Intel subestimou e pagou o preço: NVIDIA hoje vale quase 30 vezes mais

Como a gigante dos processadores perdeu terreno para a NVIDIA, que se tornou líder absoluta em IA e GPUs, e agora as duas empresas firmam uma parceria histórica.

Por décadas, a Intel foi sinônimo de microprocessadores, o cérebro de quase todos os computadores do mundo. Sua dominância parecia inabalável, e o mantra da “Lei de Moore” – que previa o dobro de transistores a cada 18-24 meses, resultando em chips exponencialmente mais poderosos – era a força que impulsionava a indústria. Mas nos bastidores, uma revolução silenciosa estava sendo orquestrada pela NVIDIA.

A primeira rachadura no império da Intel foi visível já em julho de 2020, quando a NVIDIA a superou em valor de mercado. Foi um marco simbólico, mas a diferença cresceu de forma exponencial nos anos seguintes.

Neste mês, a NVIDIA atingiu impressionantes 4,2 trilhões de dólares em valor de mercado, contrastando com os cerca de 142 bilhões da Intel — uma diferença de quase 30 vezes. A magnitude dessa inversão é ainda mais evidente quando analisamos a fortuna pessoal de Jensen Huang, CEO da NVIDIA, que em 2025 alcança cerca de 158 bilhões de dólares, tornando-o não só um dos empresários mais ricos do mundo, mas também com patrimônio pessoal que supera o valor total da própria Intel.

A profecia e a cegueira de um gigante

A ironia dessa história é palpável quando revisitamos o ano de 2009. Naquela época, a NVIDIA estava em um período desafiador, com prejuízos em 2009 e 2010 e suas ações em baixa. Foi nesse cenário que a empresa tentou contratar Bill Dally, especialista em computação paralela e presidente do departamento de ciência da computação de Stanford. A Intel, para manter seu talento longe da concorrente, fez uma oferta “mais lucrativa” a Dally.

Mas a história toma um rumo dramático. Jim Plummer, então reitor da escola de engenharia de Stanford e membro do conselho da Intel, questionou a sanidade de Dally por considerar a NVIDIA. Sua declaração foi direta e, em retrospecto, incrivelmente equivocada: “Bill, você é louco”, disse Plummer. “A Intel vai esmagar a NVIDIA.

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Jensen Huang

Contrariando todas as expectativas da época, Dally escolheu a NVIDIA. Ele via em Jensen Huang, o visionário por trás da empresa, um “líder nato” que inspirava as pessoas a segui-lo “aonde quer que ele fosse”. Essa decisão, que parecia um passo atrás na carreira, revelou-se um salto gigantesco para o futuro.

Onde a Intel errou e a NVIDIA acertou?

A história de Dally é um microcosmo do que viria a acontecer. A Intel, focada em sua abordagem serial e na Lei de Moore, subestimou a demanda por poder de processamento em gráficos 3D e, crucialmente, no então nascente campo da inteligência artificial. Suas tentativas de entrar no mercado de chips gráficos falharam, com o “Intel i740” sendo um “fracasso” e o “Projeto Larrabee” (apelidado internamente de “matador de GeForce”) sendo “cancelado antes do lançamento” devido a “conflitos internos”. 

Em 2022, a Intel lançou a linha Arc, que até o momento não conseguiu ultrapassar uma participação significativa no mercado de placas gráficas dedicadas, permanecendo abaixo de 1%. Apesar das melhorias técnicas e do lançamento da geração Battlemage, a Intel ainda enfrenta a dura realidade de competir num mercado dominado pela NVIDIA, que detém cerca de 92% de participação, seguida pela AMD com aproximadamente 8%. 

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Enquanto isso, a NVIDIA de Jensen Huang, seguindo a filosofia de “inovação disruptiva” apostou em produtos incomuns que a Intel não consideraria fabricar, para clientes que ela nunca iria querer atender. A empresa se concentrou em computação paralela e no desenvolvimento do CUDA, uma plataforma de software que transformou suas GPUs em supercomputadores acessíveis.

O segredo da NVIDIA: não apenas hardware, mas software

O diferencial da NVIDIA não era apenas um hardware melhor, mas um software superior. Enquanto a Lei de Moore, que a Intel tanto defendia, “estava morta” no que diz respeito aos ganhos lineares de transistores, a NVIDIA alcançava acelerações mil vezes maiores em desempenho de inferência de IA em um único chip

O ecossistema CUDA se tornou tão fundamental que, mesmo com alternativas de código aberto da AMD e Intel, poucos pesquisadores de IA as utilizavam, preferindo “esperar pelo hardware da NVIDIA. Isso foi fundamental para desenhar o império que se transformou a empresa comandada por Huang.

A nova parceria, sob um novo patamar


 

Em um movimento que surpreendeu o mercado, a NVIDIA e a Intel anunciaram hoje uma parceria estratégica. Uma união de forças para desenvolver conjuntamente processadores Intel x86 RTX SOCs, voltados tanto para PCs quanto para data centers.

Essa aliança inédita vai além da cooperação tecnológica. A NVIDIA investirá US$ 5 bilhões na Intel, adquirindo ações a US$ 23,28 cada, tornando-se um dos maiores acionistas da empresa. Esse aporte ocorre poucas semanas após o governo dos Estados Unidos também ter assumido cerca de 10% da Intel, reforçando seu compromisso em reerguer a companhia numa era dominada pela inteligência artificial.

Os futuros Intel x86 RTX SOCs prometem integrar chiplets de CPU Intel com GPUs RTX da NVIDIA em um único pacote, conectados pela interface NVLink. Essa tecnologia proporciona uma largura de banda 14 vezes maior e latência muito menor do que a tradicional PCIe, um avanço crucial para jogos, gráficos e, especialmente, cargas pesadas de IA.

No segmento de data centers, a Intel fabricará CPUs x86 personalizadas para a infraestrutura de IA da NVIDIA, habilitadas por uma comunicação mais eficiente com GPUs via NVLink Fusion.

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Editor-chefe no Hardware.com.br/GameVicio Aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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