funcionou de primeira, a resolução da tela estava correta e a rede foi detectada. No laptop, a placa de vídeo foi gerenciada corretamente, o som funcionou sem qualquer configuração e o touchpad também. Só que a minha placa de rede sem fio Intel e meu modem de internet móvel Novatel não foram detectados. O desempenho foi excelente nas duas máquinas considerando que era um live CD, e o desktop KDE respondia muito bem. Testei o NimbleX em uma máquina virtual, e mesmo com 512 MB de RAM o resultado foi bom. Com menos do que isso o CD ficava cada vez mais lento.

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NimbleX 2010 Beta – configurando uma máquina virtual

O uso dessa distribuição consiste em uma combinação incomum de experiências. Por exemplo, achei interessante ter um desktop KDE moderno, com belos widgets no desktop, ao mesmo tempo em que baixava módulos manualmente e os instalava pela linha de comando. Fiquei preocupado com a forma como tudo está montado: eu posso navegar pelo sistema de arquivos e não há conta de usuário comum. E há mais alguns probleminhas. O menu do KDE, por exemplo, não tem opção para desligar o sistema. O usuário tem que desligar o computador no botão, ou fazer logout do desktop e ir para a tela de login do console. Pode ser impressão minha, mas sempre me parecia que eu estava indo e voltando entre uma distribuição moderna e muito bem acabada e uma criação mais primitiva. Com isso, fica difícil dizer quem é o público-alvo da distro. Como o VirtualBox e o WINE já vêm instalados, presumo que o NimbleX esteja focado em quem faz trabalho multiplataforma, só que não há compilador e nem man pages. A suíte de escritório e os codecs parecem apelar ao usuário médio, mas não há instalador para o disco rígido. Ou seja, embora o NimbleX seja interessante (e até divertido) de se usar, não sei a qual nicho ele atende.

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NimbleX 2010 Beta – alterando as configurações e manipulando imagens

Acho que o mais importante é que o NimbleX é rápido, moderno e conta com um ótimo estoque de software para desktops pré-instalado. É uma boa ferramenta para se ter em um pendrive, seja pela praticidade de levar o sistema operacional no bolso ou para resolver problemas. Gostei muito do Custom NimbleX. Esse é um conceito que está se tornando cada vez mais popular, e espero que mais distribuições resolvam aderir. Poder montar a ISO antes de baixá-la poupa um bocado de tempo, especialmente para quem tem conexão mais lenta. Podem não haver muitas extensões no site do projeto, mas a seleção disponível cobre um amplo espectro, atendendo às necessidades da maioria dos usuários. Por outro lado, senti muita falta de um instalador durante os meus testes, e preferia que o login fosse realizado com um usuário comum. Se o desenvolvedor aprontar um instalador para o disco rígido na versão final, acho que o NimbleX 2010 vai valer a pena, já que demonstra como uma distro baseada no KDE pode ter bom desempenho.

Créditos a Jesse Smithdistrowatch.com

Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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