Quase três décadas depois, vieram a público registros inéditos de uma sessão envolvendo Michael Jackson em Tóquio, informa o mjbeats. As fotos revelam o cantor no auge da HIStory World Tour, em 1996, participando de uma avançada captura de movimento para um projeto da SEGA que nunca chegou ao mercado.
A noite em que o Rei do Pop virou digital
Era dezembro de 1996. No subsolo de um estúdio japonês, Michael vestiu uma roupa justa, coberta por marcadores brancos, e começou a reproduzir sua dança diante de câmeras que registravam cada gesto em diferentes ângulos.
O objetivo era ousado: criar uma versão 3D de Jackson capaz de se apresentar em 360 graus. Era a promessa de um videogame com a presença digital do Rei do Pop — algo revolucionário para a época.
Do rumor à confirmação
Durante muitos anos, o projeto foi tratado como lenda urbana. Em 1997, a SEGA lançou Digital Dance Mix, um jogo musical estrelado pela cantora Namie Amuro, e logo surgiram rumores de que Michael teria gravado sua própria versão.
As imagens reveladas agora não apenas confirmam a especulação como mostram que a parceria, de fato, existiu. Entre os arquivos, há artes de conceito com o logo da SEGA e documentos internos que atestam o envolvimento direto de Jackson no experimento.
O encontro com Kazunori Sasaki
Entre os que presenciaram a sessão estava o designer Kazunori Sasaki. Ele recorda que Jackson se mostrou curioso e bem-humorado, chegando a brincar sobre conhecer o mercado Ameyoko, em Tóquio. Fascinado pelo figurino excêntrico do japonês, o artista ainda deixou um presente improvável: um de seus icônicos chapéus fedora usados na turnê, hoje guardado como relíquia.
O futuro que não se concretizou
Apesar da ambição, o jogo nunca viu a luz do dia. Não está claro se o cancelamento foi consequência de limitações técnicas, disputas contratuais ou da agenda do astro. O que restou foram fragmentos: roupas digitalizadas, fotos em 3D e lembranças de uma ideia à frente de seu tempo.
Nintendo x SEGA: Michael como carta de exclusividade
Nos anos 90, a guerra era nos videogames. A SEGA, querendo rivalizar com a Nintendo, fechou acordos milionários para associar seu hardware a nomes fortes da cultura pop. Um deles foi justamente Michael Jackson.
O auge veio com o game Moonwalker, lançado em 1990 para o Mega Drive, onde o cantor virou protagonista de fases inspiradas em sua estética e performances. O impacto foi tão grande que a imagem de Michael foi usada até em peças de marketing com o slogan agressivo “Genesis Does What Nintendon’t” — campanha que reforçava o poder de exclusividade da SEGA.
Das trilhas sonoras ao parque temático
A relação entre SEGA e Jackson também rendeu histórias curiosas:
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O músico participou da criação de faixas para Sonic 3, algo confirmado anos depois por Brad Buxer (parceiro de Michael) e por Yuji Naka, criador do Sonic.
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Em Londres, entre 1996 e 1999, o parque Sega World contou com o simulador Advanced System-1, onde o jogador via Jackson como comandante de uma frota espacial.
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O próprio artista visitou a sede da SEGA, no Japão, em 1992, durante a Dangerous World Tour. Lá, jogou Sonic 2 em primeira mão, ganhou um fliperama Megalo 50 e recebeu de presente uma jaqueta exclusiva do mascote azul, hoje peça de colecionador leiloada por mais de U$ 10 mil.
A parceria se estendeu até os anos 2000. Em Space Channel 5: Part 2 (2002), sequência de um jogo musical futurista, Michael fez uma participação especial como personagem jogável — fechamento simbólico de uma relação que uniu música pop e games de forma visionária.
PlayStation em foco
Jackson também teve relação próxima com a PlayStation, por intermédio da Sony. Em 1995, enquanto a SEGA ainda contava com seu apoio criativo, o astro esteve presente no lançamento do primeiro PlayStation, durante a histórica E3 em Los Angeles.
Naquele mesmo ano, Michael lançava HIStory, seu álbum duplo mais ambicioso, e surpreendeu fãs e jornalistas ao aparecer como convidado na festa da Sony. Fotos da época mostram o Rei do Pop jogando Tekken em fliperamas e testando Ridge Racer. Sua presença ajudou a reforçar a ideia de que o novo console da Sony não era apenas tecnologia, mas parte de um grande movimento cultural. Contamos mais sobre essa história no artigo abaixo:
Você sabia? Michael Jackson estava no lançamento do PS1 na E3 95 e ainda jogou Tekken no fliperama




