Evolução da linha Motorola RAZR: do V3 ao modelo com tela dobrável

Evolução da linha Motorola RAZR: do V3 ao modelo com tela dobrável

O que a Apple faria com o primeiro iPhone, lançado em 2007, a Motorola conseguiu alguns anos antes, com o primeiro modelo da linha Motorola RAZR, o V3, lançado em 2004. O V3 entrega um design impressionante e marcante, foi um sucesso de vendas e se tornou um item que transcendeu o mercado de celulares, virou um produto ligado a modernidade e estilo. Todas essas características também podem ser aplicadas ao iPhone, inclusive, antes mesmo da Apple lançar seu aparelho ela tentou uma parceria com a Motorola e sua linha RAZR. Esse é um dos momentos que iremos contar neste artigo que traça um paralelo entre o primeiro modelo RAZR ao ressurgimento turbinado da linha, com o modelo dobrável apresentado ontem (13).

Motorola RAZR V3

Em julho de 2004 a Motorola anunciou uma nova linha de celulares a RAZR, integrante do que a companhia chamava de Motorola 4LTR, isto é, linhas de produtos que o nome conta com 4 letras. O RAZR foi a primeira linha chancelada dessa maneira, nos anos seguintes veríamos SLVR, ROKR, PEBL, ZINE, AURA, entre outros.

O primeiro modelo da linha RAZR foi o V3, de cara quero dizer que, na minha opinião, este aparelho tem o design mais icônico de todos os tempos da telefonia móvel. Lembro muito bem quando vi a primeira vez o V3 na mão de um amigo no colégio e o impacto com a estrutura e detalhes foi marcante.

O V3 foi a maior revolução causada pela Motorola no mercado de telefonia móvel desde 1996, quando lançou o primeiro celular flip da história, o StarTAC. O V3 manteve esse modo flip de atuar, numa versão completamente remodelada e futurista. Na época que foi lançado estava em alta a produção de aparelhos para o público ligado ao mundo da moda, o que acarretou em diversos celulares com designs muito loucos. O V3 também foi projetado para esse público, mas deixando um nicho e se tornou um campeão de vendas. Dois anos após seu lançamento a Motorola já tinha vendido mais de 50 milhões de unidades. No total, mais de 130 milhões de unidades do V3 foram vendidas, o que coloca este aparelho icônico entre os 10 mais vendidos de todos os tempos.

O V3 tinha diversas falhas, como a durabilidade e a interface de usuário que era bastante criticada, mas suas duas telas, teclado iluminado e design conquistaram os usuários.  Com o sucesso do V3 a Motorola tentou outras variações com aprimoramentos, como o V3i o V3x e o V3c. Até uma versão dourada do V3i, desenvolvida em parceria com a grife Dolce Gabanna, foi lançado.

Lembra que no início comentei que antes da Apple cogitar lançar o iPhone ela tentou uma parceria com a Motorola? Pois bem, essa parceria veio justamente pelo sucesso da linha RAZR, mas no caso do aparelho que uniu ambas as companhias a série utilizada foi outro modelo de 4 letras da Motorola, o ROKR E1. Simplesmente um fracasso histórico, além de não ter o design que consagrou o V3 o aparelho, anunciado em 2005, foi duramente criticado pela imprensa norte-americana, com direito a uma matéria da Wired com o título: “é isso que vocês chamam de celular do futuro ?”.

O ROKR nada mais era do que um celular com um iPod embutido, com direito ao licenciamento do iTunes, mas flopou. Steve Jobs ficou tão furioso com as críticas ao aparelho que, de acordo com sua biografia oficial, disse numa reunião que estava farto de lidar com empresas idiotas como a Motorola. “Vamos nós mesmos fazer”, completou Jobs.

A linha RAZR voltaria a receber o design de flip em outros aparelhos com V no nome, como o V8 e o V9, ambos de 2007, e o RAZR2 V9x, lançado em 2008. O flip também apareceu em um modelo da série RAZR Maxx, o primeiro, chamado de RAZR MAXX V6, lançado em 2006. A Motorola até que tentou, com suas diversas variações subsequentes do MAXX e com desenvolvimento da família de aparelhos RAZR Droid (no Brasil ficou conhecido como Milestone) – linha que marcou a entrada do RAZR no universo dos smartphones com Android, mas a família de aparelhos RAZR jamais voltou a alcançar o patamar, tanto em relevância quanto em vendas, do V3.

 

Motorola RAZR 2019

15 anos após ter revolucionado o mercado a Motorola aposta nas quatro letras RAZR para tentar marcar época novamente. Após uma enxurrada de rumores, nesta quarta-feira (14) a companhia ressuscitou a linha RAZR, mantendo a essência do flip, mas de uma forma completamente moderna – um movimento de flip que dobra a tela Flex View de 6,2 polegadas pOLED com resolução 2142 x 876 pixels. Na parte externa, assim como o saudoso V3, também há uma tela. Um painel de OLED de 2,7 polegadas com resolução 600 x 800 pixels.

O aparelho também é equipado com o processador Qualcomm Snapdragon 710, 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno. Duas câmeras (16 MP + 5 MP+), bateria de 2510 mAh com carregamento rápido e o sistema operacional Android, complementam o produto. O aparelho rivalizará com outros peso-pesados dos dobráveis, o Galaxy Fold, da Samsung, e o Mate X, da Huawei.

Em entrevista ao site CNET, o CEO da Motorola, Sérgio Buniac, disse que a empresa enxerga novamente a RAZR como uma franquia, isto é, é provável que este modelo dobrável seja o ponto de partida de outros aparelhos que irão fazer parte dessa linha tradicional. Evidentemente que tudo dependerá do resultado do dobrável, um aparelho que mantém a essência da família RAZR, mas com um renascimento fantástico, tornando o flip algo que pode ser encarado como interessante para novas gerações.

A pré-venda do RAZR dobrável será iniciada em dezembro, inicialmente apenas na operadora Verizon – parceria da Motorola ao longo da jornada da linha RAZR. O preço sugerido é US$ 1.499. Em janeiro de 2020 chegará em outros mercados, incluindo o Brasil, porém o preço local não foi divulgado.

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Editor-chefe no Hardware.com.br, aficionado por tecnologias que realmente funcionam. Segue lá no Insta: @plazawilliam Elogios, críticas e sugestões de pauta: william@hardware.com.br
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