As primeiras análises de Gears of War: E-Day começaram a ser publicadas e, depois de sete anos sem um novo capítulo principal da franquia, a pergunta inevitável é: a volta de Marcus Fenix e Dom Santiago deu certo?
O combate parece ser o maior consenso
Se existe um ponto em que praticamente todas as análises convergem, é no gameplay. A GamesRadar descreve E-Day como o melhor shooter baseado em cobertura que o veículo jogou desde o auge da série na geração Xbox 360. Uma das mudanças mais elogiadas é o novo sistema de cobertura adaptativa: Marcus consegue aproveitar elementos menores do cenário e a movimentação ficou mais natural, com salto, escalada e transições menos rígidas entre posições.
A PC Gamer também considera que Gears nunca foi tão agradável de controlar. Alterações aparentemente simples, como separar escalada e corrida e dar mais mobilidade aos personagens, tornam as batalhas menos presas ao antigo ciclo de correr até uma parede, atirar e repetir. Em dificuldades maiores, inimigos pressionam posições e obrigam o jogador a trocar constantemente de cobertura.
O arsenal também recebeu atenção. Há novas armas, modificações e melhorias encontradas durante a exploração, permitindo alterar características dos equipamentos. A Slant destacou justamente a combinação entre armas personalizáveis, armaduras com vantagens e inimigos mais agressivos como uma evolução natural da fórmula clássica.
Visualmente, E-Day está entre os jogos mais elogiados do Xbox
A cidade de Kalona começa relativamente intacta e vai sendo destruída conforme a invasão Locust avança. Para a Windows Central, o nível de detalhes dos ambientes, iluminação e personagens coloca E-Day entre as demonstrações mais impressionantes já produzidas com a Unreal Engine 5. O veículo também elogiou a maneira como civis, interiores e ruas ajudam a transmitir que aquela sociedade ainda estava funcionando horas antes da catástrofe.
O The Verge faz uma comparação interessante: o jogo funcionaria quase como uma versão moderna de um grande filme de ação de James Cameron, alternando batalhas gigantescas com trechos mais próximos do terror, incluindo túneis escuros e áreas onde o ritmo desacelera antes de novos confrontos.
O problema começa quando a campanha precisa sustentar tudo isso
É justamente aqui que as avaliações começam a se dividir. A VGC deu 4 de 5 estrelas, mas afirma que a campanha acaba se tornando repetitiva. O veículo cita sequências de combate sucessivas em arenas cheias de cobertura e até locais reutilizados diversas vezes durante a história. As áreas semiabertas amenizam parcialmente o problema com objetivos opcionais, colecionáveis e upgrades, mas não alteram radicalmente a estrutura.
A PC Gamer foi ainda mais crítica. Apesar de elogiar bastante os tiroteios, considera a campanha longa demais para a variedade que oferece, apontando inimigos que absorvem muitos tiros, chefes com grandes barras de vida e atividades opcionais excessivamente sinalizadas no mapa. Para o veículo, depois que armas, armaduras e esquadrão estão estabelecidos, E-Day volta rapidamente a parecer um Gears bastante tradicional.
A Windows Central chegou a uma conclusão semelhante sobre as áreas abertas. Para o site, Kalona é excelente como cenário, mas a estrutura híbrida entre campanha linear e exploração não funciona sempre bem. O texto afirma que E-Day é particularmente forte em suas grandes sequências cinematográficas e perde ritmo quando tenta oferecer liberdade de exploração.
E a história de Marcus e Dom?
Algumas análises elogiam o tom mais sombrio e a tentativa de mostrar soldados e civis descobrindo pela primeira vez o horror dos Locust. A GamesRadar destaca temas como luto, trauma e sobrevivência, enquanto a Windows Central considera o trabalho de caracterização um dos pontos fortes do jogo.
A VGC, porém, esperava mais. Como E-Day foi apresentado como uma oportunidade de mostrar a origem da relação entre Marcus e Dom, o veículo considera estranho que boa parte do desenvolvimento emocional seja dedicada a personagens novos. Segundo a análise, os dois protagonistas passam grande parte da campanha evitando conversar diretamente sobre suas perdas, deixando o principal momento emocional entre eles para muito perto do final.
O The Guardian foi mais duro, dando 3 de 5 estrelas. Apesar de elogiar o combate, considerado pelo veículo o melhor da série em muitos anos, a análise critica a repetição da campanha, a reutilização de áreas e a pouca evolução das ideias apresentadas nas primeiras horas.
Gears of War: E-Day é bom ou ruim?
O conjunto das primeiras análises aponta para um Gears of War muito competente e tecnicamente impressionante, especialmente para quem queria novamente o combate pesado, violento e baseado em cobertura que tornou a franquia famosa. A questão central que vale pensar é se uma campanha extensa consegue sustentar essa fórmula sem se tornar repetitiva.
Para parte da crítica, a resposta é sim e E-Day representa uma das melhores fases da série. Para outros, a Coalition criou talvez o melhor sistema de combate de Gears, mas colocou esse sistema dentro de uma campanha que poderia ser mais curta, variada e emocionalmente profunda.