Interview with Paul Sherman, Absolute Linux lead developer
Autor original: Chris Smart
Publicado originalmente no: distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft
Paul Sherman, principal desenvolvedor do Absolute Linux, fez a gentileza de responder a algumas perguntas sobre seu amor pelo Slackware, que o levou a criar o Absolute Linux.
DW: Paul, muito obrigado pela atenção. Você pode contar para nossos leitores quem é você, onde mora, o que faz para sobreviver e como chegou ao Linux e ao software livre?
Aprender não foi fácil, mas logo que comecei a mexer nele fiquei fissurado. Liguei todas as minhas máquinas Linux e Windows em rede, compartilhei a conexão e disparei um servidor Apache. Com o DNS dinâmico mantendo um endereço IP pelo cable modem, eu tinha um site com 20.000 visitas diárias, e a máquina rodou por oito anos sem parar. Tirando dois reinícios causados por falta de luz, a única manutenção consistia em tirar a serragem da ventilação frontal do velho servidor da Dell (com dois processadores Pentium Pro, e que ficava no porão ao lado da minha serra de mesa). Antes do Slackware eu nem conseguia imaginar tamanho poder e confiabilidade. E foi muito divertido.
DW: Pode nos falar um pouco sobre o Absolute Linux? Quais as maiores diferenças entre o Slackware e o Absolute Linux, e porque você escolheu o Slackware como base ao invés, digamos, do Debian?
O sistema foi configurado para usar pequenos utilitários gráficos de ajuda na criação de novas contas de usuário com as permissões padrão, alteração de fontes do sistema, configuração da resolução da tela e outras coisas. Tudo isso foi desenvolvido para que os novatos se sentissem confortáveis e para poupar tempo dos ‘experts’, sem tirar deles a capacidade de modificar o sistema à moda do Slackware, pelos arquivos de configuração.
Também incluí alguns programas que eu procurei e não encontrei, e por isso escrevi por conta própria, como o ‘htmlpage’, o editor HTML padrão do Absolute, e o ‘WPClipper’, parte do pacote WPClipart que eu criei. Outros incluem o controle de volume rápido e o utilitário para configurar a resolução da tela. Ambos podem ser incluído na barra de tarefas do GNOME e do KDE. Você ainda pode editar o xorg.conf para configurar a tela, mas vai ter que descobrir as freqüências do monitor, gerar a linha modeline apropriada e editá-la. E se errar, vai ter que se virar pelo terminal. O utilitário de configuração da tela me permite escolher uma resolução, e clicando em OK ele faz o teste para mim.
Usuários sem acesso root não podem fazer alterações no sistema, nem instalar software. Algumas pessoas não gostam disso, mas eu acho que é pior quando meus filhos vêm toda semana me dizer que alguma coisa não está funcionando, como acontecia no Windows. Se configurar o Absolute com tudo o que o usuário precisa, você pode instalar e esquecer, porque ele vai continuar funcionando até o hardware pifar. Isso é ótimo para os pais e para a turma de TI. Muita gente reclama disso, mas eu sempre acreditei que se você quer fazer algo que o root deveria fazer, deve se logar como root para fazê-lo. É para isso que serve a conta de root.
Escolhi o Slackware e deixei-o o mais leve possível para que o Absolute pudesse ser instalado em hardware ultrapassado. Nada é tão rápido e estável como o Slackware Linux.
DW: O Slackware parece ter a reputação de ser uma distribuição difícil de usar. Essa reputação é merecida?
O outro lado da moeda é que, depois de alterar algo, nenhum processo automatizado vai alterar de volta. Não é preciso passar por uma dúzia de caixas de diálogo (que podem mudar de versão para versão) para alterar uma configuração. As configurações e permissões podem ser definidas com um nível de detalhes impossível em outros ambientes. A sobrecarga do sistema é baixa. E finalmente, uma vez configurado ao seu gosto, o sistema roda e roda e roda…
DW: Por que os usuários podem preferir o Absolute Linux, e o que ele tem a oferecer para os usuários que não queiram um desktop leve? Você tem planos de acrescentar outros desktops no futuro?
Não tenho planos para outros desktops no futuro. Acho que às vezes as distribuições tentam oferecer tudo para todos, e há um preço a pagar por tanta complexidade e sobrecarga. Não tenho a ambição de transformar o Absolute no próximo Ubuntu. Se alguém quiser um desktop diferente no Absolute, é muito bem-vindo a fazer alterações nele ao seu gosto e redistribuí-lo com o nome que quiser, com minha sincera bênção – essa é a beleza do código aberto!
DW: O quão fácil é manter e atualizar o sistema, especialmente entre versões, e os usuários podem misturar pacotes do Slackware com o Absolute Linux sem problemas?
Os pacotes de software são compatíveis com os pacotes do Slackware que sejam exatamente da mesma versão (por exemplo, Slackware 12.2 -> Absolute 12.2). As únicas exceções são os pacotes do kernel, que foram alterados e recompilados para obter melhor desempenho no Absolute, e as bibliotecas do KDE que também foram alteradas para o Absolute (principalmente para tornar possível a execução do K3b, pois eu não consigo viver sem ele). Mas eu devo destacar que os usuários têm toda a liberdade para substituir as bibliotecas do KDE e a versão do Slackware, bem como todo o resto do KDE. Só que o desempenho não será tão bom.
DW: Com que freqüência você pretende lançar versões novas?
DW: Você sabe o que a comunidade do Slackware pensa sobre o Absolute Linux? Já teve a chance de colaborar com seus desenvolvedores e compartilhar o desenvolvimento?
Aí eu recebi um email do Patrick Volkerding sobre o assunto. Ele disse que alguns dos desenvolvedores do Slackware tinham visto o anúncio e avisado a ele que o nome infringia a marca comercial do Slackware. O nome, obviamente, levaria as pessoas a acreditarem que o Absolute havia sido sancionado e/ou desenvolvido pela equipe do Slackware, e não era o caso. Pelo visto, ao me esforçar para que o Absolute não parecesse ser mais do que realmente era, eu acabei causando a impressão errada. Obviamente, eu é que errei no nome original.
Depois que eu disse que ia mudar o nome, o Pat me escreveu de maneira casual. Ele até bateu um papo, disse que pelo que tinha lido no meu site nós estávamos em posições parecidas, trabalhando em casa e cuidando das crianças. E ficou nisso. Sou capaz de passar o dia inteiro falando do meu trabalho, mas não sou muito sociável na internet. Eu aceitaria de bom grado uma troca de idéias com a equipe do Slackware. Quem sabe se este artigo não age como um catalisador?
DW: Para onde você acha que o Linux de modo geral e o Absolute Linux vão seguir no futuro?
A curto prazo, o objetivo do Absolute é encontrar desenvolvedores. O Absolute agora tem seu próprio domínio e servidor FTP, que permite o upload anônimo via FTP para ftp.absolutelinux.org/incoming. Eu e os usuários queremos pacotes, sugestões e, acima de tudo, feedback. O Absolute melhorou MUITO depois que eu o coloquei online e passei a ouvir as opiniões dos usuários no fórum. Estou aberto a qualquer sugestão. Há coisa no Absolute das quais eu gosto muito, mas eu não sou casado com nada. Tirando a minha esposa – ainda bem que lembrei disso antes de terminar a resposta 🙂
DW: Obrigado pela atenção, Paul. Desejamos a você o mais absoluto sucesso no futuro!
Absolute Linux 12.2 – desktop padrão com o IceWM
Créditos a Chris Smart – distrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <roberto at bechtranslations.com>